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UMA NOVA GERAÇÃO DE MÍDIA SOCIAL PODE INQUIETAR O FACEBOOK

12/12/2012

 

O WeChat (wechatapp.com) é o primeiro aplicativo chinês para celulares inteligentes que começa a ser adotado fora de seu país. Lançado em 2011 pela Tencent, a maior companhia mundial de mídia on-line, em setembro ele já contava com mais de 200 milhões de usuários (incluindo o Sudeste Asiático, Estados Unidos e Reino Unido), o que representa duas vezes mais usuários do que tinha em março. Como afirmou o jornal "Guardian", o aplicativo é "similar" ao WhatsApp, mas oferece "muito mais funcionalidades", porque apresenta semelhanças com o Twitter, o Facebook, o Instagram e o Skype, entre outros. Também permite enviar mensagens de voz, como um walkie-talkie.

Na Coreia do Sul, o Kakao Talk (www.kakao.com/talk/en) é o serviço dominante ( a Tencent tem 14% de participação na companhia). Em setembro, quando entrevistei Yujin Sohn, sua vice-presidente mundial de desenvolvimento, contava com 60 milhões de usuários. As funcionalidades do serviço são semelhantes às do concorrente chinês. "Nós decolamos antes do WeChat e podemos fazer tudo que eles fazem", ela me assegurou, "e além disso também oferecemos chamadas de voz gratuitas, o que eles não oferecem". O fato é que os chineses encontram dificuldade para conquistar mercado na Coreia do Sul, e vice-versa. Por isso, as duas empresas decidiram unir forças, com os sul-coreanos entrando com a tecnologia e os chineses com os recursos financeiros.

O último membro do trio é a Line (www.line.naver.jp/en), a derivação japonesa de uma companhia sul-coreana (a Next Human Network, ou NHN), da qual Brian Kim, fundador da Kakao, foi presidente-executivo por algum tempo --o que significa que os elos entre as três companhias são múltiplos. Em setembro, a Line anunciava ter 60 milhões de usuários (dos quais pouco menos da metade no Japão, enquanto a Kakao contava com 90% de usuários sul-coreanos, de acordo com Jun Masuda, um executivo da Line), e estimava que seu total de usuários atingiria os 100 milhões pelo final deste ano.

Segundo Masuda, "a interface gráfica e a estratégia são bastante semelhantes porque viemos ambos da mesma empresa".

Como Sohn, Masuda insiste na comunicação. "Não somos uma rede social, somos um serviço de mensagens", explica. "As mensagens são muito mais curtas, o que permite intercâmbios rápidos, mais parecidos com uma conversa".

Para Sohn, a grande diferença com o Facebook está no fato de que "nascemos nos celulares", enquanto para Masuda "a revolução dos celulares inteligentes nos dá a oportunidade de ampliar os serviços de mensagens e comunicação. Os Estados Unidos têm o Facebook, mas ainda não existe um serviço de mensagens dominante em seu mercado. É por isso que nos interessamos primeiro pelo mercado asiático, com a intenção de nos expandirmos depois".

A diferença pode parecer uma questão de matiz, mas essas empresas a consideram essencial. A explicação mais precisa a respeito me foi oferecida por Yujin Sohn (ou Kate, para os amigos ocidentais), segundo a qual "o Facebook é mais uma plataforma social com funcionalidades de comunicação, enquanto nós somos uma plataforma de comunicação com funcionalidades sociais. Os celulares inteligentes foram concebidos justamente para isso, enquanto os computadores não foram concebidos como ferramentas de comunicação, mesmo que todos esses aparelhos apresentem sobreposições parciais de função. O Facebook enfrenta problemas nos aparelhos móveis porque nasceu em um ambiente no qual a comunicação não tinha papel central. Somos diferentes porque nascemos em planetas diferentes".

A WeChat e suas irmãs consideram que isso seja uma vantagem e se veem como bem posicionadas para um dia concorrer com o Facebook. Menos por sua proveniência serem os grandes mercados asiáticos e mais porque nasceram com os celulares inteligentes e solicitam a todos os novos assinantes acesso aos seus catálogos de contatos. As redes fundadas em relações declaradas --como o Facebook-- tendem a projetar um gráfico social plano ou estático, enquanto as que se baseiam em comunicação, e por isso em relacionamentos reais, projetam um gráfico social dinâmico que corresponde melhor à realidade dos intercâmbios. Os dois modelos têm elementos em comum, mas o ponto de partida, e com ele o de chegada, de ambos são significativamente distintos.E se o Facebook tiver começado com o pé esquerdo por ter nascido para os computadores e não os celulares? Essa é uma pergunta lícita diante do impressionante progresso de três empresas asiáticas que juntas já somam quase 400 milhões de usuários e estão crescendo em velocidade vertiginosa. O que as diferencia do gigante das redes sociais que todos conhecemos é que foram concebidas desde o começo para uso em celulares inteligentes, e se baseiam mais em conversações do que em relacionamentos. De que estamos falando?
 
 
 
 
Fonte: Uol

 
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