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FUTURÓLOGO APOSTA EM CELULAR COM LEITOR BIOMÉTRICO E IMPRESSORA 3D MOLECULAR

22/08/2012

Michell Zappa, 30, é um pesquisador sueco-brasileiro especializado em tecnologias emergentes. Nascido em Estocolmo, trabalhou no Brasil, na Holanda e na Inglaterra e atualmente toca o projeto intitulado Envisioning Technology, no qual ele faz previsões de pura futurologia, que, em suas palavras, "não são só especulação".

Zappa, que está em São Paulo para falar durante o primeiro dia do evento The Next Web, que ocorre entre quarta (22) e quinta (23), acredita na "inevitabilidade" de computadores vestíveis e se posiciona frontalmente contra o direito autoral.

Nesta entrevista à Folha, o pesquisador ataca as empresas de telecomunicações brasileiras e fala sobre nosso futuro tecnológico.
 

Folha - Como será o smartphone de daqui a cinco anos?

Michell Zappa - Ele terá dispositivos de biométrica (como leitura de impressão digital), para poder identificar de que realmente é você quem vai acessar sua conta do Facebook. Além disso, serviços de pagamento por NFC [comunicação de campo próximo] farão com que o smartphone aja como carteira em muitos lugares.

Em que áreas ocorrerão as mudanças tecnológicas de maior impacto sobre nós nos próximos anos?

Considero três áreas mais importantes: tecnologias embutidas, biotecnologias e robótica.

A primeira se resume com o aumento da velocidade dos dispositivos e das suas capacidades. Em cinco ou dez anos veremos facetas desses dispositivos se manifestando a nosso redor. Telas mais próximas aos olhos (como o Google Glass) são inevitáveis, mas conte também com sensores de atividade física em todos os seus calçados e peças de roupa com geolocalização.

Na biotecnologia, vejo a possibilidade do surgimento de uma impressora 3D molecular ("chemputers") para produzir e melhorar órgãos do corpo.

Robôs substituindo o ser humano em determinadas funções são há muito uma via de mão única. Hoje são praxe robôs simples na indústria, mas o que acontece quando um automóvel aprende a dirigir melhor do que um taxista (com custo mais baixo, evidentemente), ou quando sintetizadores de voz com algoritmos complexos se tornam mais eficientes do que operadores de telemarketing?

Qual a relação entre inovação e empreendedorismo, na sua opinião?

É muito mais fácil adaptar uma ideia existente do que criar soluções novas. O mercado de start-ups brasileiro já demonstrou ser capaz de adaptar todo tipo de serviços e de produtos. E agora está começando a inovar de verdade.

E entre inovação e direitos autorais?

Sou fundamentalmente contra patentes e direitos autorais. Acredito genuinamente em entregar o maior número possível de conteúdo e de ideias para quem demonstrar interesse e lucrar por meio daquilo que é impossível copiar, como a qualidade de implementação e a velocidade.

Os cursos da tecnologia parecem reféns do mercado. Estamos presos ao que decidem os departamentos de marketing?

Imagine se todas as empresas que gerenciam as rodovias do estado de São Paulo gastassem milhões de reais anunciando que a suas estradas são melhores que as dos concorrentes. Que só as nossas têm asfalto de qualidade, que temos sinalização de padrão internacional e que temos serviços incríveis de apoio para acidentes. E imagine a estrada toda esburacada, sem placas ou sinalização, mal-iluminada, sem veículos de emergência.

É isso que eu acho das empresas de telefonia celular e internet no Brasil. Marketing acima de tudo e zero preocupação em oferecer um produto decente.

  • Você viveu em diversos países. Para a sua atividade, quais as diferenças entre o Brasil e o resto?*

Infraestrutura não é levada a sério no Brasil --e isso deixa o país muito atrás de alguns outros. É um problema institucionalizado, que começa no topo da pirâmide, com sobrefaturamento e corrupção em projetos públicos. Porém, eu acredito que isso tende a mudar. Acho que a inovação tecnológica pode acontecer de baixo para cima e resolver tais problemas de infraestrutura.

Você acredita no "fim da web"?

Acredito que a web se tornará cada vez mais invisível, e ao mesmo tempo cada vez mais presente. Acredito que a tendência para daqui a dez ou 15 anos seja de surgimento de "web apps" indistinguíveis dos aplicativos dedicados, com todos os benefícios que isso traz, tal como você poder continuar um jogo em qualquer browser com a facilidade que você abre o Gmail no computador do amigo hoje.

Mas essa adaptação rumo à nuvem depende de vários fatores, como a velocidade de conexão.

A tecnologia faz da humanidade melhor?

A única coisa que nos separa do nosso passado é tecnologia. Hoje, tem muita gente com muito dinheiro procurando resolver problemas globais, como no campo da energia --e isso tende a trazer resultados a longo prazo.
 
 
 
 
Fonte: Folha

 
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