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E A BUSCA SOCIAL SEMÂNTICA DO FACEBOOK DECEPCIONA

17/01/2013

Logo após o anúncio da nova ferramenta de busca social do Facebook, a Graph Search, as ações da companhia caíram 3%, encerrando o dia com recuo de 2,74%, negociadas a US$ 30,10. Pouco antes da coletiva de imprensa, as ações chegaram a atingir alta de cerca de 1%, negociadas a US$ 31,24. O preço máximo do dia foi US$ 31,59.

Qual a razão para o ceticismo do mercado? O modelo de busca, que a distância da concorrência direta do Google? O fato de não ajudar realmente os usuários a acessarem conteúdos compartilhados por eles, já que a busca semântica ainda não localiza informações em postagens nos murais, e sim preferências e recomendações?  Talvez isso tenha contribuído… Não por acaso as ações do Google mantiveram-se estáveis ontem. Estragos, a Graph Search fez mesmo em serviços de recomendações, como o Yelp, cujas ações caíram mais de 7% depois do anúncio do Facebook.

Mas me arrisco a dizer que os dois principais motivos foram mesmo os problemas com privacidade que podem surgir a partir das buscas semânticas no imenso banco de dados do Facebook e, mais relevante ainda, o fato de a nova busca não funcionar nas plataformas móveis da rede social.

Aos olhos do mercado, Mark Zuckerberg e equipe continuam mantendo dois erros históricos: ignorar tudo o que existe na Web para além dos muros do Facebook e pouco fazer para melhorar a experiência dos usuários  nas plataformas móveis, ampliando as chances de monetizá-las.

O resto da Web continua coberto via Bing, a ferramenta de busca da Microsoft, agora associada à Graph Search. Durante o lançamento, Zuckerberg evitou dar detalhes do acordo para a imprensa. Mas dificilmente o Facebook escapará de dar as devidas explicações aos investidores e acionistas. A troca de informações entre as duas ferramentas tem potencial para rivalizar com o Google no mercado de publicidade associada às buscas.  De torná-las concorrentes de peso para o “Search Plus Your World” do Google, que mistura dados pessoais com dados da web.  Mas como essa receita será repartida?


Privacidade e mobilidade

O que fica muito claro  é que agora, a briga entre o Google e o Facebook por nossos dados privados fica mais acirrada. De uma certa forma, as duas empresas aumentam a  aposta na personalização como o futuro da busca. E é inegável hoje, o grande mérito da busca  Internet do Facebook é sugar ainda mais o tempo dos usuários, fazendo com que  visitem menos  sites de propriedade do Google, o que pode arranhar os negócios publicidade da gigante das buscas.

Porém, se a nova busca social do Facebook já nasce brutalmente mais qualificada do que a do Google, por ser baseada na experiência entre amigos, como bem ressalta a Risoletta Miranda,  a Google ainda sustente  a dianteira na busca semântica por voz em dispositivos móveis. E isso não é pouca coisa….

Ontem, na apresentação da nova sede do Google em São Paulo, provocado pelos jornalistas, Fabio Coelho falou do lançamento da concorrente. “É sempre bom ter oferta para as pessoas poderem comparar”, disse o presidente da Google Brasil, lembrando que dentro do conceito de economia da abundância, todo mundo tem o direito de fazer um novo buscador. “O buscador deles [Facebook] é bem diferente do nosso. Tem sinais sociais, busca semântica… Mostra que alguns dos conceitos que a gente vem trabalhando há 14 anos são acertados. Quem vai definir o que usar é o internauta”, completa.

Hoje, o mundo desktop ainda é a vaca leiteira da publicidade e do marketing digital. Mas por quanto tempo?

Segundo Fabio, um dos drives de crescimento do Google em 2012, também no Brasil, é o fato de cada vez mais mais gente usar a Web móvel. “Tem categorias nas quais o número de buscas móveis já representa 35% das buscas totais”, afirma o executivo, ressaltando que  os anunciantes estão olhando muito para isso, não só para investir em publicidade, mas também para aplicar verbas de performance, para retenção e  conversão de clientes. Na opinião do presidente da Google Brasil, cada vez mais as empresas entendem que o movimento em direção à Web tradicional não tem trazido retorno.

