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FIREWALL DA CHINA DEVE SER DISCUTIDO PELA OMC, DIZ UE

18/05/2010

O firewall da internet chinesa é uma barreira comercial que precisa ser discutida no contexto da Organização Mundial de Comércio (OMC), disse Neelie Kroes, vice-presidente da União Europeia, a jornalistas em Xangai, nesta segunda-feira (17).

Kroes, nascida na Holanda e encarregada da agenda digital europeia, disse que o firewall imposto pelo governo chinês é uma barreira ao comércio por bloquear a comunicação dos usuários de internet, impedindo o livre fluxo de informações.

"É uma das questões que precisam ser debatidas na OMC", disse Kroes, que foi comissária da Competição da União Europeia até 2009.

Kroes falou na sede do Tudou, um serviço chinês de vídeos on-line que concorre com o YouTube, do Google, a mais popular das plataformas internacionais de vídeo na web mas que é bloqueada na China.

A lei chinesa requer que as empresas de internet removam conteúdo vetado por autoridade, o que inclui pornografia e quaisquer informações consideradas como politicamente sensíveis pelo governo do Partido Comunista.

Plataformas de mídia social populares em outros países, entre as quais Facebook, YouTube, Twitter e Flickr, estão bloqueadas na China por medo de que ofereçam aos usuários do país formas de se organizar ou de compartilhar informações ilícitas.

"Estou pressionando de todas as formas que posso para que as empresas europeias tenham o direito de operar sem obstáculos na China, e vice-versa. É preciso que o processo seja recíproco", disse ela, acrescentando que os incômodos impostos pelo firewall variam de setor a setor.

Os Estados Unidos também consideraram chamar a atenção da OMC para as restrições chinesas à internet. No passado, a OMC sustentou o direito chinês de censurar conteúdo impresso e audiovisual.

Os mais de 400 milhões de usuários chineses de internet, muitos dos quais jovens e de bom nível educacional, passam cada vez mais tempo online em busca de entretenimento. Apesar da censura, a Internet pode ser um poderoso foro público na China, com blogs e grupos on-line criticando o governo sobre assuntos como poluição e corrupção.

O Tudou, que obedece à censura imposta pelo governo, afirma que apaga 100 mil vídeos mensalmente por conteúdo que envolve pornografia ou política.
 
 
 
Fonte: Folha

 
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