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GOVERNO USA FOXCONN PARA ATRAIR A INDÚSTRIA DE DISPLAYS AO BRASIL

02/06/2011

 

O governo publicou hoje (1º /06), as regras para a fabricação dos tablets no Brasil. O Processo Produtivo Básico (PPB), como são conhecidas essas regras - definem prazos para as empresas nacionalizarem a produção. Pela portaria publicada pelo governo, ficou clara a intenção de usar a Foxconn para obrigar os demais fabricantes a fazerem novos investimentos iguais dentro do país.

A indústria local não poderá reclamar que o governo não deu um prazo suficiente para que tomem a sua decisão. Antes dos próximos três anos todos estarão concorrendo em pé de igualdade nas vendas dentro do Brasil.

Será a partir de 31 de dezembro de 2013 que a coisa mudará de figura. O diferencial começará a surgir na questão da nacionalização dos displays, as telas que irão compor os tablets vendidos no Brasil.

Na portaria de hoje, o governo definiu que até 31 de dezembro de 2013 as empresas estão dispensadas de montarem no Brasil as telas desses equipamentos, sejam de cristal líquido, plasma ou "outras tecnologias". Inclusive "com a estrutura de fixação e com dispositivo sensível ao toque".

Porém, a partir de janeiro de 2014, as empresas começarão a internar parte da produção dessas telas, num percentual mínimo de 50%. Baseado nesta decisão, deduz-se duas questões fundamentais para o Brasil.

A primeira é que a nova fábrica da Foxconn prometida ao governo durante a viagem da presidenta Dilma Rousseff á China, não será voltada simplesmente para a montagem dos tablets da Apple. Ela também terá uma unidade de fabricação de displays. Até agora a Foxconn foi única empresa que já anunciou ao governo que irá ´produzir´ esse componente no Brasil.

Os chineses já declararam ao governo que têm intenção de iniciar as operações no Brasil no segundo semestre deste ano. Como agora o prazo fixado para a nacionalização de parte da produção das telas ficou para o final de 2013, há tempo suficiente tanto para os chineses ajustarem seu cronograma, quanto para  os seus concorrentes decidirem o que fazer com a produção desse componente - fundamental ao tablet - no Brasil.

Ao todo 11 empresas pediram ao MCT credenciamento para recebimento do PPB para montagem de tablets. Só que pela regra anunciada hoje pelo governo, em janeiro de 2014 elas terão que também começar a internar no mínimo 50% da produção das telas no Brasil.

Isso significa que, aqueles que não iniciarem até lá a produção de pelo menos 50% das telas, serão obrigados a comprar diretamente da fábrica brasileira da Foxconn a metade desses componentes para a montagens dos seus tablets.

A outra alternativa seria terceirizar para a fanbricante chinesa a sua produção, ou importar o equipamento completo. Só que pagando muito mais caro os impostos, porque perderão todos os incentivos fiscais previstos para esse tipo de equipamento.

O problema é ainda maior, porque o governo deixou uma porta aberta para revisar - se quiser para cima - esse percentual de 50% de produção local das telas para os tablets. No parágrafo 5º da portaria, o governo informa que: "O prazo concedido (...) poderá ser reavaliado, buscando-se compatibilizar o Processo Produtivo Básico com a efetiva oferta nacional e a política governamental de apoio e atração de indústrias de componentes no País".

Para bom entendedor, o governo avisa que só irá esperar que a Foxconn informe que já está capacitada a atender toda a demanda nacional por telas sensíveis ao toque para serem introduzidas nesses equipamentos, para elevar ainda mais o percentual do índice de nacionalização.

Neste caso, se nenhum concorrente se movimentar, a Apple sairá ganhando em preço no mercado local, porque apostou num modelo de negócio que privilegia a nacionalização do equipamentol. Não trouxe apenas uma mera montadora de tablets. E terá possibilidade de também vender seus equipamentos em todos os países parceiros do Mercosul em condições de preços bem mais favoráveis do que os praticados pelos seus concorrentes.


 
Fonte: Convergencia Digital

 
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