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PARA AMERICANOS, APAGÃO PODE TER SIDO SABOTAGEM; LEIA TELEGRAMA EM PORTUGUÊS

03/12/2010 01:00:00

Integrantes do governo brasileiro admitiram de maneira reservada a diplomatas dos EUA que o apagão elétrico de novembro de 2009 pode ter sido causado por "interesses do setor privado" americano com o objetivo de tentar "ganhar mais acesso comercial".

É o que informa um telegrama confidencial, vazado pelo WikiLeaks e lido com exclusividade pela Folha.
 

CONFIDENCIAL

Classificado por: Vice-Embaixadora Cherie Jackson

Em 10 de novembro às 22h13 o Brasil sofreu um apagão que mergulhou 18 de seus 27 Estados na escuridão por períodos que variaram entre 20 minutos e seis horas. O blecaute representou uma perda de 28 mil megawatts de eletricidade --ou seja, 45% do consumo brasileiro total naquele instante-- e deixou estimados 87 milhões de pessoas sem energia elétrica. O escrutínio vem sendo intenso e as especulações sobre o incidente vêm correndo soltas, em grande medida devido ao anúncio recente de que o Rio vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

O QUE O GOVERNO DETERMINOU ATÉ AGORA? 3. (C) Em 18 de novembro, o adido econômico se reuniu com Plinio de Oliveira, presidente do ONS, o órgão governamental responsável pela rede elétrica interligada do país, juntamente com Wilkens Geraldes Filho, diretor de Análise Estatística do ONS, e Elione Vierira de Araújo, uma engenheira de alto nível. Eles haviam passado boa parte da semana passada investigando o incidente e apresentando explicações sobre o que aconteceu. Geraldes e Oliveira se juntaram à conversa com atraso, após uma reunião de improviso com o diretor-geral do ONS para discutir o incidente. A equipe fez para o adido econômico a mesma apresentação que fez ao ministro da Energia, Edison Lobão, após o incidente. Em 20 de novembro o adido econômico se reuniu em separado com José Coimbra, chefe-de-gabinete do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Coimbra foi o funcionário do Ministério convocado para trabalhar no problema na noite de 10 de novembro e era quem carregava a responsabilidade geral pelo planejamento do setor elétrico.

Com base nessas discussões detalhadas, segue o governo agora afirma que aconteceu. A queda de eletricidade se originou em uma subestação próxima de São Paulo chamada Itaburi, na linha de transmissão Tijuco Preto, que abastece São Paulo e depois Rio de Janeiro com eletricidade da barragem de Itaipu (uma barragem hidrelétrica binacional na fronteira com o Paraguai, responsável por 12.600 MW de energia, ou seja, 20% do abastecimento de energia do Brasil. A matriz energética brasileira é fortemente dependente da hidroeletricidade 80%, sendo o restante uma combinação de termo, nuclear e alguma bioeletricidade.). Naquele ponto no sistema há três linhas de transmissão separadas que conectam Itaipu a São Paulo, carregando 765 kilovolts de 60HZ AC. Há uma linha de transmissão separada de Itaipu a São Paulo ao norte da linha de transmissão de Tijuco Preto, que carrega 50 HZ de energia DC. A região São Paulo/Rio também é ligada ao sul do país por linhas separadas, e também com o norte e nordeste, que também estão interligados. O consumo global diário do sistema é 60 GW, bem abaixo da capacidade total do sistema, 105 GW.

Às 22h13 ocorreu um curto-circuito em uma das três linhas de Itaburi, no que chamam de ciclo "B". 13,5 milésimos de segundo mais tarde, o ciclo "A" sofreu um curto-circuito na segunda linha. 3,2 milésimos de segundo depois, a subestação de Itaber deixou de funcionar, derrubando a terceira e última linha e interrompendo completamente o fluxo da linha de transmissão sul de Itaipu a São Paulo. Quando isso aconteceu, controles automatizados entraram em ação para preservar o sistema. Os geradores de Itaipu se desligaram quando detectaram a interrupção na transmissão, com isso também desligando a linha de abastecimento norte para São Paulo. Os sistemas interligados nas regiões nordeste e norte do país, ao detectar oscilação no fornecimento vindo de São Paulo, desligaram as linhas de transmissão para proteger essas regiões. Na região sul do país, que também fornecia eletricidade a São Paulo, as oscilações repentinas de frequência desencadearam o ERAC (um sistema de emergência no qual cada subestação monitora o equilíbrio entre o fornecimento e a carga), isolando a seção sul do restante da rede. Essas modificações preservaram o restante do sistema, permitindo um retorno rápido ao fornecimento de energia elétrica para a maior parte do país, mas deixaram os principais centros populacionais sem energia por até seis horas.

