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BRASILEIRO É PREMIADO POR APLICATIVO QUE INFORMA SOBRE ALAGAMENTOS

22/02/2013

O desejo de transformar algumas horas de folga num projeto útil acaba de render a um brasileiro radicado nos Estados Unidos um prêmio internacional. Com o projeto Enchente.org, o engenheiro eletricista Jonathan Kraemer, de 27 anos, foi um dos vencedores do Google Places API Developer Challenge, um concurso mundial de aplicativos baseados em mapas. Ele foi um entre 87 concorrentes de 27 países.

Depois de acompanhar o sobe e desce do nível do Rio Itajaí-Açu em sua cidade natal, Blumenau, em Santa Catarina, o engenheiro resolveu desenvolver um aplicativo que se conecta diretamente à base de dados da prefeitura e consegue calcular rotas seguras para os motoristas se deslocarem em períodos de enchente.

Flagelo no sul do Brasil

O problema assola a região do Vale do Itajaí com frequência. "A cada um ano e meio, em média, registramos uma elevação do rio de até oito metros", esclarece o secretário municipal de Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe. Em Blumenau, esse nível significa que o rio deixou sua calha. Aos 10 metros a situação se torna crítica e ruas centrais da cidade começam a ser alagadas. Em 1984 uma enchente de 15,2 metros parou a região.

"Em 2008 e 2011 tivemos enchentes. Nessa época eu ainda morava em Blumenau e acompanhava pelo site da prefeitura a listagem das ruas alagadas, mas sempre achei que faltava uma opção mais dinâmica", recorda Kraemer. A Defesa Civil de Blumenau conhece bem o problema e tem dados detalhados sobre o nível do rio e as ruas que são atingidas a cada alteração da altura da água. O software se conecta em tempo real a essa base de dados e oferece informação atualizada sobre a situação de tráfego e as ruas interditadas.

O programa permite, ainda, que o usuário identifique o abrigo público mais perto, onde pode se instalar caso sua casa tenha sido atingida pela água. Também é possível ver o status do local e saber se já está ativado e pronto para prestar socorro em caso de emergência.

Caminhos seguros
O aplicativo localiza o usuário automaticamente no mapa e permite calcular rotas entre dois pontos da cidade levando em conta o nível do rio. Também é possível alterar a informação sobre o volume de água e, dessa forma descobrir se ainda será possível chegar a determinado local da cidade, em caso de piora da situação. Por enquanto, a aplicação baseada na web pode ser acessada por computadores e tablets, mas Kraemer já planeja versões para smartphones.

O plano prevê novas funções para o sistema, com uma base de dados colaborativa. "Em uma situação de enchente, o nível da água é apenas um dos fatores", pondera Kraemer. Por isso, ele quer desenvolver uma plataforma na qual os próprios moradores possam incluir informações como desbarrancamentos ou obstáculos nas estradas. Além disso, os cidadãos poderiam incluir outros dados úteis, como pontos de entrega de donativos. Para o secretário Marcelo Schrubbe, a iniciativa tem méritos. "Toda ferramenta que leva informações corretas e que auxilia a população em situações de enchente é importantíssima."

Negócios ou trabalho voluntário
O Enchentes.org foi escolhido pelo júri técnico da empresa Google, e Jonathan Kraemer vai receber prêmios. Além de um tablet e dinheiro, ele foi convidado para participar da conferência Google IO (Input-Output), evento no qual a gigante da internet anuncia suas inovações. Kraemer irá também se encontrar com um executivo da empresa e pode ter a chance de apresentar o projeto para desenvolvedores de todo o mundo.

"Fiz tudo sozinho em um mês, aprendendo a usar a plataforma e programando. Agora a coisa ficou séria", comenta. Desde o anúncio do prêmio, ele passou a ser contatado por pessoas do mundo todo com sugestões de aperfeiçoamento para o software ou mesmo propostas para vender o produto.

Mas, por enquanto, o brasileiro não pensa no Enchentes.org como um negócio. "É um trabalho voluntário", enfatiza. No entanto, como trabalha em tempo integral em Cary, no estado da Carolina do Norte, ele não descarta a possibilidade buscar parceiros para continuar o projeto. "Talvez coloque em alguma plataforma aberta para que possa ser desenvolvido de forma colaborativa", sugere.
 
 
 
 
Fonte: Uol

 
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