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ASTROTURFING: GUERRA SUJA NA INTERNET

06/06/2012

Nas últimas semanas, um termo alcançou importante dimensão no cenário político nacional, sinalizando que o debate, sobre se os fluxos informativos na Web podem ser direcionados ou não, veio para ficar. O termo em voga é o Astroturfing.

A nomenclatura Astroturfing, utilizada por uma parcela ínfima de cientistas, deve cair na ?boca do povo? e acirrar as discussões sobre se realmente tudo que se lê no Twitter, por exemplo, é produzido por um ser humano.

O acalorado debate sobre o uso da estratégia, nada honesta, deve-se a matéria veiculada numa grande revista semanal  de circulação nacional, que acusou um determinado partido político de utilizar robôs e militantes travestidos de usuários ?comuns? na rede social Twitter para construir uma imagem negativa da publicação na rede social. O partido nega com veemência, diz que os fluxos foram espontâneos.  A revista aponta os perfis, afirmando que os mesmos foram utilizados para tal fim.

A origem do termo
Mas o que é um astroturfing? Astroturfing é um termo derivado da palavra inglesa ?astroturf?, que significa grama artificial. Podemos dizer, interpretando grosseiramente, que é algo que parece, mas não é.  Criado pelo, então, senador estadunidense Lloyd Bentsen, em 1985, o termo surgiu na mente do político porque ele recebia inúmeras cartas sobre questões envolvendo o debate sobre empresas de seguro. Bensten percebeu que grande parte das cartas não era escrita pelos eleitores e, sim, pelos interessados no tema: as empresas de seguro.

No marketing,  Astroturfing é utilizado quando é necessário criar artificialmente um ?buzz? com a finalidade de promover um determinado produto, serviço e políticos ou causas políticas.  Nesse campo, o político, o uso da estratégia é mais do que comum, pois o debate é sempre muito acalorado, sendo o combustível principal para propagação de informações.

A questão do anonimato na Internet, que defendo para a garantia da liberdade de expressão na Internet, favorece a criação de perfis falsos com o intuito de construir uma impressão, mas falsa, de enorme apoio a uma causa, produto ou marca.

Entretanto, o uso da estratégia que utilizam sistemas para obter e usufruir de benefícios ilícitos, coloca em risco a Web como um lugar interessante para se obter informações de forma gratuita. Não são poucas as tentativas para ditar fluxos informativos na internet, seja de cunho comercial ou político. A cada avanço tecnológico, novos sistemas são produzidos para tal fim.

Neofluxo tenta entender o fluxo informativo
Mas como saber realmente saber se existem astroturfings e como eles tentam criar fluxo na internet? Essa resposta não é simples e somente aparecerá através do uso de sistemas específicos e metodologias preparadas para tal fim. No Brasil, o projeto Neofluxo (www.neofluxo.net), apoiado pelo CNPq, possui o objetivo principal de identificar o comportamento do fluxo informacional nas redes sociais durante o processo eleitoral majoritário no Brasil, em 2010. Ele também deseja identificar os astroturfings brasileiros. Para isso, oO projeto armazenou mais de 20,2 milhões de menções aos candidatos e palavras-chave.

Para isso foi elaborado um programa  capaz de rastrear participações de usuários do Twitter segundo palavras-chave, coletando-as e armazenando-as em banco de dados. Também foram gravados dados das redes sociais oficiais dos candidatos José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva, com o propósito de identificar, por intermédio desses pontos de partida, os fluxos informativos desembocados no Twitter.

Agora, o projeto está aplicando uma metodologia construída para conhecer como os astroturfings se movimentaram na teia da internet e quais foram os seus principais objetivos. Os primeiros resultados desse trabalho, que revela o uso das redes sociais pelos políticos nas eleições de 2010, estão no artigo NEOFLUXO: Jornalismo, base de dados e a construção da esfera pública interconectada. Até o final de julho de 2012, os pesquisadores terão os dados que mostram como os astroturfings brasileiros agiram na eleição presidencial passada.
 
 
 
 
Fonte: IdgNow

 
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