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MILHARES DE FUNCIONÁRIOS DO GOOGLE PROTESTAM POR MÁ CONDUTA SEXUAL

05/11/2018

 

Nesta quinta-feira (1º), milhares de funcionários do Google ao redor do mundo fizeram um protesto pelo fato de a empresa não ter lidado de forma apropriada com acusações de assédio sexual, no que parece ser uma das maiores manifestações já registradas entre trabalhadores de tecnologia.

Os protestos começaram em Tóquio, além de ter ocorrido manifestações em escritórios em Singapura, Berlim (Alemanha), Zurique (Suíça), Dublin (Irlanda) e no Canadá, conforme os envolvidos nos disseram nesta quarta-feira (31). Os organizadores do movimento, que ficam baseados nos EUA, esperam que 60% da força de trabalho dos escritórios globais participe dos atos — em tempo, o Google tem mais de 70 escritórios ao redor do mundo.

No perfil do Twitter GoogleWalkout, feito para reportar protestos ao redor do mundo, não tem registros de protestos de funcionários do Google no Brasil ou em outros países da América Latina.

Na cidade de Nova York, um funcionário do Google, que pediu para não ser identificado e que não estava autorizado a falar com a imprensa, descreveu os protestos como “incríveis”. “Estou muito orgulhoso de voltar ao escritório e ver várias mesas vazias, mostrando que muita gente participou”, dizendo que a “maioria” das pessoas do escritório de Nova York esteve envolvida no ato.

Funcionários do Google deixaram o escritório por volta das 11h (horário local), uma referência à data do protesto (11/1, lembrando que o padrão americano traz mês seguido de dia). No protesto em Nova York, funcionários andaram ao redor da 8ª Avenida em direção a um parque do outro lado do High Line, no Chelsea, um parque elevado instalado numa antiga linha de trem, que também estava cheio de funcionários e curiosos. Vários dos organizadores discursaram para um público fervoroso, que fez com que os participantes gritassem “time’s up tech” (algo como “o tempo acabou, tecnologia”), em referência a um movimento de nome parecido (“time’s up”) que começou em Hollywood após as alegações de abuso do produtor de cinema Harvey Weinstein.

“Acho que o movimento fala por si”, disse um funcionário do Google ao comentar que uma placa que dizia “US$ 90 milhões = 3.000 anos com US$ 15 a hora”. Este cartaz faz referência à quantia recebida por Andy Rubin, o criador do Android, após ter deixado a companhia com a acusação de má conduta sexual. Rubin negou qualquer tipo de má conduta e descreveu a quantia de US$ 90 milhões, que recebeu após sua saída, de “muito exagerada”. Vários outros executivos acusados de assédio supostamente receberam grandes quantias de dinheiro ao deixar a companhia ou continuaram empregados na gigante da tecnologia.

“Precisamos melhorar e necessitamos nos assegurar que somos responsáveis por tratar todas as pessoas de forma justa”, disse o funcionário da empresa, “independente do nível hierárquico do Google.”

Esse tipo de sentimento apareceu por diversas vezes durante o protesto. Funcionários seguravam cartazes em que estava escrito: “O TEMPO ACABOU, TECNOLOGIA”, “Os DIREITOS DOS TRABALHADORES SÃO DIREITOS DAS MULHERES” e “FIM À ARBITRAGEM FORÇADA” — esta última, inclusive, é um dos pedidos requisitados pelos organizadores. A arbitragem força os funcionários a resolverem problemas a portas fechadas, em vez de um julgamento com presença de um júri. Os manifestantes querem que a companhia torne casos de discriminação e assédio como exceções a esta cláusula.

Outras demandas incluem igualdade de remuneração, um relatório público de transparência sobre assédio sexual, uma melhoria no processo para reportar más condutas sexuais, dando ao chefe de diversidade uma linha direta com o CEO, e um representante dos funcionários no conselho de diretores. “Todos nós concordamos com esse sentimento”, disse um funcionário do Google ao Gizmodo, “e estamos aqui por solidariedade aos nossos pares.”

 

 
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