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COMUNICAÇÃO SEM FIO NA MIRA DOS BANCOS

14/06/2011

Oœfenômeno da bancarização no País aumentou a demanda por novos serviços e agências bancárias em regiões cada vez mais remotas. Se o lado positivo do cenário é incontestável, a situação revela um dos maiores problemas brasileiros quando o assunto é infraestrutura de telecomunicações. Segundo Gustavo Roxo, diretor de Tecnologia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e presidente da Ciab Febraban [Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras], essa questão é um dos grandes pontos contra a disponibilidade de sistemas bancários no Brasil. As agências têm poucas opções de conectividade e, muitas vezes, de qualidade muito aquém do que seria necessário.

O problema é ainda maior em agências remotas, em locais onde há somente uma empresa da área de telecomunicações operando na última milha, ou seja, oferecendo serviço direto ao cliente. Nesse caso, só restam realmente opções, como as comunicações sem fio - 3G. ?Como cada região tem suas próprias características, não existe um padrão comum em bancos. Mas o que se vê claramente é que todos têm essa preocupação.?

Embora seja apontada como opção, a baixa qualidade dos serviços em 3G prestados no País tem impactado a popularidade da tecnologia. Ela geralmente não é escalada para aplicações críticas ou mais complexas. Mas esse estigma, que também rondava a TecBan, foi superado. Hoje, o recurso proporciona alta disponibilidade a custos mais baixos, facilitando a gestão dos 44 mil caixas eletrônicos espalhados pelo País.

Especializada em tecnologia bancária, a TecBan começou a usar 3G para conectividade desse parque, com o objetivo de reduzir custos com conexões diretas. O desenho com a 3G servia parte dos 11 mil terminais eletrônicos da rede Banco24Horas. Cada um deles com um par de chips: um primário, da operadora escolhida para ser o principal, e um secundário, para conexão backup.

O grande desafio era saber quais operadoras ofereciam o sinal de melhor qualidade para determinada área. Segundo o gerente de Tecnologia e Telecom da TecBan, Fábio Napoli, os métodos eram muito limitados. ?Com o baixo desempenho que a conectividade 3G apresentava, a companhia chegou a pensar em desistir desse modelo?, lembra. Depois dessas avaliações, Napoli passou a gerenciar o desenvolvimento de uma tecnologia que permitisse aos técnicos testar as operadoras de forma mais automática e confiável, tomando decisões acertadas quanto às conexões que trariam o maior tempo de disponibilidade para as máquinas. O projeto foi batizado de Benchmarking 3G.

A ferramenta que faz a análise das conexões é uma solução de mercado, utilizada também por operadoras, mas customizada para a TecBan, que a contratou na modalidade de software como serviço (SaaS). O software utilizado foi o IxRAY, da empresa Swiss Mobility Solutions e a desenvolvedora para iPhone, a MyBusiness.

A maior inovação, no entanto, está no equipamento usado pelos técnicos: o iPhone. Ele foi escolhido em razão das suas características avançadas de busca de rede. O aparelho foi totalmente personalizado para ser usado somente para o serviço de identificação de redes, com o desenvolvimento de um aplicativo específico. ?E o dispositivo, fácil de usar, também tem mais apelo para os funcionários responsáveis pela medição?, ressalta Napoli.

Com o iPhone, os técnicos podem rodar uma bateria de testes no local, em cerca de cinco minutos. Os testes geram informações que são enviadas automaticamente para uma base de dados, via aplicativo web, criando rankings para cada área. Com base nessas informações, a empresa consegue configurar os roteadores das máquinas e enviar para o campo.

Segundo Napoli, a metodologia aumentou significativamente a confiabilidade da solução em 3G, que além de garantir mais agilidade na instalação de caixas eletrônicos, oferece um patamar de preço muito mais baixo do que outros tipos de conexão. ?Atualmente, 20% da base de caixas eletrônicos da Rede24Horas usa 3G, mas a expansão está apoiada nessa tecnologia. Tanto que 80% dos novos caixas são implementados com conexão 3G?, afirma. A empresa conta com 60 iPhones em operação.

?Conseguimos ampliar a disponibilidade da rede 3G de 80% para 99,5% e podemos contar com essa tecnologia que chega a ser 70% mais barata do que os links físicos?, conclui o executivo da TecBan.

Bancos devem pressionar operadoras Gustavo Roxo vê com bons olhos iniciativas criativas como a da TecBan, que aplicou o uso de inteligência tecnológica em locais com problemas de conectividade. ?A ideia é fantástica e pode ser estendida para o setor bancário como um todo, mas mesmo assim não deve haver acomodação quanto à qualidade do serviço.?

Roxo afirma que os bancos têm o papel de pressionar as empresas de telecomunicações por melhores serviços, uma vez que hoje a conta que vem das teles é alta, sem a contrapartida devida. Uma das experiências que tem bons resultados em outros países e em grandes cidades brasileiras é a WiMax, que se apresenta como uma tendência natural para o futuro.

?Isso só mostra que as redes baseadas em sistemas sem fi os serão muito mais importantes, no médio prazo, do que as conexões cabeadas, sendo protagonistas da expansão do sistema bancário brasileiro?, completa.
 
 
 
Fonte: Computerworld

 
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