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USABILIDADE, CRITÉRIO BRASIL ?Y OTRAS COSITAS MÁS?

11/07/2011

Outro dia, em uma palestra, uma pessoa da audiência perguntou como fazer para recrutar pessoas para um Teste de Usabilidade.

Para aqueles que nunca ouviram falar desse teste, trata-se de um teste de produto, onde o produto é uma interface interativa, seja ela com finalidade de entretenimento ou de execução de tarefa. Nesse teste, o entrevistado deve representar um membro do público-alvo e executar uma ou mais tarefas. O que a gente observa é se a interface permite que ele faça o que deseja ou precisa fazer, ou se ela atrapalha.

Pois bem, o rapaz perguntava como ter certeza de que a pessoa era alguém que realmente representava o target.

Inevitável surgirem comentários de todas as partes sobre coisas e casos que eles haviam vivido em recrutamentos, daí a razão da pergunta. Contaram que já haviam sido abordados e instruídos a fingir que pertenciam a uma determinada classe social e ter um determinado comportamento, assim como contaram que os recrutadores mandaram pessoas que não representavam o que eles precisavam para realizar o teste.

Não fiquei chocada, nem espantada. Raramente contrato recrutadores profissionais. Prefiro colocar uma pessoa da minha equipe para fazer o trabalho, mas ter certeza de que vamos cercar todas as possibilidades e trazer quem representa o público alvo.

Confesso que não uso o critério Brasil e suas perguntas para classificar o sujeito em uma determinada classe social. Acho que o critério é bom para guiar e uniformizar a conversa, mas tem falhas estruturais sérias e isso me incomoda. No critério pergunta-se sobre número de aparelhos de TV e rádio, mas não sobre IPods e seus congêneres, tablets e computadores. No caso de computadores, eu ainda seria mais específica: torre, lap top ou outro modelo? Isso sem falar nos consoles de games.

Porém, ainda que essas perguntas estejam no filtro, elas só nos permitem saber se o usuário tem ou não tem o equipamento. Cada vez menos continuam sendo indicadores de Classe Social. Minha experiência de campo mostra que pessoas de todas as classes sociais têm escolhido ter ou não consoles de games, e que o pessoal de Classe C e D tem laptop sim senhor. Novinho!!! Então, ter objetos não serve mais como critério, nem mesmo combinado com renda, pois a renda também não diz a Classe Social.

Um jovem de Classe A, pai e mãe com renda superior a vinte mil reais cada um, entra no mercado de trabalho ganhando dois mil e poucos reais. Se, por acaso, esse jovem resolver morar sozinho (ou sozinha), a que Classe Social ele vai pertencer? Os hábitos de consumo dele serão condizentes com A ou C?

Idade e sexo também já não significam nada. Conheço mulheres com mais de 50 anos de idade que se vestem como as filhas de 20, e jovens que são conservadoras no modo de vestir.

Digo isso por que, no frigir dos ovos, o que importa é como o sujeito compra o que compra. Crédito fácil e motivação de sobra mudam tudo. Já vi pessoas de Classe C, morando na favela, com laptop, computador de torre, acesso à Internet via rádio e PlayStation para a garotada. Todos com celular último tipo. Sim, havia banheiro, luz elétrica, TV e nenhum rádio. Também já vi muita gente pegando avião pela primeira vez, indo viajar por lazer, não para rever a família que mora longe.

E aí a gente volta para o início desse artigo, como recrutar pessoas para realizar essas pesquisas? Usar ou não usar o critério Brasil? E se resolver usar, como fazer?

Minha reposta é: além de fazer todas as perguntas relacionadas ao critério, acrescente perguntas relacionadas a consumo de informática Conheça a vida digital do público e vá à casa do sujeito. Conheça seu público. O conforto da sua casa ou escritório não dão a dimensão da diversidade de consumo que existe por aí.
 
 
 
 
Fonte: IdGNow

 
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