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NOVOS INTERNAUTAS MUDAM FORMA DE CONSUMO DE BLOGS

31/08/2009

Em 2007 e em 2008, houve um forte crescimento da quantidade de usuários de internet, motivado sobretudo pelas classes C e D. Essas pessoas trouxeram um estilo de navegação peculiar, fazendo um uso ainda maior de redes sociais e blogs, mas principalmente um uso diferente dessas ferramentas.

Em julho de 2009, de acordo com os números do IBOPE Nielsen Online, mais de 60% das pessoas que usam a internet de casa ou do trabalho entraram em blogs feitos por outros internautas. Isso significa praticamente 22 milhões de pessoas por mês. Isso também significa que segue em crescimento o consumo de conteúdo produzido ou distribuído por outras pessoas. Somente em residências, há ganhos anuais de mais de cinco pontos percentuais no uso de blogs.

Essa informação expõe a necessidade de empresas em geral, sobretudo de mídia, prestarem atenção nesses blogs, já que legitimamente deve interessar a elas saber o que tem sido consumido e discutido na internet longe de suas páginas oficiais. Contudo, para a verdadeira compreensão desse fenômeno, é preciso reconhecer que essa revolução ocorre de duas maneiras distintas nos seus interesses, mas muito semelhantes nas suas consequências.

A primeira maneira já foi extensamente esmiuçada por pensadores muito bem cotados naquilo que Juremir Machado da Silva qualificou de bolsa de valores do mercado intelectual globalizado e que estão na linha de frente popular do que se convencionou chamar de cibercultura, constituindo agora a sabedoria convencional.

Aplicando essa sabedoria convencional, aprende-se que os blogs são a força redentora para a superação de barreiras como a concentração da informação, do conhecimento, da educação e do controle político. Isso pode ser verdadeiro, mas é apenas parte do fenômeno e não pode ser chamado de revolução.

Isso pode ser verdadeiro porque os blogs e outras ferramentas da internet permitem a qualquer um ter acesso a informações que antes não se encontravam disponíveis com tanta facilidade. Porém, isso é só parte do fenômeno porque quem desfruta dessas facilidades continua sendo o mesmo público que, em geral, sempre teve acesso a essas informações e conhecimentos: pessoas de maior renda e escolaridade.

Elas formam o público que mais consome blogs oficiais, de maior credibilidade e de elevada discussão. E, nessas discussões, esse público até diverge e discute detalhes de assuntos variáveis, mas todos de seus próprios interesses, que são bastante diversos dos da massa que agora chega à internet.

Essa massa, que tem menor renda e escolaridade, agora ganha acesso impaciente para também usufruir da internet. É ela que vem alimentando a maior parte dos novos acessos a blogs amadores. Um movimento que brota naturalmente do gigantesco submundo dessa massa que pula blogs de opinião, mas que tem obstinada atração pelos blogs produzidos por outros usuários.

E a lista dos conteúdos mais distribuídos nesses blogs é singular não pelo que tem de surpreendente, mas pelo que apresenta de óbvio: bens culturais gratuitos ? música, filmes, games, impressos em PDF ? e que mostram que Chris Anderson tem razão quando diz que o gratuito vende mais.

Gratuito vende mais

Nesse ponto, é impossível não tocar no delicado tema da pirataria. Sem entrar no mérito do legítimo direito das empresas frente à incontornável vontade dos usuários de pagar caro por equipamentos e conexões para ter acesso ao gratuito online, pode-se dizer que ao mesmo tempo em que a internet escancarou o gratuito também abriu a oportunidade para que as empresas se relacionem com esse consumidor, que continua desejando sofregamente seus conteúdos.

Essa facilidade proporcionada pela internet para que pessoas cada vez mais se comuniquem e façam trocas e que encanta os novos internautas da classe C e classe D provocam uma mudança muito mais importante do que a troca de informações qualificadas em blogs.

Se, por um lado, nunca antes a informação esteve tão ao alcance de quem sempre teve informação à mão, por outro há uma massa deslumbrada diante do conteúdo disponível. Um movimento que não se reconhece na leviana ?inteligência coletiva? que, carregada pelas ?infovias de informação?, conduzem a humanidade até a redentora ?democracia em tempo real?. Ou se reconhece de forma inesperada.

Da mesma maneira, esse movimento sugere uma leitura alternativa ou complementar às conclusões sacramentadas há décadas por discípulos de pensadores que pré-disseram o surgimento de uma aldeia global a partir do fim do monopólio do conhecimento causado pelas tecnologias e apontaram uma nova sociedade em rede nos rastros da reestruturação do capitalismo.

Os internautas que agora ganham acesso relacionam-se intensamente com sua aldeia local enquanto que com a aldeia global compartilham conteúdos, ainda mais intensamente que os primeiros internautas. Deixam de ser classificados como não incluídos e passam também a ter acesso a alguns bens simbólicos e a desejar outros. Estarão na linha de frente do comércio eletrônico, adquirindo os produtos que lhes interessam.

Um comportamento diverso do da camada que aproveita na internet o ?potencial extraordinário para a expressão dos direitos dos cidadãos e a comunicação de valores humanos?, contribuindo para a democratização ?ao nivelar relativamente o terreno da manipulação simbólica e ao ampliar as fontes de comunicação?. Isso foi definido por Manuel Castells também como ?o reforço da coesão social da elite, um apoio à cultura global?.

Cada público apropria a internet ? e os blogs, especificamente ? de acordo com seus interesses e aspirações. Coesão social para uns, acesso a bens simbólicos para outros, com esses outros se tornando maioria. E o entendimento mais profundo dos interesses desses indivíduos e sua relação com as marcas e os produtos é determinante para o planejamento e o sucesso das ações das empresas.



Fonte: Wnews

 
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