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NEWSWEEK ENCERRA IMPRESSO. AGORA VEM O DIFÍCIL: FAZER DINHEIRO DIGITAL

19/10/2012

No próximo dia 31 de dezembro a revista Newsweek vai publicar pela última vez sua edição semanal em papel, encerrando uma história de praticamente 80 anos de mídia impressa. A revista, concorrente distante mas briguenta da revista Time, foi criada para levar aos leitores dos EUA um resumo analítico das notícias da semana e uma visão do que seria importante na semana seguinte. Newsweek, assim como outras revistas semanais, manteve aceso o espírito do bom jornalismo por muito tempo.

Em memorando publicado hoje, a editora-chefe Tina Brown e o CEO Baba Shetty comunicam que a partir de 2013 Newsweek será unicamente digital, passando a chamar-se Newsweek Global. Será, segundo eles, uma edição de alcance mundial disponível na web, em e-readers, tablets e outros devices digitais. “Newsweek Global terá uma única identidade mundial e está voltada para uma audiência altamente móvel, formadora de opinião, que quer ler sobre os acontecimentos mundiais em um contexto sofisticado”, diz o memorando.

Paywall? Sim, diz a editora. Newsweek Global será um produto consumido no formato de assinatura, sem preço divulgado ainda.

Capa polêmica recente

Capa polêmica recente

Com o fim definitivo do papel, a Newsweek encerra sua “segunda vida impressa”, que começou em 2010 quando foi comprada do Washington Post pelo magnata da indústria de áudio Sidney Harman (morto em abril de 2011 aos 92 anos), pelo valor de 1 dólar. A revista foi relançada e passou a fazer parte de uma joint-venture com o site de notícias The Daily Beast, do grupo IAC/InterActiveCorp, formando a The Newsweek Daily Beast Company . O Beast foi idealizado em 2008 pela jornalista Tina Brown (ex-Vanity Fair; ex-The New Yorker, ex-Talk) e financiado por Barry Diller, dono da IAC, que, após a morte de Harman e a saída da família dele do negócio, assumiu a joint-venture em julho do ano passado.

Segundo dados do mercado, encerrar a edição impressa era inevitável. Em dez anos a revista encolheu de uma circulação paga de 3 milhões de assinantes para 1,5 milhão de assinantes (junho de 2012). A estimativa é que a Newsweek teria perdas anuais de 40 milhões de dólares (praticamente confirmadas por Shetty em entrevista ao The Wall Street Journal).  Diller sinalizou em julho passado que não iria carregar as perdas para 2013. Sem os custos de impressão e circulação, os bichos-papões da mídia impressa, a empresa vai derrubar uma boa parte do prejuízo o que, segundo Shetty, dará fôlego para consolidar o projeto de gerar receita com assinantes digitais.

Capas recentes e polêmicas da Newsweek

Capas polêmicas da Newsweek

A Newsweek tem hoje apenas 27 mil assinantes digitais, segundo dados do Audit Bureau of Circulations (ABC). Shetty e Tina Brown acreditam que podem arrebanhar algumas centenas de milhares de assinantes no primeiro ano, o suficiente para gerar atratividade para os anunciantes, escassos na versão impressa. O modelo de negócios para o primeiro ano, segundo Shetty, não envolve grande expectativa de receitas de publicidade e está ancorado em receitas geradas por assinaturas e programas integrados de eventos com um grupo “seleto de anunciantes”.

O mercado está cético no entanto sobre o futuro da Newsweek não por conta do digital, mas por conta dos rumos sensacionalistas que a revista assumiu na gestão de Tina Brown e porque ela já vinha claudicando há pelo menos uma década. Em um artigo no site Politico, o reporter Dylan Byers critica as decisões editoriais que levaram a revista a produzir capas “vendedoras e polêmicas” como a que imaginava a Princesa Diana com 50 anos,  ou a que retratava o presidente Obama como “o primeiro presidente Gay”. Byers diz que a equipe editorial que tornaria possível a sustentação do valor do conteúdo digital a ponto de convencer o leitor a pagar teria deixado a empresa ao longo desse período, insatisfeita com os rumos da cobertura.

A questão na verdade é que uma revista SEMANAL de notícias conflita com o espírito  24/7 da internet. Um conflito que pode minar o valor do conteúdo para os novos leitores, a menos que esse conteúdo seja mesmo muito especial. Publicações mais verticais, como é o caso da The Economist, por exemplo, conseguem crescer e prosperar nos novos tempos porque oferecem conteúdo tão único e exclusivo que não tem rivais entre os digitais, daí o valor para o leitor. Na dúvida eu aposto na qualidade do velho e bom jornalismo para manter uma publicação digital. Também Howard Finneman, diretor editorial do The Huffington Post, que trabalhou na Newsweek por três décadas. Vale a pena ler seu artigo sentimental de hoje.

 

 
Fonte: IdgNow

 
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