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APPLIED MICRO MOSTRA PROCESSADOR ARM DE 64 BITS PARA SERVIDORES

03/09/2012

A Applied Micro apresentou durante a conferência Hot Chips, realizada nesta semana em Cupertino, na Califórnia, uma plataforma para servidores baseada em processadores ARM de 64 Bits, o que causou um debate sobre a  adequação da arquitetura ARM em um data center.

Pat Gelsinger, um ex-CTO da Intel que atualmente é presidente e COO da EMC, não acredita que os processadores ARM sejam adequados para servidores. ?Não acho que os números façam sentido?, disse ele.

A Applied discorda, e afirma que para certas cargas de trabalho, incluindo Big Data e Cloud Computing, seus processadores irão causar uma redução dramática no custo de propriedade, principalmente através de um menor consumo de energia.

A empresa afirma que está a caminho de entregar as primeiras amostras de seu sistema em um chip, chamado X-Gene, na segunda metade deste ano. Ele eventualmente será usado em servidores com 128, 256 ou 512 núcleos, disse Paramesh Gopi, Presidente e CEO da Applied Micro, nesta quarta-feira.

Vários fabricantes estão trabalhando em produtos o mercado de servidores baseados em processadores ARM de 32-Bit, mas a Applied pode ser a primeira a lançar um produto baseado na arquitetura de 64-Bits ARMv8, que é mais adequada para a carga de trabalho de servidores.

De acordo com a Applied, a integração é a chave. Seu SoC (System on a Chip - Sistema em um Chip) será oferecido com 8 ou 16 núcleos, na mesma pastilha de silício que o sistema de I/O, rede e interconexão. Isto tudo instalado em um pequeno módulo com até 256 GB de memória DDR.

?Isto nunca aconteceu na história de nossa indústria?, disse Gopi. ?Não estamos falado de processadores, estamos falando de uma plataforma que é um servidor completo em um chip, e isto irá mudar a equação fundamental? dos custos de propriedade de um servidor.

A Applied não informa ainda quanta energia sua plataforma consome nem discute a velocidade de seu processador, dizendo que fará anúncios futuros. E embora Gopi tenha mostrado um módulo servidor no palco e declarado dramaticamente que ?isto é real? outro engenheiro da Applied admitiu mais tarde que o SoC era um mock-up não funcional, já que a empresa ainda está aguardando a entrega das primeiras amostras.

Ainda assim, a Applied diz que está dentro do cronograma para entregar as primeiras unidades até o final deste ano, e que elas irão rodar software escrito para sistemas ARM de 32 Bits sem comprometer o desempenho. A plataforma também irá suportar virtualização e RAS (?Reliability, Availability and Serviceability?) em nível empresarial, disse ele.

Mais cedo, Gelsinger havia dito que embora a tendência rumo a smartphones e tablets signifique que a ARM irá dominar a computação no lado do cliente, ele acredita que o Data Center irá permancer um ?mundo x86?.

Quando perguntado sobre o que acha das previsões de analistas, que estimam que a ARM será responsável por 25 porcento das entregas de servidores em alguns anos, Gelsinger disse curtamente ?não acredito nestes números?.

Processadores baseados na arquitetura x86 estão chegando a um consumo tão baixo quanto 2 ou 3 Watts por núcleo, disse ele. Reduzir mais ainda o consumo de um processador não faz sentido quando se leva em conta a energia necessária para alimentar os outros componentes da plataforma, como I/O e memória, disse ele.

Adicione a isso a sobrecarga de tentar virtualizar e gerenciar um data center com uma mistura de servidores ARM e x86 e o ARM faz ainda menos sentido. ?O custo da heterogeneidade em um modelo de computação em nuvem é muito alto?, disse ele.

Mas a Applied Micro discorda: o argumento de Gelsinger é verdadeiro no caso de servidores x86 tradicionais que tem chassis, fonte de alimentação e sistema de resfriamento individuais, mas a indústria está se movendo rumo a um modelo de infraestrutura compartilhada, e mesmo componentes compartilhados como I/O e memória, diz Gaurav Singh, vice presidente de engenharia e desenvolvimento de produtos da Applied. ?Nos sistemas mais novos, a matemática faz muito mais sentido?, disse ele.

O analista Nathan Brookwood da Insight64 defende o lado da ARM: ?acredito que a arquitetura ARM faz sentido porque permite a inovação a nível de CPU que não é possível com a arquitetura x86, porque a Intel e a AMD são as únicas empresas com acesso a ela?, disse. Em contraste, a Applied foi capaz de construir um SoC altamente integrado inovando sobre um núcleo de processador ARM padrão.

A SeaMicro, uma startup no mercado de servidores que foi comprada neste ano pela AMD, vem vendendo servidores com configurações ainda mais densas do que as propostas pela Intel, baseados em processadores Atom e Xeon. Mas a SeaMicro teve de adotar uma solução de dois chips, com os sistemas de rede e interconexão em um chip separado, porque não pode modificar os processadores Intel, disse Brookwood.

Mas agora que é dona da SeaMicro, a AMD indicou que irá integrar a tecnologia da empresa em seus processadores Opteron para servidores. ?Mas isso ainda irá levar uns dois anos?, completa.

Gelsinger não é um observador completamente neutro. Ele está prestes a assumir o cargo de CEO da VMWare, de cuja a maior parte a EMC é dona, e a VMWare baseia seu modelo de negócio na arquitetura x86. Seu software, ao menos por enquanto, não é capaz de virtualizar servidores ARM.

Embora Gelsinger tenha sérias dúvidas sobre a arquitetura ARM, ele aparentemente não tem uma forte oposição a ela. ?Se os servidores surgirem, e forem realmente bons, é claro que faremos com que nosso software suporte eles também. Mas estou muito cético?, disse ele.

 
 
Fonte: PcWorld

 
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