Página Inicial



twitter

Facebook

  Notícia
|

 

CLOUD E MOBILIDADE EXIGEM QUE AS ORGANIZAÇÕES REPENSEM A ARQUITETURA CORPORATIVA

16/11/2010 01:00:00

Joshua Jewett, CIO da cadeia de lojas de varejo norte-americana Family Dollar, avaliada em cerca de 8 bilhões de dólares, sabe bem o que está em jogo. No momento, ele avalia a adoção de soluções de cloud para desenvolvimento e testes de aplicações. Em paralelo, lida com um ambiente no qual os funcionários usam cada vez mais recursos de mobilidade, ao checar e-mails por meio de smartphones pessoais ? que trazem para o escritório. Isso sem contar com o fato de que a maioria dos clientes das 7 mil lojas da rede possui telefones móveis.

?Ou você cria sistemas na nuvem e focados em mobilidade de forma consciente ou reage às forças do mundo que vão empurrá-lo nesse sentido?, avalia Jewett, que aconselha: ?Sempre é melhor ser consciente?.

Na prática, o CIO da Family Dollar defende a necessidade de tomada de decisões sobre a arquitetura corporativa bastante cuidadosas. Isso passa por analisar tecnologias e serviços, que residam ou não nas trincheiras corporativas e irão incorporar-se às estratégias de negócio. Dentro de dois anos, 20% das empresas não possuirão nenhum ativo de TI, prevê a consultoria Gartner, ao apostar que os ambientes serão controlados por fornecedores terceirizados, sejam eles em cloud computing ou por meio do outsourcing tradicional. Outra parcela bastante grande dos líderes da área de tecnologia optará por um ambiente misto, com recursos internos e externos. Mas, nos dois casos, precisam estar preparados para o acesso às aplicações de qualquer dispositivo.

Os usuários do iPhone, smartphone da Apple, ainda não podem fazer transações com um pacote de ERP (sistema de gestão empresarial) corporativo rodando na nuvem. Mas isso é só uma questão de tempo para que os fornecedores façam os ajustes necessários, sentencia o CIO da empresa de serviços de folha de pagamento Automatic Data Processing (ADP), Michael Capone.

Isso significa que os executivos não podem escolher uma plataforma de hardware e achar que ela será adequada durante muito tempo. Os líderes de TI têm de conceber uma arquitetura tecnológica flexível, para oferecer aplicações empresariais de várias maneiras, argumenta o CIO da Procter and Gamble (P&G) ? uma das maiores fabricantes de bens de consumo do mundo ?, Filippo Passerini. Isso inclui rodar sistemas nos data centers de outras companhias e na palma da mão das pessoas.

Os CIOs, portanto, precisam trabalhar em estreita colaboração com arquitetos corporativos, com o intuito de conceber um framework para entrega de aplicações em múltiplas plataformas. Isso significa que a arquitetura deixa de ser uma atividade relegada a segundo plano pelos gestores de TI e passa a ser fundamental em um cenário no qual ninguém pode ter certeza de como a mobilidade e a computação em nuvem evoluirão ou quais fornecedores dominarão o mercado.

?Antecipe-se à apreensão?, ensina o diretor sênior de operações de TI da empresa de transportes marítimos Matson Navigation, Srini Cherukuri. ?Do ponto de vista da arquitetura, a chave é começar cedo em vez de remodelar alguma coisa depois que ela está feita?, completa.

Sinais da revolução

Os fornecedores de celulares devem vender 1,4 bilhão de aparelhos em 2010, depois de terem comercializado mais de 2,4 bilhões de unidades nos últimos dois anos, de acordo com o Gartner. Daqui a quatro anos, vislumbra a guru de investimentos Mary Meeker, da Morgan Stanley, haverá mais pessoas conectando a internet em dispositivos móveis do que em PCs. E não apenas consumidores. Na P&G, por exemplo, a os dispositivos móveis, além de serem amplamente utilizados por funcionários em campo, são uma plataforma corporativa. Mais de 12 mil empregados da companhia usam smartphones para o trabalho diário no escritório, o que levou a companhia a desenvolver, em parceria com a Xerox, uma tecnologia que possibilita a impressão de documentos a partir desses equipamentos.

