Página Inicial



twitter

Facebook

  Notícia
|

 

PARA TELEFONIA MÓVEL, DADOS SÃO BENÇÃO E MALDIÇÃO

30/09/2009

"Dongle" pode ter um som estranho, mas a tecnologia aparentemente inocente que essa palavra descreve está se tornando um dos maiores desafios para o setor de telecomunicação móvel em anos.

Em companhia dos celulares inteligentes, esses cartões ou placas 3G que permitem que as pessoas entrem na Internet via redes móveis, de qualquer parte, vieram a simbolizar de que maneira a mina de ouro que a alta no tráfego de dados representa pode se tornar um pesadelo para as operadoras de telefonia celular.

Os dongles são muitas vezes vendidos com um plano de telefonia a preço fixo, ou com uma assinatura que permite o uso de certo volume de megabits de dados. Eles estão alimentando um boom tão pesado no tráfego móvel de dados que as redes celulares vêm sofrendo pressão sem precedentes.

No entanto, mesmo com a explosão do tráfego, as receitas desses novos serviços não estão se mantendo, devido à intensa concorrência. Com isso, investimento em melhoria de rede pode gerar risco de mais pressão sobre as margens.

"A banda larga móvel é uma grande vantagem para os consumidores, mas um inferno para as operadoras", disse John Strand, que trabalhou por mais de 12 anos como consultor para grandes empresas mundiais de telefonia móvel.

À medida que cresce o número de pessoas que usam redes de telefonia móvel para acesso à Internet em laptops equipados com placas 3G ou aparelhos como iPhone e BlackBerry, o tráfego de dados vem dobrando a cada seis meses, no mundo, e em alguns países apresenta ritmo de expansão ainda mais rápido.

No dia em que o rei do pop Michael Jackson morreu, o tráfego de dados da operadora de telefonia móvel australiana Telstra subiu 170 por cento.

"Todo mundo queria saber ao mesmo tempo o que estava acontecendo", diz Mike Wright, diretor de engenharia na divisão wireless da empresa. "Isso colocou o sistema sob forte pressão."

Um laptop equipado com um dongle consome 450 vezes mais banda do que um celular tradicional, disse Pierre-Alain Allemand, que comanda a rede móvel da segunda maior operadora francesa de telefonia, a SFR.

Mas a competição é tão intensa que poucas operadoras elevam as tarifas.

Isso causa um problema às operadoras, da Índia à Suécia: é preciso investir forte em redes para impedir congestionamento e quedas na transmissão de dados, mas fazer isso pode prejudicar a lucratividade no longo prazo.

"Temos que ser cuidadosos para não investir muito, porque a única coisa que aconteceria seria aumentarmos o tráfego de dados sem um aumento no lucro", afirmou Bjorn Amundsen, diretor da operadora norueguesa Telenor. Ele comentou prática do setor de racionar a banda dos usuários que geram tráfego de dados mais pesado.

Desde 2005 o número de linhas fixas de telefonia caiu 0,9 por cento no mundo, para 1,24 bilhão, segundo a IDATE, uma empresa de pesquisa do mercado de telecomunicações. Nesse mesmo período, o volume de usuários de celulares disparou 95 por cento, para 4,22 bilhões.

Cerca de 10 por cento desses usuários, que normalmente utilizam aplicativos que consomem muita banda como videogames, músicas ou filmes, são responsáveis por 80 por cento do tráfego de dados, segundo as operadoras.

"Os dongles fazem as pessoas usarem a rede sem fio como se estivessem usando uma linha banda larga em casa", afirmou Michele Campriani, presidente-executiva da Accanto Systems, empresa especializada em software que mede tráfego de dados em redes de telecomunicação. "Mas a rede sem fio simplesmente não pode suportar isso."
 
 
 
Fonte: Uol

 
Indique esta notícia Indique esta notícia para um amigo

Início Notícias  | Voltar