Página Inicial



twitter

Facebook

  Notícia
|

 

WEB 2.0: PRIVACIDADE É PROBLEMA TÉCNICO?

15/03/2010

É preciso discutir as possibilidades de estar invisível para o sistema.

O alerta partiu de Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, no fim de 2009, durante o Fórum de Cultura Digital, que antececeu a realização da II Conferência Nacoional de Cultura, realizada esta semana em Brasília.

Ivana se referia, no contexto da arte digital, ao que o teórico russo Lev Manovich chamou de ?Software Takes Command?, com processos sociais, em sua grande maioria, passando a ser regulados via software, sem nos darmos conta disso, já que as novas tecnologias, principalmente em países como o Brasil, com um volume de early adopters muito maior que qualquer outro, se  tornam ?invisíveis? do dia para a noite, usadas ao extremo, sem muita reflexão.

E nesse mundo em que  ?tudo passa a sofrer influência de processos algorítmicos e as decisões se tornam dependentes de análises desses resultados complexos promovidos pelo software?, somos cada vez mais, segundo Ivana,  imagens entre imagens; informações dentro de sistemas informacionais. E o mapeamento dessas informações, de suas inter-relações socias, para rápida visualização, vem se transformando em poderosa ferramenta de rastreamento e controle.

0894705

Não pude deixar de lembrar do alerta, ontem, ao acompanhar, pela internet, a cobertura jornalística e os comentários, em blogs e tweets, dos debates da SXSWi, aberta sexta-feira em Austin, no Texas. Danah Boyd, pesquisadora do Microsoft Research e do Harvard?s Berkman Center for Internet and Society, fez uma das palestras mais comentadas do sábado, sobre a interação, muitas vezes não-autorizada, que serviços como Facebook, Twiiter, etc, fazem entre as informações públicas e privadas de seus usuários.

Faz tempo que também venho alertando sobre a necessidade de redefinição de fronteiras entre o público e o privado, a partir do uso crescente da Internet.  Só porque porque algumas informações estão acessíveis na rede, não significa que as pessoas queiram que elas se tornem públicas. Acessíveis para todos. Podem ser partilhadas com um pequeno grupo; com vários grupos; ou com ninguém. E isso, segundo Danah, devia ser uma preocupação constante  das empresas. Uma ação proativa e não uma  ação reativa,  como hoje,  forçada pela ira dos usuários.

Como exemplos, Danah citou o Facebook e as consecutivas mudanças na sua política de privacidade?. O Google e seu Buzz? Só não falou da própria Microsoft.

Não há exemplos de desrespeito à privacidade vindos de Redmond? Claro que sim? Sérios e anteriores às redes sociais. Exemplos de rastreamento? Quem não lembra das acusações de envio de informações sobre a máquina do usuário para a Microsoft  com intuito de identificação de pirataria?

Mas não era disso que ela falava. Falava de exposição pública.  E no que diz respeito a essa exposição nas redes sociais, sua principal crítica foi em relação às políticas de privacidade que implementam o público como padrão, deixando ao usuário do sistema a opção de fazer o opt-out. Tornar privado, ou semi-privado, o que para o sistema é público, porque assim prefere ou quer a maioria dos usuários.

Será que a exposição pública é de fato desejo da maioria? Ou está mais para falha estatística, provocada pelo hábito do clique automático nos botões das telas de pop-up, aceitando, sem perda de tempo e conhecimento prévio, as configurações padrão dos sistemas?

Geolocalização, a bola da vez

Danah aposta na segunda opção, pela recorrência. Embora, na sua opinião, mesmo os usuários mais atentos às normas, muitas vezes fiquem sem saber o que ganham e o que perdem ao aceitá-las e começarem a ser expor na web. Na maioria dos casos, por culpa da falta de clareza na redação dessas normas.  E, não raro, também, por não estarem acostumadas a pensar em todos os desdobramentos dessa exposição.  Segundo a pesquisadora,  os adolescentes estão muito mais conscientes sobre o que eles ganham por estar em público, enquanto os adultos estão mais conscientes daquilo que podem perder. Mas a maioria de adolescentes e adultos não reflete muito o quanto revela  de suas vidas ao fazer uso da rede e seus recursos.

O que me fez pensar nas ferramentas de localização, tão em moda hoje.

Talvez por trabalharem mais próximos da privacidade física, Google Latitude, Foursquare e muitos outros serviços baseados em GPS, forçam o opt-in. Mesmo cuidado tomado pelo Twitter na oferta inicial do serviceo de localização para os tweets.  A opção vem desativada por  default. Para informar a localização junto com o tweet é preciso configurá-la para ?on?. A expectativa é a de que o Facebook siga o mesmo princípio, na oferta do recurso de localização, previsto para entrar no ar a partir de abril.

Não é atoa que a privacidade na web social tem sido tema freqüente nessa edição da SXSW, até agora.  Isso é bom. Muito bom. Já era hora da privacidade entrar seriamente na agenda. Ela está londe de ser meramente um problema técnico, como chegou a afirmar Brett Slatkin, engenheiro da Google, co-criador do PubSubHubbub. É também um problema cultural, um problema educacional e um problema para os negócios.
 
 
 
Fonte: IdgNow

 
Indique esta notícia Indique esta notícia para um amigo

Início Notícias  | Voltar