QUAIS FORAM OS FATORES QUE EXACERBARAM O EVENTO?

Geraldes descreveu os fatos de 10 de novembro como sendo incomuns, não em termos da interrupção do sistema mas da confluência de eventos que levou à escala catastrófica do apagão. Ele disse que um problema semelhante que deixou desligada a mesma linha tinha acontecido no passado, mas que o sistema estava operando de tal maneira que o fluxo foi redistribuído com poucas consequências negativas. No caso de 10 de novembro, os reservatórios estavam cheios devido às chuvas abundantes recentes, e as usinas termais, às quais se recorre com frequência para aumentar o fluxo, não estavam operando. O sistema interligado que permite que eletricidade de qualquer parte do país seja distribuída para qualquer outra parte estava exportando energia das hidrelétricas principais no sul do país para a região de São Paulo/Rio. De acordo com Geraldes, em casos anteriores a situação foi revertida, com fluxo exportado de São Paulo para o sul durante períodos com menos chuva, e os problemas tiveram efeito muito pequeno sobre o fornecimento elétrico geral.

Grudtner disse que os padrões internacionais geralmente pedem que um sistema tenha capacidade que permita operação desimpedida com uma linha de transmissão estando inoperante. No momento do incidente, o sistema brasileiro estava operando na capacidade de operações desimpedidas com duas linhas desligadas, mas o incidente derrubou as três linhas que alimentam São Paulo. Além disso, observou Coimbra, cada uma das linhas que foi derrubada leva dez segundos para se recuperar, mas os curto-circuitos ocorreram com diferença de tempo de milésimos de segundos, desabilitando o sistema de transmissão com desligamentos automáticos, antes das linhas terem tempo de se recuperar. Geraldes disse que foi a pior configuração possível de fatos que levou ao efeito em cascata.

Uma comissão governamental composta do ONS e da ANEEL, a agência brasileira reguladora da energia elétrica, está investigando exatamente o que aconteceu em 10 de novembro. A comissão tem prazo de 30 dias a partir de sua formação, em 13 de novembro, para redigir um relatório de suas constatações, incluindo possíveis recomendações. O governo irá então apresentar o relatório a um grupo independente de acadêmicos e especialistas não ligados ao governo, para ser revisto por eles. O governo finalizará o relatório após essa revisão. Na ausência de um relatório final, nem o ONS nem o MME (Ministério de Minas e Energia) ofereceram uma explicação definitiva das causas dos blecautes. Mas ambos afirmaram que os curtos-circuitos são condizentes ou com um raio (embora o ONS tenha feito questão de mostrar fotos de satélite mostrando que não havia tempestades na área naquele momento específico) ou com uma combinação de pressão barométrica baixa com ventos fortes e alto índice de umidade. O ONS também mostrou fotos de torres de transmissão apresentando descoloração visível, o que, segundo afirmou, representa evidência adicional em favor dessas duas teorias e exclui a possibilidade de danos causados por árvores, sabotagem física ou hackers. (Nota: O adido econômico não teve meios de verificar a localização das torres vistas nas fotos, o momento em que ocorreu a descoloração, nem a causa. Fim da nota.)

Oliveira e Geraldes ainda excluíram a possibilidade de ação de hackers porque, após algumas interferências reconhecidas como tais ocorridas nos últimos anos, o GOB restringiu o acesso ao sistema a um grupo pequeno de operadores autorizados, separou o sistema de controle da transmissão dos outros sistemas e instalou filtros. Coimbra confirmou que o sistema do ONS é uma rede CLAN que emprega seus próprios fios, estendidos acima dos fios elétricos. Oliveira observou que, mesmo que alguém tivesse conseguido ter acesso ao sistema, é preciso um comando de voz para interromper a transmissão. Coimbra disse que, embora os blecautes pudessem ter sido provocados por sabotagem, esse tipo de problema teria sido mortal, e investigadores teriam encontrado evidências físicas, incluindo o corpo do perpetrador. Ele também observou que quaisquer tentativas internas de interromper o sistema cometidas por funcionários do sistema teriam sido facilmente rastreáveis, fato que seria do conhecimento de qualquer pessoa com acesso ao sistema.

