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RECOMENDAÇÃO E BUSCA: QUEM PREVALECERÁ?

03/05/2010

O debate corre solto na internet, desde a última sexta-feira, quando o Mashable publicou artigo de Yuli Ziv, fundadora e diretora executiva da Style Coalition, rede online de editores independentes de moda e estilo, apontando cinco motivos pelos quais, na opinião dela, o Google não dominará a próxima década.

Embora concorde com o fato de que dificilmente o Google continuará dominante _ afinal, a história da tecnologia está repleta de exemplos nesse sentido _  discordo de muitos dos motivos apontados por Yuli para tal. Em especial, o de que as recomendações de conteúdo prevalecerão sobre as buscas.

Na minha opinião, serão recursos complementares. E tanto Facebook quanto a Google _ e eu não arriscaria a  deixar a Micsrosoft de fora _ têm todas as condições de promover as mudanças estrtuturais necessárias para que este cenário aconteça, combinando tecnologias usadas hoje para descobrir e partilhar conteúdos, com outras, ainda em gestação, para catalogá-los de forma cada vez mais inteligente, possibilitando a construção de complexas bases de conhecimento, personalizadas.

Aliás, cabe aqui abrir um parêntese. As ferramentas de busca e  de recomendação foram tema de dois dos melhores estudos recém premiados na The World Wide Web Conference 2010, realizada semana passada em Raleigh, Carolina do Norte, para debater o futuro da rede. A WWWC reúne os principais pensadores da Web para revelar pesquisas de ponta e apontar tendências para a Internet e a própria Web. Fecha parêntese.

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Ao afirmar que as recomendações de conteúdo prevalecerão sobre as buscas, Yuli parte do princípio de que haverá uma geração de internautas que se contentará em receber, de bandeja,   informações filtradas por amigos e sistemas, conhecedores de seus interesses e preferências. Ou seja, em vez de tomar a iniciativa, iniciar o movimento da busca,  essa geração se limitará  simplesmente receber oportunidades, sem esforço, pulando etapas. E cita como exemplo de ferramentas que já estariam proporcionando essa mudança de comportamento o  Facebook e o Twitter.

?(?) Assumindo que você tenha criado uma rede de pessoas com interesses semelhantes, você pode nunca ter que procurar o conteúdo novamente?, diz ela.

Esquece que, tanto no Twitter quanto no Facebook, recebemos de nossos amigos e seguidores recomendações de conteúdo que não necessariamente são do nosso interesse.

Redes sociais como o Twitter estão sim, nos proporcionando a possibilidade de agirmos cada vez mais como curadores de conteúdo e permitindo personalizações instatantâneas. Mas também _ e tenho dito isso om freqüência ? abrindo novas possibilidades de conhecimento, geradas a partir da interação direta ou indireta com pessoas fora do nosso círculo  de amizade: seguidores de amigos, amigos de amigos?

Se a mudança comportamental for da magnitude prevista por Yuli, a ponto de abandonarmos a curiosidade e o movimento da busca para descobrir as coisas apenas através de nossas redes sociais  focadas em interessem em comum, podemos estar correndo o risco de nos tornamos ilhas de unanimidade, de baixo pensamento crítico, sem espaço para reflexão ou dúvida.

O que, por ironia, pode acabar nos levando a um individualismo sem individualidade, sem identidade, como afirma Miguel Reale Júnior em excelente artigo publicado sábado, 01 de Maio, no Estado de São Paulo, gerando um paradoxo.

Estaremos aceitando ser produto do que fomos e fizemos, e também  a instauração do império do instante, sem perspectiva ou interesse por passado e futuro, apenas pelo presente.

?Podemos criar uma sociedade em rede e mais eficiente, conectando pessoas que pensam igual?, diz ela.

Podemos, sem dúvida. Mas sem abrir mão da diversidade. Caso contrário estaremos diante de um cenário assustador. Prefiro a sabedoria de Nelson Rodigues, para quem toda unanimidade é burra! E a  eterna construção de hipóteses, de onde nasce a busca.
 
 
 
Fonte: IdgNow

 
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