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ADESÃO AOS TABLETS EXPLICA ARRANCADA FINANCEIRA DA APPLE

15/08/2011

A Apple ter se tornado a companhia mais valiosa do mundo representa um marco. Há 14 anos, com dificuldades de caixa e sem a confiança do mercado, a empresa recorreu à inimiga Microsoft em busca de um investimento de US$ 150 milhões.

Agora, com o desconto devido para as vicissitudes que podem abalar Wall Street, o valor de mercado em ações da Apple ultrapassou o da ExxonMobil. Uma empresa que valia só US$ 1,7 bilhão quando Jobs voltou ao seu comando, em 1997, agora vale mais de US$ 335 bilhões.

Desde que as Bolsas não entrem em completo colapso, há motivos para acreditar que a Apple supere os US$ 400 bilhões em valor de mercado, para perto dos US$ 500 bilhões que a Microsoft alcançou por algum tempo na bolha de tecnologia passada.

Como demonstraram os mais recentes resultados da Apple, sobretudo um produto, o iPad, provou ter mais que um brilho passageiro.

No fim deste ano, o iPad já estará propiciando mais lucros à empresa que os computadores Mac tradicionais. Em 2012, deve superá-los também em faturamento.

Uma empresa com vendas superiores a US$ 100 bilhões não poderá continuar crescendo 70% ao ano por muito tempo, mas um propulsor como o iPad decerto ajuda.

Os argumentos otimistas se baseiam em o iPad rapidamente se tornar parte essencial da paisagem da computação. Segundo o Credit Suisse, tablets responderão por 40% do volume de vendas de computadores em 2015, o que significará um mercado de US$ 120 bilhões, do qual a Apple pode deter até 50%.

Enquanto a pequena parcela da Apple no mercado de computadores aprisionava a companhia no extremo mais caro da estrutura de preços, nos tablets ela se tornou líder com custos baixos.

O mais importante é que o modelo de negócios verticalmente integrado que a Apple refinou ao longo de diversas gerações de iPods e iPhones lhe propicia vantagem clara em relação aos concorrentes na obtenção de adesões a novas tecnologias como o tablet.

NA NUVEM

A Apple agora está firmando e estendendo sua plataforma de hardware, com o serviço iCloud, anunciado por Jobs e que será lançado ainda neste ano.

Se você deseja que suas informações e seus arquivos de mídia sejam distribuídos a todos os seus aparelhos, terá de continuar na Apple e comprar mais de seus produtos.

Muita coisa pode dar errado, é claro. Continua a existir a probabilidade de que os tablets se provem menos importantes do que os analistas mais otimistas acreditam.

Os concorrentes podem reagir melhor. Evidentemente a saúde de Jobs, que continua afastado da empresa em licença médica, também é uma preocupação séria.
 
 
 
 
Fonte: Folha

 
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