Para evitar grandes apagões futuros, disse Pires ao adido econômico do Rio, o governo brasileiro precisa diversificar suas fontes para que não se limitem a Itaipu, aumentando a geração de energia termoelétrica e não focando unicamente os custos de operação. Relatos da imprensa sugeriram que, para enfrentar as necessidades da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o GOB precisa modernizar suas linhas de transmissão e construir usinas elétricas em escala menor, independentes da rede nacional, mis próximas dos grandes centros de consumo, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Na reunião com o adido econômico de Brasília, funcionários do ONS foram unânimes em rejeitar as alegações de que a rede elétrica seria antiquada, observando que a rede atual foi modernizada após os blecautes de 2001 e hoje satisfaz ou supera os critérios de desempenho internacionais, abastecendo de energia cerca de 98% do país. Coimbra riu da sugestão de que a solução estaria na construção de mais usinas térmicas, não apenas porque há usinas térmicas já existentes que não estão sendo utilizadas devido aos altos custos da geração elétrica mas também porque, mesmo que elas tivessem estado em uso, as usinas térmicas teriam precisado ser carregadas por 12-13 horas após um apagão. Itaipu voltou a funcionar com sua capacidade plena menos de 30 minutos após a interrupção.

Dois dias após o incidente, de acordo com uma fonte digna de crédito, autoridades de segurança no Brasil estavam atribuindo a queda de energia a "erro humano" por parte de um brasileiro que era operador do sistema. De acordo com a fonte, o operador estava sendo investigado. A fonte está indisponível para fazer mais comentários sobre a possibilidade de novas avaliações terem modificado essa hipótese, e o status atual dessa investigação em particular é desconhecido. Também houve especulações reservadas em pelo menos uma conversa entre alguns funcionários governamentais, aparentemente baseadas em parte em um programa "60 Minutes" exibido por coincidência alguns dias antes e que sugeria que houvesse vulnerabilidades no sistema brasileiro, que interesses do setor privado dos EUA pudessem ter arquitetado os blecautes visando conseguir melhor acesso comercial à rede elétrica.

MEDIDAS INTERINAS PARA PREVENIR INCIDENTES DE SEGURANÇA E BLECAUTES

Geraldes reconheceu que os holofotes voltados para os Jogos Olímpicos submetem o sistema a um escrutínio maior. O ONS possui um protocolo para proteger contra quedas de fornecimento elétrico e que já foi utilizado durante eventos especiais como os Jogos Panamericanos em 2007 e será usado em eventos futuros, incluindo a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O protocolo inclui a operação de todas as usinas térmicas, muitas das quais se localizam perto de grandes cidades, incluindo o Rio, durante o evento, para minimizar a possibilidade de quedas de eletricidade e para garantir que os padrões regulares de transmissão sejam mantidos, assegurando a consistência de um fluxo normal. Geraldes reconheceu que a segurança física real é uma prioridade baixa sob esse protocolo e disse que não são feitos planos especiais, mesmo durante eventos. Como ele disse, "esta tem sido uma preocupação menor para nós que para vocês". Contudo, ele concordou que pode haver um foco maior sobre a segurança física no período que antecede as Olimpíadas, particularmente depois de este incidente ter chamado a atenção para possíveis pontos fracos do sistema.

A visão do MME foi um tanto quanto diferente. Coimbra observou que "não estamos imunes aos tipos de ameaças que vocês têm visto nos últimos anos". Existe no gabinete do presidente Lula um grupo conhecido como Gabinete de Segurança da Infraestrutura (GSI) que está analisando a segurança da infraestrutura. Coimbra recordou que eles foram os primeiros a procurá-lo após o incidente. Grudtner foi encarregado de liderar o esforço de segurança física do próprio Ministério e disse que o grupo de trabalho do MME está no processo de definir quais instalações são mais cruciais para o sistema e constituem motivo maior de preocupação, logo, mais precisam de proteção física.