Recentemente, o instituto de pesquisas Pew Research Center perguntou a 895 especialistas em internet e executivos do mercado de tecnologia como a computação evoluirá. A previsão é de que, em 2020, a maioria das pessoas acesse software e informações online, ou seja, em algum lugar da internet, e não usando ferramentas e dados armazenados em seus PCs ou nos data centers da empresa. Hoje, os CIOs veem uma linha clara entre a computação em instalações locais e na nuvem, entre a segurança e a confiança de controlar os sistemas dentro da companhia e a ansiedade advinda de trabalhar em cloud. O relatório do Pew conclui, porém, que dentro de dez anos essa linha desaparecerá. De um modo geral, as pessoas não conseguirão mais distinguir quando estão trabalhando em seu dispositivo local ou quando estão acessando a nuvem.

Até lá, uma arquitetura corporativa disciplinada pode ajudar os CIOs a administrar a ambiguidade que as tecnologias de cloud e de mobilidade carregam, diz Leon Kappelman, professor de sistemas da informação da Universidade do Texas (Estados Unidos) e presidente fundador do grupo de arquitetura corporativa da Society for Information Management ? comunidade independente de líderes de TI que atua no desenvolvimento de profissionais do setor, desde 1968. ?Isso [o trabalho para ajustar a arquitetura] exige que os gestores de TI determinem não apenas as tecnologias que a empresa usará, mas também as relações e as interseções entre os processos de negócio que elas suportam?, analisa Kappelman.

O problema é que a maioria das empresas só faz metade do dever de casa, lamenta o professor. Ele cita que, muitas vezes, elas param na análise das tecnologias, ?porque é mais fácil? do que descobrir de que maneira os processos de negócio se interrelacionam. A arquitetura orientada a serviços (SOA) resolve alguns desses desafios, mas não oferece uma solução completa ? pelo menos, da maneira como é utilizada hoje pela maioria das pessoas ?, destaca Kappelman. SOA aborda as fases de concepção e implementação de projetos, com a meta de reutilizar componentes individuais posteriormente. Muitos adeptos do conceito associam uma tarefa de negócio discreta, como registrar informações de contato com o cliente, a uma tecnologia específica, como um formulário na web. Mas, normalmente, a solução não é empregada para entender e registrar um processo inteiro, como um serviço ao cliente de ponta a ponta.

Nos projetos urgentes, em especial, uma pausa para considerar o contexto mais amplo pode dar a sensação de que a iniciativa está sendo retardada, considera o COO e líder de tecnologia e serviços corporativos do banco norte-americano PNC, John Ericksen. Porém, como a demanda por novas tecnologias evolui, os líderes de TI precisam entender de que modo os processos de negócio se interrelacionam, pondera Ericksen. ?Quando você pergunta sobre tecnologia móvel, todo mundo quer tudo. Mas o grande desafio que enfrento é determinar exatamente que necessidade do negócio está sendo atendida?, pontua Ericksen, que aconselha: ?O CIO precisa equacionar isso com toda a calma?.

Na mesma linha, Kappelman considera que se os profissionais não tiverem cuidados, serão criados sistemas voltados a tecnologias específicas, que pouco vão contribuir para tornar a companhia mais eficiente. ?Mesmo aperfeiçoando a arquitetura tecnológica e preparando os sistemas para terem componentes reutilizáveis e interoperáveis, só conseguiremos nos manter alinhados se conhecermos a fundo as áreas de negócios e seus processos, objetivos e regras.?

Modelo Focado no Negócio

O banco PNC, avaliado em 16,2 bilhões de dólares, conta com 35 a 40 arquitetos corporativos. Alguns deles são focados em tecnologia, planejando configurações ideais de servidores, por exemplo. Outros atuam nas áreas de negócio para entender seus requisitos.

