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DETECTADO PRIMEIRO TIPO DE MOLÉCULA FORMADA NO UNIVERSO

22/04/2019

NASA anunciou que, após décadas de buscas, finalmente conseguiu detectar pela primeira vez o primeiro tipo de molécula que se formou no universo. O hidreto de hélio foi teorizado em 1925 e, agora, foi detectado pelo observatório SOFIA da agência espacial — com a descoberta sendo publicada na revista Nature.

O hidreto de hélio foi encontrado pelo SOFIA na nebulosa planetária NGC 7027 — remanescente do que, um dia, já foi uma estrela parecida com o Sol —, a uma distância de 3.000 anos-luz daqui, pertinho da constelação de Cygnus.
No início da formação do universo, havia apenas alguns tipos de átomos. Acredita-se que cerca de 100 mil anos após o Big Bang os elementos hélio e hidrogênio se combinaram para formar a molécula hidro-hélio (ou hidreto de hélio) pela primeira vez, mas até então nunca havíamos detectado diretamente esta molécula no espaço. Hoje, o universo é repleto de estruturas enormes e complexas, incluindo planetas, estrelas e galáxias, mas há mais de 13 bilhões de anos o universo primordial era quente demais — e tudo o que existia eram alguns átomos, como o hélio e o hidrogênio, e foi com a combinação desses átomos que o universo começou a esfriar.

Quando começou o resfriamento, átomos de hidrogênio puderam interagir então com o hidreto de hélio, criando-se, assim, o hidrogênio molecular (molécula responsável pela formação das primeiras estrelas). Então, as estrelas passaram a forjar os demais elementos que compõem o cosmos. A descoberta prova que a molécula de fato existe no espaço, e confirma parte da nossa compreensão básica da química do universo primitivo.

Em 1925, cientistas conseguiram criar a molécula primordial do hidro-hélio em laboratório, e na década de 1970 cientistas que estudavam a nebulosa NGC 7027 viram ali um ambiente que poderia ser ideal para a formação do hidreto de hélio. É que, ali, a radiação ultravioleta e o calor da estrela envelhecida criam condições adequadas para a formação da molécula em questão, mas todas as observações, com a tecnologia da época, se mostravam inconclusivas.
Somente em 2016 o observatório SOFIA pôde começar a ajudar nessa missão. O equipamento faz observações acima das camadas interferentes da atmosfera da Terra, e uma recente atualização dos instrumentos do SOFIA acrescentou um canal específico para poder, enfim, detectar o hidreto de hélio, de maneira inédita. O instrumento pelo qual isso foi possível funciona como um receptor de rádio, e os cientistas precisaram sintonizar a frequência da molécula que procuravam (mais ou menos como nós sintonizamos uma rádio FM para encontrar a estação certa).
 
 
 
Fonte: Canaltech 
 

 
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