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ASSANGE, WIKILEAKS E O BRASIL

20/08/2012

 
 
 

Quando começou todo esse imbróglio entre Inglaterra e Equador por causa do fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, muita gente se perguntou: Por que logo o Equador? O fato é que, desde 2010, quando o Wikileaks estorou no mundo todo publicando informações confidenciais de órgãos diplomáticos (principalmente dos Estados Unidos), o governo de Rafael Correa vem apoiando ? direta ou indiretamente ? as ações de Assange.

O Equador foi o único país sul-americano a expulsar o embaixador dos EUA depois das informações divulgadas pelo site. O crime do embaixador Heather Hodges? Comentar em mensagem oficial o sentimento de antiamericanismo do presidente Rafael Correa.

A questão é que, mais ou menos na mesma época, outro presidente de uma nação latino-americana também deu declarações favoráveis à Assange e ao Wikileaks. Ninguém menos do que Luís Inácio Lula da Silva chegou a dizer que ?o rapaz estava apenas colocando aquilo que ele leu. E se ele leu porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão?. Não lembra? Olha então aí o próprio homem falando:

E por que o ?rapaz? não veio para o Brasil? Assange bem que queria, já que depois disso tentou por diversas vezes se aproximar do Brasil da mesma forma que vinha fazendo com o Equador.

O problema é que o País estava passando por um processo eleitoral e de mudança de política pública, especialmente em relação ao exterior. Lembra que o Lula tinha um diálogo direto com o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e com o da Venezuela, Hugo Chavez? Pois então, com Dilma, nunca mais rolou.

O próprio Assange atribuiu o apoio de Lula ao fim do seu mandato. ?Lula é um caso especial porque ele irá sair (da presidência). E isso o permite ser mais direto do havia sido já não tem que prestar nenhuma fidelidade aos Estados Unidos?, disse à época. ?Vi que recebemos um apoio em escala mundial, especialmente na América do Sul e Austrália, e parece como se todo o mundo em todas as partes nos apoiaram. Mas quando mais perto do poder está um homem, menos predisposto está a nos apoiar?, completou. O mesmo vale para mulheres, já que Dilma, que tem muito a perder, aparentemente não possui a mesma solidariedade do seu colega Equatoriano.

Mas outro fato é que o Wikileaks sempre pegou leve com o Brasil. Não se sabe se é por simpatia ou por falta de fontes, mas as citações ao País nos documentos divulgados sempre expõe uma visão externa sobre as terras tupiniquins, ao invés de expor algum podre interno.

O documento mais polêmico afirmava que o governo dos Estados Unidos não queria que o Brasil tivesse um programa de produção de foguetes espaciais próprio. Para tanto, os norte-americanos não estavam dispostos a não transferir tecnologia do setor aos cientistas brasileiros, tampouco incentivava seus parceiros a fazer o mesmo. Isso ia diametralmente contra o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil (TSA, na sigla em inglês), que estava sendo discutido então.

Outro ponto polêmico foi uma mensagem da empresa de inteligência global Stratfor analisando a compra do governo brasileiro dos caças franceses Rafale. O analista de geopolítica da Stratfor diz no email, entre outras coisas, que ?A Marinha brasileira é uma m***. É uma piada, e eu sei porque eu falo com os militares do consulado o tempo inteiro a respeito disso. A tentativa deles de adquirir um submarino nuclear não faz sentido algum?. Além disso, o executivo sugere que o presidente Lula teria recebino algum tipo de propina para escolher os caças franceses. ?O fato de que eles querem o Rafale e o Gripen é uma piada. O F-18 é o melhor equipamento. Se você compra o Gripen, você é uma Eslováquia. A compra dos submarinos é tão estúpida que deve ter alguma compensação por trás. Lula provavelmente está procurando um dinheiro para sua aposentadoria. O nosso Departamento de Tesouro é contra oferecer propinas, o que não nos permite fazer grandes negócios num lugar corrupto como o Brasil?.

Em outros documentos de menor repercussão, o Brasil é citado como vulnerável a ataques terroristas, e vital para conter o avanço do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Relembrar é viver.
 
 
 
 
Fonte: MundoBit

 
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