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A CÂMERA PANORÂMICA EM FORMATO DE BOLA MORREU DEPOIS DE SEIS ANOS DE LABUTA

06/07/2017

panono-camera
 
 
 

Em um tempo em um smartphone mediano consegue capturar fotos imersivas em 360 graus utilizando um aplicativo, como consumidores podem ser convencidos a gastar US$ 600 em uma câmera esférica que faz a mesma coisa? Acontece que realmente não dá, e é por isso que os criadores da Panono entraram com pedido de falência e estão no processo de venda dos bens da companhia.

Trouxemos notícias sobre a Panono, a chamada bola-câmera, em outubro de 2011, quando pesquisadores da Universidade Técnica de Berlim, liderados por Jonas Pfeil, mostraram pela primeira vez sua criação. A bola tinha 32 módulos de câmeras com dois megapixels cada, ordenadas em um desenho esférico que tiraria e juntaria simultaneamente uma foto panorâmica em 360 graus assim que os sensores identificassem quando a bola atingisse o seu ponto mais alto ao ser jogada para cima.

Era um uso inteligente das tecnologias existentes para automatizar a criação de fotos panorâmicas, e depois de exibiram sua câmera-bola na Siggraph Asia 2011 alguns meses depois, havia falatório o bastante ao redor do produto para que seus criadores desenvolvessem uma opção viável para consumidores.

Dois anos depois, em novembro de 2013, o Gizmodo teve a chance de testar uma versão redesenhada da câmera, agora chamada de Panono, que estava sendo disponibilizada para os consumidores por meio de uma campanha de financiamento coletivo no Indiegogo, que buscava levantar US$ 900 mil para viabilizar a produção. A Panono redesenhada tornou fácil tirar fotos 360 graus monstruosas de 72 megapixels que eram baixadas automaticamente em um aplicativo para celulares, mas US$ 600 por uma unidade na pré-venda parecia um valor exorbitante para uma câmera com funcionalidades muito específicas.

Apesar do preço alto, a campanha da Panono no Indiegogo conseguiu alcançar com sucesso US$ 1,25 milhão e em 2016, cinco anos depois do produto entrar no nosso radar, as primeiras unidades começaram a ser enviadas para os apoiadores e para os analistas. Mas em 2016, as fotos panorâmicas em 360 graus já eram muito mais fáceis de tirar utilizando aplicativos para celular, ou com dispositivos mais simples e baratos, como as câmeras Theta da Ricoh. Ainda que fosse fácil de usar, obter bons resultados com a Panono exigiam estar nas condições de luz adequadas e técnicas obtidas com a prática, além de ser preciso enviar as imagens para os servidores da companhia para elas serem adequadamente reunidas era um pesadelo para o pacote de dados, caso você não estivesse conectado em uma rede Wi-Fi.

A versão pronta para consumidores da Panono simplesmente não era tão polida quanto deveria para justificar o preço de US$ 600 – ou sua existência em 2016 – e mesmo com o sucesso da campanha de financiamento coletivo, apenas cerca de 400 câmeras foram enviadas aos apoiadores, de acordo com o pessoal do DPReview. Em maio, a empresa pediu oficialmente a falência, e em uma carta enviada recentemente aos apoiadores do Indiegogo, noticiada pelo DPReview, o co-fundador da empresa, Jonas Pfeil, confirmou que a venda dos bens da companhia estava quase finalizada.

Os detalhes sobre quem exatamente está comprando esses bens da Panono, incluindo hardware e propriedade intelectual, não foi revelada, mas Pfeil explicou que o dinheiro das vendas estava sendo utilizado apenas para pagar as dívidas existentes da companhia, e que o comprador não teria nenhuma obrigação com terceiros. Em outras palavras, se você apoiou a Panono no Indiegogo e ainda não recebeu sua câmera, provavelmente isso não acontecerá nunca. E se você chegou a receber, os servidores que juntava as imagens de cada câmera continuarão a funcionar.

O site da Panono não faz nenhuma menção à falência da empresa e parece que eles ainda estão vendendo o produto por absurdos US$ 2.400. Se apenas 400 câmeras foram enviadas aos 2.608 apoiadores que compraram o dispositivo na pré-venda por meio do Indiegogo, qual é a dessas câmeras “em estoque” que a empresa ainda oferece em seu site?

A Panono era inegavelmente uma ideia divertida e ficamos sentidos em vê-la partir em definitivo depois de todos esses anos. Dito isso, essa é um bom lembrete de que nem sempre uma ótima ideia se torna um bom produto. Os riscos envolvidos com o apoio de produtos financiados coletivamente não desaparecem magicamente quando o objetivo é alcançado.

Atrasos inesperados e novos custos são ocorrências comuns durante o desenvolvimento de um produto, mesmo para companhias bem estabelecidas que passaram por esse processo inúmeras vezes. Os talentosos criadores da Panono tinham um produto completamente funcional antes mesmo de lançar a campanha no Indiegogo, mas ainda assim não conseguiram superar os obstáculos de produção para entregar o produto aos consumidores. Financiar um produto coletivamente significa praticamente colocar todo o risco no consumidor, e as histórias de sucesso no Kickstarter e Indiegogo foram poucas e já passaram há alguns tempo. O risco simplesmente não parece mais valer a pena.

Entramos em contato com Jonas Pfeil por um email que temos registrado e atualizaremos a publicação se tivermos novidades.

 


 
Fonte: Gizmodo

 
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