Representantes do ONS disseram ao adido econômico que também há um processo intensivo em andamento na Empresa de Pesquisa Energética, EPE, para desenvolver recomendações sobre como evitar problemas de apagões no futuro. Uma medida imediata tomada pelo Brasil para prevenir uma repetição do fato durante o período da investigação é reduzir o volume de fluxo em qualquer direção dada para reduzir a pressão sobre o sistema _mas um subproduto da medida é o aumento da dependência das usinas térmicas, mais caras, fato que eleva o preço da eletricidade. Outra opção de prazo mais longo que está sob consideração seria a construção de equipamentos de transmissão mais novos, maiores e, portanto, mais fortes; seria uma opção cara, e os contatos do ONS deram a entender que a hipótese altamente improvável de se repetir o blecaute de 10 de novembro não justificaria esse custo. O ONS mostrou o plano quinquenal de energia do país, que prevê aumentos importantes na demanda energética, a serem atendidos em grande medida, no curto prazo, com novas hidrelétricas e aumentos nas usinas elétricas movidas a óleo. Embora as projeções indiquem que haverá energia suficiente para atender à demanda, Geraldes avisou que a situação pode mudar se ocorrerem atrasos imprevistos na conclusão da hidrelétrica de Belo Monte, prevista para entrar em operação em abril de 2014, alguns meses antes da Copa do Mundo.

Embora Coimbra, do MME, não tenha oferecido sugestões de possíveis recomendações tecnológicas após esse evento, ele disse que uma área que o GOB poderia focar em um exercício do tipo "lições aprendidas" seria a melhora das comunicações com o público durante ocorrências como essa, e também antes de manutenções programadas que possam causar apagões temporários. Ele ficou interessado em saber mais sobre o sistema de Transmissões (de rádio e televisão) de Emergência americano como uma maneira possível de enfrentar esse desafio. O adido econômico se comprometeu a pesquisar o programa americano e enviar informações para ver se uma cooperação nessa área seria viável.

Tanto o MME quanto o ONS estavam ansiosos para contextualizar o apagão de 10 de novembro. O ONS ofereceu um slide mostrando outros apagões internacionais comparáveis ocorridos nos últimos 30 anos, incluindo o blecaute de quatro dias que atingiu a Costa Leste dos EUA em 2003, detalhando a extensão e duração dos blecautes; o blecaute brasileiro saiu favorecido na comparação. Coimbra disse ao adido econômico que uma associação americana de engenharia enviou uma carta oficial parabenizando o Centro de Pesquisas Elétricas, CEPAL, pela recuperação rápida do sistema e convidando a entidade a participar de uma conferência nos EUA no início do próximo ano para compartilhar suas experiências. Tanto o ONS quanto o MME destacam a rapidez com que a maior parte do sistema voltou a funcionar (a maioria das áreas afetadas sofreu apagões de 20 minutos; o apagão mais longo foi de seis horas, em São Paulo). Como disse Grudtner, o setor elétrico ficou satisfeito porque o sistema funcionou como deveria e voltou com relativa rapidez, mas os políticos não estão satisfeitos. Enquanto isso, ele observou em tom irônico, a imprensa fica satisfeita por ter material para suas matérias. O Congresso pediu sessões de discussão sobre o incidente, que tiveram que ser adiadas porque especialistas estavam viajando à área numa missão investigatória para concluir o relatório da investigação.

