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2013: O ANO DO FIM DOS NETBOOKS

04/01/2013

Inicio esta coluna fazendo um retrospecto ao que escrevi em março de 2009, com o artigo intitulado “Netbook e o futuro da computação portátil”.

Na época, os netbooks estavam chegando ao auge, com crescimento de mais de 100% sobre 2008, chegando a mais de 33 milhões de unidades comercializadas naquele mesmo ano. 2010 foi o apogeu da plataforma, quando foram vendidos 39,4 milhões de equipamentos, representando 11% do total do mercado de PCs.

(Evolução das vendas de netbooks em milhões de dólares nos EUA)

O aparente sucesso dos netbooks deu-se por alguns motivos, como, por exemplo, o fracasso de outros dispositivos portáteis, tais como PDAs, UMPCs e MIDs, além da crise econômica do final de 2008 - quando a procura por computadores mais baratos e acessíveis naturalmente aumentou – e do surgimento de um novo nicho, o do segundo/terceiro equipamento da casa, para uso prático no dia a dia.

Entretanto, em 2011, o mercado deu uma “guinada”, e o interesse pelos netbooks despencou. Foram comercializados 29,4 milhões de equipamentos, queda de 25% sobre o ano anterior. 

(Evolução das vendas de netbooks em milhões de dólares nos principais mercados)

Em 2012, a situação se agravou ainda mais nos países do primeiro mundo. Nos países localizados na parte ocidental da Europa, os netbooks representaram apenas 11,7% de todos os dispositivos portáteis vendidos no primeiro bimestre, contra 21,5% em igual período de 2011.

Com baixas vendas (e perspectivas sombrias para o futuro), grandes fabricantes de PCs simplesmente abandonaram tal segmento, como foi o caso da 
Dell, Samsung, HP, Lenovo e tantas outras.

Asus Eee PC 701SD, um dos primeiros netbooks do mundo, com tela de 7 polegadas e SSD de 8GB

Diante do que foi exposto acima, a pergunta a ser feita, então é: o que houve de errado com os netbooks? Ao que parece, a aparente “morte” dos “pequenos notáveis” deve-se a uma soma de fatores. Iremos abordá-los a seguir.

Descaso. Ao longo de seus cinco anos de existência, as fabricantes de processadores praticamente não investiram em Pesquisa & Desenvolvimento no segmento. A Intel ficou “parada no tempo e espaço” com a sua linha Atom, não havendo praticamente uma evolução constante e consistente ao longo dos anos. Para piorar, VIA e AMD praticamente saíram do mercado. 

Pelo que se comenta, as fabricantes optaram por nichos bem mais lucrativos, como é o caso dos notebooks ultrafinos/ULVs, além dos tablets.

Inércia.
 Não foi apenas a indústria do hardware que ficou inerte. A Microsoft demorou uma eternidade para se adequar aos novos tempos, e disponibilizar um sistema operacional que atendesse às novas expectativas dos usuários – sobretudo os mais jovens. Houve uma tentativa de colocar o Android em alguns equipamentos, mas a proposta (e interação) dos netbooks é diferente dos tablets, e portanto, a iniciativa naufragou. Além do XP e Windows 7, a Microsoft demorou muito para liberar o uso de versões mais completas de seus SOs nos equipamentos. Até então, os proprietários de netbooks eram obrigados a levar para casa a versão Starter, ou então pagar um valor exorbitante por um equipamento com um Windows mais robusto.

Com estilo e elegância, a série Vaio P da Sony tinha preços variando entre US$ 900 e US$ 1.900

Preço. Falando em dinheiro, os netbooks surgiram como uma alternativa aos caros desktops e notebooks. Infelizmente não foi isso o que se viu nas prateleiras das lojas. Era muito comum encontrar equipamentos na casa dos US$ 400 – ante uma proposta de US$ 199-249. Era até possível encontrar alguns equipamentos nesta faixa de preço, mas estes vinham com especificações bastante acanhadas, com bateria de três células, 512MB/1GB de RAM, HD bem modesto em 80/160GB e ausência de WiFi.

Autonomia.
 Se a proposta de se ter um netbook é poder usá-lo em deslocamento, nada mais justo que poder usar o equipamento horas a fio. Infelizmente não foi isso o que se viu. Era comum uma modesta bateria de três células, o que resultava, via de regra, em limitadas 3-4 horas de uso sem interrupção. O usuário poderia optar por um modelo com bateria de seis células, mas além de ter de desembolsar um valor consideravelmente mais caro pela bateria, ainda assim, a autonomia ficava, quando muito, entre 6-8 horas. Para piorar, uma bateria de seis células resultava em um equipamento demasiadamente pesado e espesso para se carregar.

Concorrência.
 Não bastassem os pontos apresentados acima, os netbooks sofreram a forte concorrência dos tablets – e por que não dizer dos smartphones, visto que estes ficaram cada vez maiores e mais potentes.


(Samsung Galaxy Tab)

Aliás, cabe aqui um adendo. Os smartphones e tablets passaram por uma impressionante evolução tecnológica nos últimos dois anos, graças à intensa competição entre as fabricantes de chips – como é o caso da Qualcomm, NVIDIA e Samsung. A cada nova geração lançada, mais núcleos de processamento, RAM e GPU mais poderosa foram incorporados aos novos tablets e smartphones. De quebra, há opções com telas de vários tamanhos, com qualidade de fazer inveja aos melhores monitores do mercado.

Como resultado dessa intensa competição entre as fabricantes de chips e equipamentos – resultando em aparelhos cada vez mais poderosos e diferenciados – somado a uma robusta biblioteca de aplicativos, programas e games, as vendas de tablets explodiram em 2012, alcançando cerca de 117 milhões de unidades.

O “golpe de misericórdia” – e que muito provavelmente marcará o fim dos netbooks – 
veio com a informação de que as duas únicas companhias que permaneciam no “jogo” – Asus e Acer – irão limitar sua atuação em apenas alguns mercados do terceiro mundo, como é o caso da América do Sul e do sudeste asiático. E as vendas só permanecerão, enquanto houver uma demanda minimamente suficiente que justifique a produção.

Talvez no futuro, com o advento de novas gerações de processadores x86 com maior eficiência energética, os netbooks retornem com uma nova proposta e sob a batuta de um novo nome comercial, mas pelo menos a curto prazo – e olhando as perspectivas de futuro, é pouco provável que o mercado venha a ter um equipamento nos mesmos moldes dos atuais netbooks.
 
 
 
Fonte: Adrenaline

 
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