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CRIADOR DO SIGNAL CRITICA PRIVACIDADE DO TELEGRAM: “PIOR ESCOLHA POSSÍVEL”

12/27/2021

Entre os mensageiros instantâneos mais usados no mundo, o Telegram corre como uma espécie de “zebra” com uma quantidade cada vez maior de usuários e, mais que isso, defensores figadais dos seus recursos, da sua flexibilidade e da sua segurança. Os dois primeiros aspectos são de fato inquestionáveis — o terceiro, por outro lado, tem uma série de furos. Ao menos é o que afirma Moxie Marlinspike, fundador do (concorrente) Signal.

Em uma thread no Twitter, Marlinspike demonstrou preocupação com o fato de que a imprensa costuma se referir ao Telegram como “mensageiro criptografado” quando, na verdade, as conversas e os arquivos que você troca na plataforma são armazenadas — em quase todos os casos — de forma completamente aberta, em texto simples.

O desenvolvedor chegou a classificar o Telegram como “a pior escolha possível” quando o assunto é privacidade — mesmo quando comparado ao Facebook Messenger, fruto de uma companhia que não é exatamente associada à proteção de dados.

É incrível para mim que, depois de todo esse tempo, toda a cobertura da mídia sobre o Telegram ainda se refere a ele como um “mensageiro criptografado”. O Telegram tem um monte de recursos atraentes, mas em termos de privacidade e coleta de dados, ele é a pior escolha possível. Vejam como ele funciona:

O Telegram armazena todos os seus contatos, grupos, mídia e toda mensagem que você já recebeu ou enviou em texto simples nos seus servidores. O aplicativo no seu telefone é apenas uma “visualização” dos servidores da plataforma, onde os dados de fato estão. Quase tudo que você vê no app, o Telegram também vê.

Marlinspike nota que o Telegram tem, de fato, um recurso de conversas criptografadas, os chamados chats secretos. A ferramenta, entretanto, não é muito utilizada por ser severamente limitada (não funciona com grupos nem traz sincronia entre dispositivos, por exemplo), e mesmo o protocolo de criptografia usado por ela é, segundo o desenvolvedor, “duvidoso”.

Fazendo uma comparação entre o Telegram e o Facebook Messenger, Marlinspike nota que nenhum dos dois traz criptografia ponta a ponta — ambos são, portanto, “construídos exatamente da mesma forma”. A ferramenta de chat secreto do Messenger, entretanto, é mais poderosa e flexível, o que tornaria o mensageiro do Facebook uma opção “menos pior” na visão do desenvolvedor.

Tecnologia que respeita a privacidade de verdade não requer que você confie seus dados a alguém, e sim que você não precise fazê-lo. Uma mensagem que você manda só deveria ser visível a você e ao destinatário. Os detalhes de um grupo só deveriam ser visíveis aos seus membros. Abrir seus contatos não deveria revelá-los a mais ninguém.

A tecnologia privativa defende que você torne a tecnologia consistente com a interface. Mas se a interface do Telegram fosse consistente em relação à forma como ele funciona, toda conversa seria um chat em grupo com todo mundo que trabalha no Telegram, todo mundo que hackeia os servidores do Telegram, todos os governos que acessam o Telegram, etc.

Na thread, Marlinspike não chegou a citar o WhatsApp (talvez porque ele não é muito popular nos Estados Unidos), mas vale lembrar que o mensageiro mais popular do Brasil traz, por padrão, criptografia ponta a ponta nas conversas individuais ou em grupo. Obviamente essa é apenas a primeira preocupação que você deve ter em relação à privacidade, mas ao menos existe a segurança de que ninguém no Facebook estará bisbilhotando suas conversas propriamente ditas.

Alguém poderá argumentar que as declarações de Marlinspike são suspeitas porque ele representa um concorrente do Telegram. De fato, mas é inegável que suas afirmativas são tecnicamente embasadas — o próprio Telegram, aliás, nunca se vendeu como um aplicativo que oferece criptografia de ponta a ponta por padrão, embora o senso comum seja de que o mensageiro é mais seguro do que o WhatsApp ou outros concorrentes.

Dito tudo isso, é plenamente válido que você comece a usar ou continue usando o Telegram por conta dos seus recursos, da sua flexibilidade ou dos grupos/canais presentes na plataforma (nós temos dois, por exemplo). Em termos de privacidade, por outro lado, fica o lembrete — uma falsa sensação de segurança, afinal de contas, é ainda pior do que saber dos problemas de privacidade de uma determinada plataforma.

 

Fonte: MacMAgazine

 
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