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MASTER SYSTEM COMPLETA 20 ANOS DE VIDA NO BRASIL

05/09/2009

No universo dos games, a troca de gerações tem acontecido a cada cinco anos. Por isso, é surpreendente que um videogame complete 20 anos ainda na ativa. Essa é a história única do Master System no Brasil, que comemora neste mês duas décadas de sucesso e resistência.

É o resultado do esforço da Tectoy, que acreditou e investiu em videogames. Apoiado em intensa campanha de marketing, o Master System conquistou um lugar especial entre os brasileiros.

O Japão é considerado um dos berços do videogame, um elo entre o pioneirismo de Ralph Baer (criador do Odyssey, considerado o primeiro videogame do mundo) e de Nolan Bushnell (fundador da Atari e de seus famosos videogames, principalmente o Atari 2600) e a poderosa indústria dos jogos eletrônicos da atualidade (ainda que tenha sofrido um baque com a crise).

Ainda assim, o Master System é quase um desconhecido entre os nipônicos. Ele é o ponto de chegada da Sega na geração dos videogames de 8 bits, iniciada com o computador SC-3000. Para os nipônicos, o console negro era um Sega Mark-III com alguns extras embutidos, como o som FM, ausente em qualquer outra edição do Master System.

Mas se em sua terra natal e nos Estados Unidos foi atropelado pelo rolo compressor da Nintendo, o NES. No fim da batalha, o videogame da Big N havia vendido quase 62 milhões pelo mundo, contra estimados 13 milhões do Master System.

A Nintendo tinha contrato de exclusividade com as produtoras, então restou à Sega procurar nichos inexplorados pela Big N, casos da Europa e Austrália, onde o Master System alcançou sucesso. Nesse processo, um capítulo à parte estava reservada para o Brasil.

Representante da Sega

A companhia fundada em 1987 no bairro da Água Branca tinha como foco produzir brinquedos de alta tecnologia, caso do Pense Bem. Mas para os aficionados em jogos, a Tectoy é lembrada pelos videogames da Sega: desde o Master System até o Dreamcast. Quase todos tiveram vida curta, exceto o Mega Drive e o Master System, que veem lançamentos até hoje.

ste último trilhou um caminho muito especial no Brasil. Segundo a Tectoy, o Master System saiu em setembro de 1989 e veio amparado numa intensa campanha de publicidade, incluindo muitos comerciais de TV. Era uma época em que o sucesso do Atari já tinha passado, e o mercado estava inundado com clones do NES. A Gradiente lançou o Phantom System, que também teve grande promoção, mas era considerada tímida frente a Tectoy - mais tarde, junto com a Estrela, formaria a Playtronic, que lançou oficialmente o Super NES, Nintendo 64 e o GameCube.

Foi essa propaganda maciça que fisgou o consultor gráfico Ricardo Wilmers Siqueira, à época com 12 anos. "Meus pais fizeram uma força incrível para comprar o Master System da Tectoy e foi um maravilha ver aqueles gráficos. Ficávamos impressionados com os comercias", rememora. Na verdade, o Master foi o segundo videogame da família. "Sair dos gráficos do Atari para o Master System foi o supra-sumo da época".

Wilmers, como os amigos o chamam, credita o trabalho de promoção como fator primordial para o sucesso do videogames no Brasil. "Sou formado em marketing e pós-graduado na área, e hoje vejo que o sucesso que a Tectoy teve no Brasil com o Master System foi conseguido pela estratégia de marketing agressivo utilizada no Brasil", analisa. "Se você conversar com colecionadores de Master pelo mundo afora, verá que aqui o console teve a maior projeção [entre as regiões]. E o tempo que o Master System se sustentou comercialmente foi infinitamente maior que qualquer outro lugar do mundo".

 


Em todo lugar

A aparato de publicidade da Tectoy ainda englobava anúncios em revistas (algumas especializadas que começavam a surgir no Brasil), informativos mensais para sócios do Master Clube ("Tenho até hoje minha carteirinha", diz Ricardo) e programas de TV como Master Dicas, que passava entre segunda e sexta durante o intervalo da Seção Aventura da Rede Globo.

O Master System de Ricardo foi substituído dois ou três anos depois por um Mega Drive, mas, entre 2002 e 2003, passeando por um site de leilão, comprou um GameGear por US$ 20. Era um sonho de consumo de criança, finalmente realizado. Hoje, aos 33, Ricardo é um dos maiores colecionadores de Master System no Brasil: tem 243 dos 244 jogos lançados oficialmente pela Tectoy (falta-lhe apenas o raro "Mickey´s Ultimate Challenge"). O console em si, tem cerca de 30 edições, quase todas exclusividades nacionais.

De acordo com a Tectoy, foram 18 versões do consoles lançadas no país, incluindo o recente Master System Evolution, com 132 jogos na memória, um a mais que o Master System 3, de 2008. Alguns são curiosos, como o Master System Girl, uma versão rosa do Master System Super Compact, que envia imagens para TV via sinal de antena. O console é rico em acessórios, como o óculos 3D, que faz com que as imagens "saltem" da tela. A pistola, inspirado no desenho "Zillion", foi muito popular, e a animação ainda rendeu jogos para o console. Em fevereiro deste ano, num caso bizarro em Samambaia, cidade-satélite de Brasília, uma senhora de 60 anos foi mantida refém por um homem armado com essa pistola Light Phazer.

Produção nacional

A Tectoy também investiu em jogos próprios. Alguns títulos foram traduzidos para o português, caso do RPG "Phantasy Star" (as duas continuações, para Mega Drive, além de "Shining in the Darkness", também sairiam localizadas mais tarde) e títulos para o portátil GameGear, que possui quase a mesma estrutura do Master System, foram convertidas para o console no Brasil, caso de "Sonic Blast".

No começo, os títulos "originais" eram baseados em outro games, com os gráficos modificados. Assim, "Wonder Boy in Monster Land" virou "Mônica no Castelo do Dragão" e "Ghost House" se transformou em "Chapolim x Drácula - Um Duelo Assustador". Mas, mais tarde, foram produzidos títulos totalmente inéditos, cujo caso mais notório é o de "Street Fighter II", jogo de luta de grande sucesso na década de 90. Hoje, a Tectoy produz games para celulares e Zeebo, videogame desenvolvido em parceria com a Qualcomm.

Para Ricardo, os jogos essenciais do Master System são "Alex Kidd in Miracle World", "Alex Kidd in the Enchanted Castle", "R-Type", "Shinobi", "Revenge of Shinobi", "Kenseiden", "Castle of Illusion", "Ghouls ´n Ghosts", "Wonder Boy" e "Sonic the Hedgehog". Hoje, os títulos do Master System podem ser jogados no serviço Virtual Console, do Wii, e nos vários modelos de consoles da Tectoy ainda hoje disponíveis no mercado. É o que faz o colecionador: "Jogo pouco qualquer videogame, mas me divirto quando ligo o Master System".
 
 
 
 
Fonte: Uol

 
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