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´REDE É ARQUIVO DA HUMANIDADE´, DIZ PESQUISADORA;

06/09/2010

O que será do conteúdo digital produzido hoje daqui a décadas ou séculos?

Como os historiadores e antropólogos do futuro poderão usar esse material para melhor nos entender?

Que valor histórico ou cultural desses milhares de exabytes [1 exabyte = 1.152.921.504.606.846.976 bytes]?

Essas são algumas das questões que os especialistas que conversaram com a Folha tentaram responder.

Jonatas Dornelles e Rita Amaral são dois antropólogos que estudam sociedades contemporâneas. Ambos têm trabalhos acadêmicos e pesquisas envolvendo sociedade e internet. Quando compartilhamos um simples vídeo caseiro no YouTube, podemos não perceber, mas estamos fazendo história digital.

*

Folha - Fazendo um exercício de prestidigitação, como um pesquisador do futuro poderá utilizar o nosso conteúdo digital produzido hoje?
Rita Amaral - O futuro, na internet, é hoje. O pesquisador utilizará os mecanismos de busca e pode aprender edição de hipertexto para ter melhor noção de como os robots operam.
Jonatas Dornelles - Tudo indica que os pesquisadores do futuro serão ainda mais especialistas e focados em profundidade em áreas restritas do conhecimento. Eles terão em suas mãos uma ferramenta já em um estágio muito avançado de seu desenvolvimento: a informação automática. Há alguns anos uma informação tinha um "tempo de acesso" bem maior que hoje em dia. No mínimo o pesquisador precisaria se deslocar até uma biblioteca para acessar livros, revistas, imagens, resultados de estudos. Em alguns casos o pesquisador precisava até mesmo sair do país e visitar instituições mundiais qualificadas em armazenar informações, Como a Biblioteca do Congresso dos EUA.

Como vocês veem a iniciativa da Biblioteca do Congresso dos EUA de guardar tuítes e sites?
Amaral - Mais importante que as bibliotecas e museus do mundo todo, com seus critérios institucionalistas e acadêmicos, é que a rede toda é um arquivo da humanidade, que decide isso sem a interferência de grupos econômicos, ideológicos, religiosos. Isso é útil porque favorece a percepção crítica. As barreiras linguísticas ainda pesam, a despeito das traduções automáticas.
Dornelles - Temos duas situações: a criação autônoma de conteúdo e história por pessoas comuns. E, a seleção oficial e institucional dessa história que a legitima como "história oficial". O bom é que ainda podemos, enquanto pesquisadores, buscar a história não-oficial publicada na internet por pessoas comuns. Creio que no futuro esse material será apresentado como manifestação autônoma de pessoas comuns que viveram uma era, a nossa de agora.

Há valor cultural ou histórico nos milhões blog, tuítes e horas de vídeos caseiros espalhados pela rede?
Amaral - [Esse conteúdo] representa um gigantesco espelho de nossas capacidades, nossa diversidade, nosso ambíguo potencial. É possível fazer bricolagem, aprender tai-chi-chuan, fazer guerra, comédia, arte. Empresas como a Google e a Microsoft estão investindo pesado na organização desse caos, considerado uma mina de ouro.
Dornelles - Representa uma forte e eficiente ferramenta de construção de uma cultura e identidade múltipla própria de uma sociedade complexa, onde co-existe a diversidade. Simplificando seria dizer que é a forma onde as pessoas buscam suas influências e o consumo de costumes. A importância é que quem criou essa mídia foram pessoas comuns. Significa que cada um de nós, em tese, possui atualmente o poder de criação de conteúdo assim como sua vinculação para o resto do mundo. Em um segundo momento ocorrerá a seleção desse conteúdo.
 
 
 
Fonte: Folha

 
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