Também existe um grupo de arquitetos que pesquisa novos conceitos de tecnologia e meios de encaixá-los no futuro do PNC, diz Ericksen. Essa equipe mais avançada ajuda a guiar a adoção de tecnologias estratégicas, ao determinar onde e como elas podem funcionar. Em 2008, o PNC comprou o National City Bank por 5 bilhões de dólares. E os arquitetos corporativos da companhia estão aproveitando o projeto de integração dos dois bancos para adotar sistemas baseados em nuvens privadas e virtualização nos três data centers da companhia, que estão em processo de consolidação. Mas o COO da companhia relata que sua equipe não teria conseguido implementar essas tecnologias se já não tivesse estudado sua utilização anteriormente, por meio de testes e simulações.

?Demos um passo importante para criar um ambiente operacional?, relata Ericksen. Ele conta que criou um ambiente de data centers inteligentes, que vai abrigar nuvens privadas e que permite reduzir ou aumentar a capacidade de processamento, de acordo com a demanda dos usuários. ?Isso não era possível com os sistemas legados do PNC e do National City Bank?, conta. Já em relação à mobilidade, depois de detectar que os clientes gostariam de acessar suas contas bancárias por meio de dispositivos diferentes ? os universitários preferem o iPhone, enquanto que os executivos tendem a optar pelo BlackBerry, por exemplo ? a equipe de Ericksen desenvolveu uma base geral de código para acesso móvel e, nos casos em que há necessidade, personaliza a interface para os diferentes dispositivos. ?Um dia, acabaremos migrando para aplicações web enxutas, acessadas pela internet por dispositivos móveis?, cita o COO. A meta dele é evitar ao máximo a criação de sistemas específicos para cada plataforma. O que deve reduzir o tempo de desenvolvimento e a existência de ilhas de códigos.

A companhia de serviços de transporte Matson Navigation também está realizando ajustes na arquitetura corporativa para abarcar a computação móvel. Durante muitos anos, a Matson utilizou sites protegidos para fornecer cronogramas de transporte e logística aos seus clientes, que incluem fabricantes e grandes varejistas.

Agora, a Matson permite que seus clientes utilizem dispositivos móveis para acessar os dados referentes a transporte e entrega dos itens. Os usuários também podem configurar alertas de texto que os informem sobre a movimentação de determinados contêineres.

A ideia de não obrigar os clientes a usar um laptop ou desktop para ver o que está acontecendo com suas mercadorias os ajuda a acelerar a tomada de decisões, avalia Cherukuri. ?Somos um segmento da cadeia de suprimentos deles?, relata: ?Poder fornecer essa informação aos nossos clientes tem um alto valor competitivo para nós.?

Os funcionários da Matson também querem acesso móvel a aplicações críticas como o cronograma dos navios. Porém, antes que o grupo de TI viabilizasse tal acesso, Cherukuri encarregou a equipe de arquitetura de pesquisar ferramentas e demonstrar de que forma a mobilidade funcionaria internamente. Ele não está muito interessado em atualizar aplicações existentes, mas fornecer versões rearquitetadas.

Para o CIO da ADP, Michael Capone, os clientes deveriam poder acessar dados onde quisessem, e a arquitetura corporativa da companhia busca refletir essa filosofia. Para isso, a equipe analisou os dados que eram acessados com mais frequência no site da companhia e utilizou essas informações para definir as aplicações móveis. Além disso, a empresa contratou empresas especializadas para adequar a interface aos diferentes sistemas operacionais utilizados em celulares e smartphones. No momento, a plataforma da companhia suporta o BlackBerry e o iPhone, mas futuramente também deverá incorporar os dispositivos com Android.

Fonte: Computerworld

 
Indique esta notícia Indique esta notícia para um amigo

Início Notícias  | Voltar