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CONTRATAÇÃO A DISTÂNCIA: UMA TENDÊNCIA ENTRE EMPRESAS

31/05/2012

A engenheira civil Flavia Arranz conseguiu entrar em um dos programas de trainee mais disputados do país com a ajuda do Skype. Até a terceira fase da seleção, ela sequer tinha conhecido alguém da companhia ao vivo e nem ao menos falado ao telefone com os recrutadores. Todo o processo de seleção, desde a inscrição para a vaga até a entrevista em inglês, foi feito virtualmente.

A engenheira recém-formada se cadastrou pelo site da companhia, fez provas online e recebeu por email uma confirmação de que havia passado nos testes. No mesmo email, a empresa pedia para que ela adicionasse aos seus contatos do Skype um novo perfil. Em pouco tempo, o contato enviou uma mensagem offline pelo próprio programa com mais informações. No dia e hora marcados, ela ficou online e fez uma entrevista de cerca de 15 minutos com uma das psicólogas da empresa.

"No email eles também me informaram o tipo de conexão que eu precisaria para não ter problemas na videoconferência e pediram para que eu estivesse com uma câmera e microfone instalados no computador. Fiz a entrevista da minha faculdade mesmo", comenta.

Após a primeira conferência, Flavia recebeu um novo email dizendo que ela havia passado para a próxima fase e que, agora, faria uma entrevista em inglês, também pelo Skype. Desta vez, a webcam do recrutador estava desligada e ela ficou um pouco mais nervosa com a situação.  "Eu me senti menos segura, porque não estava vendo as reações da pessoa. Eu acho que se estivesse cara a cara com o entrevistador sairia melhor", diz.

Apesar da insegurança inicial, ela se deu bem na entrevista e conseguiu chegar ao final do processo, onde foi, finalmente, recebida ao vivo pelos executivos da companhia. "Eu achei ótimo fazer tudo online, pois foi bem rápido e eu não perdi tempo me deslocando. Em dois dias fiz duas entrevistas que me levaram para a última fase do processo", lembra.

Recrutamentos como o de Flávia estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia. Uma pesquisa feita pela Right Management com mais de 2 mil recrutadores em 17 países, inclusive o Brasil, mostra que apenas 15% deles usavam vídeos e webcams para conversar com candidatos a uma vaga de emprego em 2010. Mas, este número deverá aumentar muito até 2015. A projeção é que, daqui três anos, 49% das empresas usem este tipo de tecnologia nos processos de seleção.

"Há uma redução de custo muito grande quando adotamos o recrutamento a distância. Os executivos não precisam gastar com transporte, estadia e alimentação para ir a outras cidades para conhecer os candidatos", afirma a psicóloga e recrutadora Jozete Costa Bezerra, Coordenadora de Consultoria da Ricardo Xavier Recursos Humanos.

Já de acordo com Tato Athanase, gerente de RH da SAS para o cone sul, a otimização de tempo é a principal qualidade na adoção do recrutamento via videoconferência. "Nossas entrevistas têm no mínimo uma hora, e os candidatos conversam com diversas pessoas da área, portanto, a entrevista virtual otimiza nosso tempo de deslocamento e nos permite aproveitar mais o momento da conversa. Investimos muito na entrevista porque a contratação é como um casamento", explica.

Jozete tem utilizado, de ínício, o telefone para recrutar candidatos e, após uma pré-seleção, usa o Skype para realizar as entrevistas mais elaboradas. Durante este bate-papo, ela observa tudo do candidato, desde a postura até a roupa. Além disso, como se trata de algo menos íntimo, ela costuma ir mais fundo nas perguntas para tentar captar ao máximo a essência do possível funcionário. Assim como no caso acima, Jozete não dispensa uma entrevista presencial, porém, nesta fase restam apenas 3 a 5 candidatos, que vão falar diretamente com os responsáveis pela vaga. "O presencial é sempre melhor para o recrutador, porque nos sentimos mais seguros nas escolhas, mas é possível fazer a triagem de longe", comenta. 

No caso de Tato, é comum eles levarem os candidatos a vagas internacionais para o escritório da empresa localizado em São Paulo, onde o possível funcionário terá contato com todos os executivos estrangeiros com quem irá trabalhar. "Não descartamos totalmente a ideia de contratar alguém que conhecemos apenas virtualmente, mas o encontro presencial é um recurso a mais e quanto mais recursos tivermos, maior a chance de acertar na contratação", ressalta o gerente.

Na Ricardo Xavier, eles também fazem videconferência com mais de um candidato, já que, de acordo com Jozete, em grupo é mais fácil perceber a individualidade de cada um. Ela tem diversos casos de sucesso na candidatura virtual como a contratação de um diretor de uma grande empresa de Salvador, que foi selecionado virtualmente e permanece muito bem na empresa. Mas, ela ressalta que ainda não contratou ninguém que não tenha visto pessoalmente pelo menos uma vez na vida. O mínimo de contato físico é essencial, diz a psicóloga.


Bye bye

Se por um lado a contratação a distância tem funcionado muito bem, por outro, a demissão virtual não é bem vista por nenhuma das partes, seja pelas consultorias de RH como pelos funcionários e as próprias empresas.

No filme "Amor sem Escalas", por exemplo, estrelado por George Clooney, o ator faz o papel de um executivo contratado apenas para demitir as pessoas. No longa metragem, ele viajava dezenas de vezes por mês para fazer demissões em massa em diversas companhias. Sempre presencialmente. No entanto, a chegada de uma garota mais nova no time de Clooney fez com que a empresa especializada em demissões em massa passasse a demitir os funcionários via videoconferência.


"Temos um projeto para ajudar uma empresa que precisa demitir um grande número de pessoas. No dia do desligamento, um executivo da empresa dá o aviso e, a partir daí, a consultoria entra para dar o apoio neste momento difícil", conta Jozete. "Não é exatamente igual ao filme, mas é parecido, pois também estamos presentes no dia para ajudar os profissionais a fazer esta transição e se reposicionar no mercado", completa.

No entanto, diferente do filme, este tipo de trabalho não acontece virtualmente e nem pretende se tornar tão impessoal na vida real. Para Jozete, a demissão por telefone ou qualquer outro meio é falta de respeito e gera um trauma na vida da pessoa. O intuito deste serviço, então, é mostrar que é possível recomeçar em outro lugar, além de mostrar para os profissionais o que o mercado espera deles. 

"O desligamento de uma empresa é igual um término de relacionamento amoroso e sempre dói muito. Por isso, temos que estar ali presencialmente fazendo o que chamamos de ´remonte´, ou seja, reconstruindo o que foi desmoronado dentro da pessoa. A gente dá seminários, refaz currículos e busca empresas para que eles sejam recolocados", finaliza.

Se você está procurando emprego, Athanase dá algumas dicas. Segundo ele, mesmo que seu contato inicial com o empregador seja virtual, é preciso se preparar como se estivesse cara a cara com o entrevistador. "A pessoa deve fazer a mesma lição de casa para um encontro via videoconferência como conhecer a empresa e se apresentar adequadamente. Mesmo na tela do computador é possível perceber a linguagem corporal do candidato e suas habilidades. Se o recrutador fizer as perguntas corretas, ele terá total condição de fazer uma boa escolha", finaliza.

 
Fonte: Olhar Digital

 
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