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FUNCIONÁRIOS DO GOOGLE PROTESTAM CONTRA ENVOLVIMENTO DA EMPRESA EM PROGRAMA MILITAR

09/04/2018

 
 

Uma parceria com o Departamento de Defesa dos EUA fez com que funcionários do Google ficassem insatisfeitos e milhares deles assinaram uma petição pedindo para que o CEO do Google, Sundar Pichai, encerre a iniciativa.

O envolvimento do Google no Project Maven, noticiado pela primeira vez pelo Gizmodo no mês passado, tinha como objetivo ajudar o Pentágono a utilizar inteligência artificial para analisar cenas capturadas a partir de drones.

A empresa – e seu atual quadro de conselheiros e o ex-presidente Eric Schmidt, que também faz parte do Quadro de Inovação de Defesa – salientou que o envolvimento está relacionado a usos não combatentes. Mas o nível de envolvimento nos projetos militares não importou para os funcionários que ficaram preocupados. Cerca de 3.100 deles já assinaram a petição direcionada a Pichai, de acordo com o New York Times.

A petição, que está rolando pelo sistema interno de comunicação da empresa há algumas semanas, não afirma que o Google tenha alguma intenção de se envolver com aplicações de combate. Na verdade, ela se concentra na possibilidade de haver reaproveitamento militar da tal tecnologia, uma vez que ela for entregue.

Além disso, os funcionários expressaram preocupação de que a mera associação com aplicações militares possa prejudicar imensamente a reputação da empresa, em um momento em que o público está cada vez mais cauteloso com a inteligência artificial.

Entre as 3.100 assinaturas estão “dezenas de engenheiros sêniores”, de acordo com o Times, e representa uma minoria do quadro de mais de 70.000 contratados da Alphabet.

Leia a petição abaixo (a ênfase é deles):

Caro Sundar,

Acreditamos que o Google não deva estar no negócio da guerra. Portanto pedimos que o Project Maven seja cancelado e que o Google elabore, publique e reforce uma política clara em que o Google declara que nem a empresa nem seus prestadores desenvolvam tecnologia de guerra.

O Google está implementando o Project Maven, um mecanismo de vigilância customizada via inteligência artificial que utiliza dados de “Imagens em Movimento de Amplas Áreas” capturados pelos drones do governo dos EUA para detectar veículos e outros objetos, rastrear seus movimentos e oferecer resultados para o Departamento de Defesa.

Recentemente, os funcionários do Google expressaram preocupações sobre o Maven internamente. Diane Greene respondeu, assegurando a eles que a tecnologia não “irá operar ou voar em drones” e que “não será utilizada para lançar armas”. Embora isso elimine um conjunto estreito de aplicações diretas, a tecnologia está sendo desenvolvida para os militares e uma vez que for entregue poderia facilmente ser utilizada para ajudá-los nessas tarefas.

Esse plano prejudicará de maneira irreparável a marca do Google e sua capacidade de competir por talentos. Em meio a crescentes temores de inteligências artificiais tendenciosas e armamentistas, o Google já está lutando para manter a confiança do público. Ao entrar neste projeto, o Google se juntará às fileiras de empresas como Palantir, Raytheon e General Dynamics. O argumento de que outras empresas, como Microsoft e Amazon, também estão participando, não torna isso menos arriscado para o Google. A história única do Google, seu lema “Não seja mau” e seu alcance direto na vida de bilhões de usuários o diferenciam.

Não podemos deixar a responsabilidade moral de nossas tecnologias para terceiros. Os valores declarados do Google deixam isso claro: todos os nossos usuários estão confiando em nós. Nunca comprometa isso. Nunca. Este contrato coloca em risco a reputação da Google e está em oposição direta aos nossos valores principais. Construir esta tecnologia para auxiliar o governo dos EUA na vigilância militar – e ter resultados potencialmente letais – não é aceitável.

Reconhecendo a responsabilidade moral e ética do Google e a ameaça à reputação do Google, solicitamos que você:

1. Cancele esse projeto imediatamente

2. Elabore, publique e reforce uma política clara em que o Google declara que nem a empresa, nem seus prestadores desenvolvam tecnologia de guerra.
 
 
Fonte: Gizmodo 

 
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