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LEIS DE IMIGRAÇÃO DOS EUA GERAM FUGA DE CÉREBROS EM TECNOLOGIA

24/06/2009

O Vale do Silício vem sofrendo com a perda de seus motivados estudantes estrangeiros, que cada vez mais deixam os Estados Unidos devido ao ambiente pouco acolhedor para imigrantes, em uma tendência que, especialistas afirmam, irá prejudicar a competitividade da indústria norte-americana de alta tecnologia no longo prazo.

Um mercado de trabalho mais atraente fora dos EUA, além da economia local retraída, têm levado cada vez mais graduandos a voltarem para seu país de origem após os estudos em busca de melhores perspectivas. Isso, por sua vez, está privando a região do Vale do Silício --conhecida como o berço da inovação tecnológica global-- do sangue novo que precisa para se manter na vanguarda dos novos mercados, como a tecnologia limpa.

"Creio que iremos inovar até sair das dificuldades econômicas em que nos encontramos, e para fazer isso precisamos de pessoas inovadoras", disse por telefone a parlamentar Zoe Lofgren, do partido Democrata californiano, que preside o sub-comitê judiciário de imigração da Casa.

"Isso significa não mandar embora pessoas que são inovadoras e querem se tornar cidadãos americanos", disse Lofgren, que também é um dos líderes do Congresso que irá se reunir com o presidente Barack Obama nesta semana para discutir o assunto.

Mais de metade das novas empresas abertas entre 1995 e 2005 no Vale do Silício --região próxima à Universidade de Stanford, no norte do Estado da Califórnia, onde cresceram empresas como a Intel e a Apple-- tinham entre seus fundadores um estrangeiro, segundo um estudo de 2007 do professor da Universidade Duke Vivek Wadhwa.

Mas muitos estrangeiros hoje passam pela longa espera por um visto de residência permanente, e têm acreditado que ele nunca virá.

Para o presidente do Silicon Valley Bank na cidade de Santa Clara, Ken Wilcox, os Estados Unidos hoje enfrentam a necessidade de ajudar estrangeiros talentosos a permanecerem no país.

"Simplesmente não estamos produzindo, em termos relativos, números significativos de engenheiros ou cientistas entre pessoas que já estão no país há várias gerações", disse Wilcox, que é especialista em financiamentos para novas empresas. "É preciso trazê-los de fora".

Estudantes de fora dos EUA se graduam em metade de todos os mestrados e em 71 por cento dos doutorados em engenharia elétrica oferecidos por universidades norte-americanas, segundo um sub-comitê do Congresso.

Mas é cada vez menos provável que eles permaneçam no país. O professor Wadhwa afirmou que, nos últimos 20 anos, os EUA perderam 100 mil estrangeiros com alto nível educacional, mas essas perdas podem se acelerar para cerca de 100 mil a 200 mil nos próximos cinco anos.

"Os Estados Unidos estão passando por uma fuga de cérebros e nem sabe o que isso significa", disse o professor.
 
 
 
Fonte: Uol

 
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