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INOVAÇÃO NO BRASIL: SOBRAM DIAGNÓSTICOS, FALTA EXECUÇÃO

18/05/2011

Os instrumentos de incentivo ficaram obsoletos, os entraves do Brasil são imensos e a competição se dá em nível global. Não faltam diagnósticos sobre as dificuldades do país em construir um setor produtivo nacional em telecomunicações ? ou, ainda, em eletrônicos ? e eles foram fartamente explorados durante um dia inteiro de debates na Anatel. Mas enquanto sobram diagnósticos, falta execução.

?Desde 1991 participo de fóruns com essa mesma discussão. O Brasil é rico em diagnósticos, mas não temos uma estratégia. Ficamos procurando respostas para as perguntas, quando deveríamos estar buscando soluções para os problemas. E solução implica em execução. Mas não partimos para essa execução?, conclui o cientista chefe do C.E.S.A.R ? Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, Silvio Meira.

De fato, os participantes dos painéis promovidos pela Anatel e pelo Ipea, nesta terça-feira, 17/05, foram excelentes em demonstrar as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para encontrar um lugar ao sol diante da competição com produtos chineses, especialmente no setor de eletrônicos ? base da tecnologia empregada nas telecomunicações.

Não são dificuldades triviais, a começar pelo câmbio, passando pela escala global dos equipamentos e pelos tradicionais entraves batizados de Custo Brasil ? burocracia, impostos, infraestrutura precária, etc. Como sentenciou o presidente da Nokia Siemens no país, Aluizio Byrro, ?não vale a pena produzir no Brasil?.

Para o professor Silvio Meira, no entanto, o principal problema está mesmo na incapacidade do país em definir o que quer. ?Qual a estratégia? Onde queremos estar em 15, 20 anos? Precisamos escolher um caminho e fazer. E isso não é uma novidade para nós. Fizemos isso quando decidimos erradicar a pólio. Fizemos isso quando resolvemos dar um tratamento sério à questão da Aids. Fizemos isso quando inventamos a Embraer?, sustenta.

As discussões sobre as políticas de incentivo passam pela adoção, pela Anatel, de instrumentos semelhantes ao de dar preferência à tecnologia desenvolvida no país nas compras de equipamentos pelas teles. A operacionalização disso pode ser complexa ? como obrigar o setor privado a adotarem esse procedimento.

Ainda assim, é um tema relevante. Embora Meira acredite que mais importante é a definição de encomendas estratégicas ? como foi feito nos exemplos sobre a pólio, a Aids ou a Embraer. ?Precisamos encomendar estrategicamente o conhecimento que precisamos para competir em cinco ou dez anos. Mas isso exige envolvimento, tem que ser um Problema Nacional?, avalia. Do contrário, o resultado já pode ser conhecido de antemão. ?Daqui 10 anos estaremos reunidos mais uma vez em um fórum para discutir exatamente os mesmos temas que foram colocados aqui?, completou o cientista.


 
 
Fonte: Convergencia Digital

 
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