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O FLICKR SURGIU COMO UM SITE DE GAMES ON-LINE, DIZ FUNDADOR DO SERVIÇO

25/04/2011

"Oi, tudo bem?" Foi assim, em português, que Stewart Butterfield, um dos fundadores do Flickr e ex-gerente de produtos do Yahoo!, começou a conversa com a Folha, via Skype. "Mas meu português, infelizmente, só vai até aí. Como americano, é minha maior vergonha, não falo outras línguas", completou, desta vez em seu idioma, o inglês.

Ele largou o Flickr, que nasceu como uma empresa de games, e o Yahoo!, para investir em outra empresa, fundada por ele próprio em 2009, chamada Tiny Speck, especializada em games on-line. A companhia anunciou no último dia 12 que levantou US$ 10,7 milhões para o lançamento de seu primeiro jogo, batizado de Glitch.

Confira os principais trechos da entrevista:

*

Folha - Você pode falar um pouco sobre a Tiny Speck? É uma empresa apenas de games on-line ou games sociais? Os jogos poderão ser executados em redes sociais, com o Facebook?

Stewart Butterfield - Nós estamos fazendo um game na nuvem chamado Glitch. É similar em vários aspectos ao que chamamos de games sociais, mas também é muito diferente. Glitch não será jogável a partir do Facebook. É um game social, mas no sentido de compartilhar a experiência com amigos, não necessariamente ser jogado em alguma rede social.

É verdade que o próprio Flickr começou como uma empresa de games? Como ele se tornou um site de compartilhamento de imagens?

Sim, é verdade. Nós queríamos fazer algo similar ao Glitch quando começamos o Flickr em 2002. Mas era também uma ideia muito diferente: a tecnologia mudou bastante em nove anos.
Nós nos tornamos um site de compartilhamento de fotos porque era algo que podíamos completar e executar mais facilmente.

Era extremamente difícil levantar dinheiro naqueles dias, e nós simplesmente não tínhamos grana suficiente para terminar o jogo. Pensamos que podíamos fazer algo legal com a tecnologia existente e talvez até vender para conseguir o dinheiro necessário para o jogo. E aqui estamos [risos].

O que é o Glitch?

Primeiro de tudo, o Glitch se passa em um mundo compartilhado.

A maioria dos games sociais são várias cópias de jogos de um jogador só, onde você pode se comunicar com seus amigos e trocar itens, presentes, mas vocês de fato não jogam juntos.
Em contraste, no Glitch, o mundo é compartilhado e evolui, muda, mesmo quando você está dormindo. Ele pode mudar permanentemente.

Há outros jogos parecidos, como os RPGs on-line (Ragnarok, Ultima Online, Priston Tale), mas Glitch não terá lutas ou violência.

Quanto a Tiny Speck arrecadou em financiamento para o Glitch até hoje?

Foram US$ 17,2 milhões no total, desde 2009.

Eu vi as imagens, são coloridas, quase infantis. O jogo é para crianças?

Não. Nós teremos uma idade mínima: 13 anos, e talvez um máximo de 16. Mas há pessoas de 20 a 30 anos testando também o game. Há até mesmo pessoas que amam o jogo próximas dos 70 anos de idade. Não há limite demográfico ou etário.

Parece muito "bonitinho" e tem um apelo com crianças, mas não pretendemos limitar o jogo. Há muitas maneiras de tornar o jogo atrativo para crianças e somente para elas, mas nós não queremos limitar.

Você ainda tem alguma ligação com o Flickr ou com o Yahoo!?

Eu deixei o Yahoo! e o Flickr em 2008. A Tiny Speck começou em 2009 e estou 100% nessa empresa. A ligação é que a minha companhia tem 22 funcionários e dez deles vieram do Flickr.

Quando Glitch será lançado? Vocês pretendem lançar outros jogos ou vão se concentrar em apenas um game?

Nesta semana o beta do Glitch está sendo liberado aos poucos para todos os países do mundo. Por agora, vamos focar no Glitch, mas nada impede que no futuro lancemos outros games com a mesma tecnologia.
 
 
 
 
 
Fonte: Folha

 
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