COMENTÁRIO: NOTÁVEL ABERTURA A DIÁLOGO COM O USG

As autoridades brasileiras se mostraram notavelmente abertas a discutir o incidente com funcionários da Embaixada, não adotaram postura defensiva ao responder a perguntas e foram francas em suas informações e avaliações. A disposição do presidente do ONS e do chefe-de-gabinete do MME em reunir-se conosco para discutir uma questão tão técnica e em fornecer informações detalhadas à Embaixada demonstra a importância que eles atribuem a assegurar que o USG entenda o blecaute e a capacidade do Brasil de fazer frente a eventos importantes no futuro. Os apagões não são incomuns no Brasil (na realidade o Rio sofreu outro apagão em 23 de novembro que foi atribuído a interrupções na transmissão, possivelmente devidas ao roubo de cabos). Contudo, a escala do apagão de 10 de novembro, que atraiu atenção internacional indesejada, pode levar o Brasil a buscar soluções duradouras a pontos de debilidade em seu abastecimento elétrico e ameaças a ele. Com o início de um importante ano eleitoral, o GOB provavelmente vai querer mostrar que está tomando medidas para reconstruir a confiança pública. À luz da abertura manifestada por funcionários do GOB para discutir esse fato, somada ao desejo de demonstrar avanços em fazer frente ao problema, o USG tem uma oportunidade de trabalhar com o GOB enquanto este busca aperfeiçoamentos possíveis que rendam resultados reais para a segurança física e confiabilidade de sua rede.

OPORTUNIDADES DE ENGAJAMENTO DO USG - APROVEITAR O MOMENTO

Tendo dedicado muito tempo e muitos recursos para corrigir problemas no fornecimento elétrico nacional que eram endêmicos em 2001, o GOB se orgulha de seu sistema de transmissão nacional interligada e tende a enxergar os apagões que ocorrem como incidentes isolados ou como problemas com sistemas de distribuição locais. Em visitas recentes aos Estados Unidos, o vice-ministro da Energia Zimmermann sugeriu que a transmissão e a distribuição de longo alcance possam ser um tema no qual o Brasil possui know-how que poderia compartilhar com os EUA em um acordo de cooperação energética. Embora o GOB seja altamente resistente à ideia de que outros países sejam mais avançados que o Brasil na transmissão e distribuição, representantes do GOB reconhecem que há espaço para aprimoramentos em seu sistema. Saberemos mais sobre a causa imediata do grande apagão brasileiro dentro de algumas semanas, mas, enquanto isso, há oportunidades para o USG tirar proveito da abertura do GOB, destacando o apagão como razão para mais engajamento e também preparativos com vista à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016.

OPORTUNIDADES DE COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA DE INFRAESTRUTURA CRÍTICA

Esta seria uma excelente ocasião para incentivar o Memorando de Acordo sobre Comunicações e Segurança de Informações (CISMOA) entre forças armadas, notando que, embora este incidente não pareça ter sido fruto de um ataque ao sistema, tal evento é possível, e firmar esse acordo permitiria cooperação no caso de ocorrer um ataque. Também consideraríamos um grupo de trabalho em ciber-segurança. O Brasil poderia estar aberto a buscar cooperação sobre a proteção da infraestrutura crítica, e o MME já nos disse que estaria interessado em saber mais sobre nosso sistema de transmissões (por ex. de televisão) de emergência. Está claro que a segurança física até agora não foi um alvo importante da atenção dos planejadores, mas autoridades reconhecem a possibilidade de um ataque e estão trabalhando para desenvolver proteções, outra área possível de cooperação frutífera após a visita de DHS no final de 2008.

Com relação ao desenvolvimento infraestrutural, a USTDA (Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA) estuda a possibilidade de patrocinar uma visita de orientação ou um estudo de campo sobre energia elétrica. Até agora a USTDA não buscou cooperações na área elétrica. A maioria dos projetos infraestruturais neste sistema elétrico centralizado é ao nível federal, o que geralmente se traduz em mais burocracia e tempos de implementação mais longos do que com projetos empreendidos ao nível estadual ou local. Existem, contudo, questões de distribuição elétrica que precisam ser tratadas aos níveis estaduais e locais que poderiam beneficiar-se do envolvimento da USTDA, possivelmente representando outro meio de engajamento para ajudar o Brasil a resolver seus desafios elétricos. Antes deste evento, o Ministério da Energia tinha destacado a tecnologia Smartgrid como sendo uma área na qual ele teria interesse em cooperação; é possível que o interesse seja maior agora. 23. (C) A Missão incentiva as agências do USG, incluindo o Departamento de Defesa, o Departamento de Segurança Interna, a Comissão Federal de Comunicações, a Agência de Comércio e Desenvolvimento e outras a explorar estas oportunidades no curto prazo. FIM DOS COMENTÁRIOS. 24. (U) Este telegrama foi coordenado com os Consulados Gerais no Rio de Janeiro e São Paulo.
 
 
 
 
Fonte: Folha

 
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