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EX-FUNCIONÁRIOS USAM REDES SOCIAIS PARA SE VINGAR DE EMPREGADORES

17/10/2012

Quando Richard Nixon perdeu a eleição para o governo da Califórnia, em 1962, ele concedeu uma famosa entrevista coletiva em que disse: "Vocês não têm mais o Nixon para chutar por aí". Passados 50 anos, ele teria tuitado a frase.

Seja numa saída voluntária ou involuntária, hoje em dia qualquer pessoa que tenha uma conta de Facebook, Twitter ou Tumblr pode, se desejar, dar um adeus demasiadamente público a um patrão ou a uma empresa, abandonando o clássico conselho de jamais falar mal de um ex-empregador.

Após quatro anos num hotel em Providence, Rhode Island, Joey DeFrancesco entregou sua carta de demissão acompanhado por uma dúzia de integrantes da banda onde ele é trompetista e de um cinegrafista. "Meu gerente realmente me odiava, e eu queria uma grande despedida", contou. O vídeo foi postado no Facebook e no YouTube, onde se tornou viral.

Reprodução/Youtube/DowntownBoysMusic
´Cena
Cena do vídeo "Joey Quits", de Joey DeFrancesco

Quando Aaron Brown foi demitido como âncora da CNN, ele estava proibido por contrato de comentar o fato durante vários anos. Quando a mordaça caiu, ele revelou seu rancor ao "The Huffington Post". "Eu não achava que os espectadores estivessem ao meu lado quando fazíamos televisão burra", disse.

Brown também se atreveu no MediaBistro, quando zombou: "Sei a diferença entre o jornalismo e um slogan. ´Mantenha-os honestos´ é um slogan", afirmou, numa alusão ao bordão do programa "Anderson Cooper 360", da rede CNN.

Como era de se esperar, o Vale do Silício também está propenso a esses atentados digitais. Num blog, James Whitaker, ex-diretor de engenharia do Google, descreveu os últimos meses que passou no cargo como "um turbilhão de desespero e tentativas vãs de recuperar minha paixão".

"Conforme eu escrevia, o processo se tornou catártico", disse Whitaker por e-mail.

"Não acho que tenha entendido plenamente por que saí até que escrevesse aquilo."

No TechCrunch, Max Zachariades fez um post chamado "Frustração, Decepção e Apatia: Meus Anos na Microsoft", descrevendo, após sua demissão, o estilo de gestão da gigante do software. "Foi uma forma de me valorizar", afirmou. "Com muita frequência, nos ambientes corporativos, não há liberdade de expressão. Disseram-me que, se eu os levasse à Justiça, eu não iria ganhar, que eles eram grandes demais. Então, em vez disso, coloquei tudo on-line. As redes sociais permitem a aceleração do carma."

Em termos de audácia, nada supera o mundo financeiro, onde executivos que saem com maletas recheadas de polpudas indenizações só parecem notar retrospectivamente os problemas do setor. Outrora considerada a mulher mais poderosa de Wall Street, Sallie Krawcheck foi ao Twitter após ser demitida do Bank of America. Ela nem precisou de 140 caracteres para morder a mão que deixou de alimentá-la.

"Mais sobre o tema da complexidade dos grandes bancos: não seriam ´grandes demais para falir´, e sim ´complexos demais para existir´?", escreveu.

As despedidas públicas geraram uma forma própria de resposta e retaliação. Greg Smith pontuou sua saída do Goldman Sachs com um artigo no "New York Times" sobre o que ele descreveu como a "falência moral" da companhia.

No mesmo dia, um site britânico chamado The Daily Mash publicou uma paródia intitulada "Por que estou saindo do Império", assinada por Darth Vader. "O Império hoje está preocupado demais com atalhos e não o suficiente com o estrangulamento remoto. Simplesmente não me parece mais que seja correto."

Em seu blog The Reformed Broker, Joshua Brown tem alguns conselhos para os descontentes de Wall Street: "Lide com isso ou saia e abra uma loja Etsy".

Brown passou uns 12 anos como corretor de ações no varejo e concluiu: "O negócio é um conflito gigante. Mesmo alguém que quisesse agir corretamente com seus clientes não conseguiria". Ele agora é um consultor financeiro registrado, e seu blog se dedica a informar o público sobre armadilhas nos investimentos.

"Para começar, as redes sociais são inerentemente egocêntricas -é tudo eu ou aonde estou indo", disse Brown. "Mas nem todos precisam ser Jerry Maguire ao baterem a porta."
 
 
 
 
Fonte: Folha

 
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