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A VITÓRIA DA COMCAST E O FUTURO DA NEUTRALIDADE DA REDE

07/04/2010

Em 2008, a Comissão Federal das Comunicações (FCC), órgão que regula o mercado de telecomunicações nos Estados Unidos, acusou a Comcast, uma das maiores provedoras norte-americana, de violar quatro princípios da neutralidade da rede fixados pela própria FCC em Setembro de 2005 com o objetivo de assegurar uma Internet aberta e neutra. Motivo? A Comcast estava bloqueando o tráfego de BitTorrent em sua rede para, segundo ela,  evitar o congestionamento provocado pelo uso de serviços P2P (peer-to-peer), prejudicial aos ususários não adeptos da troca de arquivos.

Hoje, o Tribunal de Apelações do Distrito de Colúmbia deu ganho de causa à Comcast. E muita gente lamentou.

O problema é que mais do que uma simples queda-de-braço entre uma operadora e seu órgão regulador, o embate entre a Comcast e FCC passou a representar um caso emblemático de defesa do princípio da neutralidade. E, agora, pode ter implicações muito maiores, caso outras operadoras se sintam encorajadas a restringirem a capacidade de acesso de seus clientes a outros conteúdos multimídia, como os do YouTube.

Impossível? Não. Quantas vezes você já reclamou de lentidão no acesso ao serviço e ouviu do técnico da sua operadora de rede que os engasgos no vídeo são causados por excesso de requisições nos servidores do YouTube e não por degradação da velocidade da sua conexão banda larga?

O streaming de áudio e vídeo de sites como o YouTube e o Hulu já é responsável por quase 27 por cento do tráfego mundial da Internet, de acordo com a Sandvine. E em 2013 só o vídeo deverá representar mais de 60% de todo o tráfego de Internet ao consumidor, segundo a Cisco.

De cara, a decisão do tribunal americano a favor da Comcast reforça a necessidade de discussão urgente da neutralidade na rede.

Mas reforça também a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a legitimidade de iniciativas como o protocolo P4P (Proactive Network Provider Participation for P2P), desenvolvido por pesquisadores das universidades de Yale e de Washington, com apoio da Associação da Indústria de Computação Distribuída (DCIA), e aperfeiçoado pela própria Comcast como forma de, mais do que acabar com os congestionamentos das suas redes provocados pelos protocolos de P2P, acelerar o acesso a conteúdos de parceiros.

Diferente das redes P2P, as redes P4P se caracterizam pelo uso de i-Trackers que permitem a identificação de máquinas conectadas a um mesmo provedor de acesso, ativando-as de forma mais rápida, estabelecendo uma comunicação mais confiável, com velocidades acima da média.

Note que o P4P parece ter pouco a ver com a neutralidade da rede. Mas, no fundo, auxilia empresas contrárias a ela, que já monitoram o tráfego, a facilitarem a vida de seus clientes, dirigindo os usuários P2P para ?locais? dentro da mesma rede, aumentando o tráfego IP local.

Depois de alguns testes (gráfico), a Comcast chegou a iniciar um trabalho junto ao Internet Engineering Task Force para transformar o i-Tracker em norma para troca de arquivos em rede. Mas, ainda hoje, não faz uso do protocolo. A primeira, e até aqui única, empresa a usar o P4P é a Pando Networks.

comcastP4P

Segundo seus próprios criadores, uma das principais dificuldades para o crescimento contínuo do P4P é justamente a possibilidade dele violar tecnicamente os regulamentos sobre neutralidade da rede da FCC. Os mesmos que a comissão acusou a Comcast de violar, e que o tribunal pode ter transformado em pó ao decidir que a FCC não tem autoridade para obrigar a Comcast a parar de regular o tráfego peer-to-peer em nome do gerenciamento de rede.

Estão aí discussões que convém acompanhar de perto e até antecipar. Quando situação semelhante acontecer no Brasil, o que faremos?

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Em tempo: para quem não lembra, a DCIA foi criada em 2002 por provedores de acesso e de conteúdo internet com o objetivo declarado de encontrar medidas técnicas capazes de limitar o tráfego peer-to-peer não autorizado em suas redes. No início de 2008, a Comcast e a BitTorrent (integrante da DCIA) chegaram a anunciar o fim das disputas e o início de um trabalho conjunto com base no P4P.
 
 
 
 
Fonte: IdgNow

 
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