Por conta disso, o aumento das receitas do Google no mundo móvel, de acordo com o executivo, já deixou de ser uma estratégia para passar a ser visto dentro da companhia como um conceito: o de foco total no usuário, para entender seu movimento e necessidades, independente do device, A meta do Google é atender bem o usuário, se adaptar às suas necessidades. Isso levará a uma transformação natural das receitas. “A questão é contexto, tecnologia para gerar negócios e meios para fazer com que a interação entre quem está buscando e quem está querendo ser buscado seja a mais inteligente possível, o menos intrusiva possível, o mais elegante possível. E que através de todas as plataformas a gente seja capaz de mostrar essa informação para que todo o ruído da comunicação se transforme em essência, que sirva ao nosso parceiro e ao nosso usuário”, explica Fabio.

O quanto o Google se compromete com o quesito “o menos intrusiva possível”é uma incógnita.  Asssim como é também no Facebook. Tanto, que uma das principais preocupações da rede social ao anunciar sua ferramenta social internet foi ressaltar que honrará as configurações de privacidade dos usuários no processo de construção do motor de busca. Em vão. na rede já começaram a circular as teorias conspiratórias de que, embora não apresente os dados que não sejam públicos nos resultados de busca, isso não garante que o Facebook não os esteja indexando de fato e gerando um enorme banco de dados sobre hábitos e comportamentos de perfis de usuários por gênero, idade, regiões demográficas, interesses, etc.


Bom para marcas, melhor para o próprio Facebook

Quando tiver atingido um grande volume de buscas, a Graph Search proporcionará para o Facebook insigtscapazes de fazer a alegria das marcas. Assim como o Google, a rede social estará em condições de mapear instantâneamente tendências de consumo e de comportamento capazes de orientar ações de marketing dirigidas ao público alvo, aumentando as chances de conversão de vendas, gestão de crises, etc.

Por que motivos os usuários não se rebelariam contra isso? Simplesmente porque a busca torna o Facebook muito mais simples de usar, ao menos em tese. Fica mais fácil descobrir coisas, mas não encontrar coisas. Posso saber quem são as pessoas com os mesmos interesses que os meus, e qual o melhor restaurante japonês de são paulo na opinião dos meus amigos ou de todos os usuários do Facebook que gostam de comida japonesa, mas ainda não posso recuperar aquele comentário que li meses atrás sobre determinado restaurante.

No fundo, ganham as empresas clientes do Facebook, que podem usar essas informações para realizar pesquisas de mercado sobre os seus fãs e potenciais clientes., e o próprio Facebook, que ganha dados para enriquecer a mineração a parir da sua API de publicidade (ADs API) e o uso de ferramentas como a “Keyword Expander” e a “Audience Matrix”.

A minha opinião? Do ponto de vista do usuário, concordo com Whitson Gordon, do LifeHacker. A nova pesquisa do Facebook parece muito legal, e é definitivamente um recurso útil para uma série de coisas. Mas ainda está longe de ser capaz de substituir o Google, mesmo na estratégia de publicidade e marketing digital das empresas.  Ou de vir a ser o primeiro site onde  alguém vai para procurar por um novo restaurante ou banda.

As duas buscas são complementares. Servem a finalidades diferentes. Sem dúvida, a Graph Search fará o Facebook ganhar uma fatia um pouco maior na repartição do bolo publicitário. O quanto maior _ e se eventualmente maior que a do Google _ só o tempo dirá.

@@@@

PS: O próximo balanço trimestral do Facebook será divulgado no dia 30 de janeiro, com os resultados dos últimos três meses de 2012. Mark Zuckerberg está se especializando em anunciar novidades com grande potencial de rentabilidade às vésperas da publicação de resultados. Foi assim no balanço do terceiro trimestre. O que será que este novo balanço trás de positivo e de negativo que o lançamento da ferramenta de busca pode contrabalançar?

PS2: Boa notícia para usuários brasileiros de Android, 4.1 em diante. Segundo Fabio Coelho, falta muito pouco para o lançamento do Google Now, o assistente pessoal inteligente, extensão do Google Search com interface de linguagem natural, para responder perguntas, fazer recomendações, e agir, delegando pedidos a um conjunto de serviços na Web. O produto já está em beta. Chega aqui ainda no primeiro semestre.
 
 
 
 
Fonte: IdgNow

 
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