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COMO NOSSOS SMARTPHONES SÃO PIORES PORQUE NOS IMPORTAMOS PRIMEIRO COM A ESTÉTICA

28/11/2016

Quem conferiu a entrevista com o CEO da Asus, Jerry Shen, viu a ordem de prioridades que ele colocou as características de um smarpthone: design, câmera, autonomia e performance e, por fim aúdio e recursos de segurança. Parece não fazer sentido para o pessoal que cuida cada minúcia dos aparelhos, que acessa análises de smartphones e que goste de discutir especificações, mas Shen está muito mais alinhado com o público em geral: a maioria dos consumidores são mais influenciados "pelos olhos" do que por especificações técnicas. Seja pela aparência do aparelho, seja pela beleza das fotos que eles batem.

Enquanto consumidores mais conscientes vão gastar horas vendo análises de aparelhos, uma fatia considerável dos compradores em potencial vão para a loja com um preconceito do tipo: vou comprar Samsung porque gostei do último (mesmo considerando que a família Galaxy vai desde aparelhos excelentes até péssimos), e também com vontade de mexer nos que estiverem por lá. A estética ganha prioridade porque o smartphone precisa impressionar nos poucos segundos que vai ter a atenção desse possível consumidor.

O problema acontece quando o design é tão priorizado que acaba influenciando negativamente em outros aspectos da experiência com o aparelho. Vamos listar aqui alguns exemplos de como os smarpthones acabam se tornando dispositivos piores porque a estética é supervalorizada em detrimento dos demais fatores.

O som é muito ruim

As grelhas de caixas de som são feias. São um padrão feio quer arruína qualquer tentativa de fazer algo "clean" e ainda por cima acumulam sujeira. Resultado: muitos smartphones, especialmente os topo de linha, fazem o máximo de esforço possível para jogá-los para longe de nossa vista, muitas vezes na parte de baixo e em um canto.

Esse posicionamento é eficiente em deixar essas coisas horrorosas escondidas, mas ferra a vida do áudio. Ele fica mal direcionado (as vezes para o lado, as vezes até para trás) e em uma posição que facilmente é abafada se você segurar o aparelho pegando pelas bordas, algo comum na hora de jogar ou ver um vídeo. Na maioria das vezes o áudio também é mono, já que só está posicionado em um canto. Pra fechar a ineficiência dessa parte da experiência, sons mais intensos nos tons graves envolvem caixas... grandes. Naturalmente não tem espaço para isso em um design que tentar ser ainda mais fino que o do ano passado.

As cores são muito saturadas

Você tem que impressionar já de cara. O que você faz com a tela? Deixa mais brilhante e saturada possível. Enquanto a luminescência é bastante útil, já que mais brilho de tela ajuda na hora de olhar o display em um ambiente muito claro, as cores exageradamente saturadas "enchem os olhos" no começo, mas tendem a ser cansativas com o uso mais prolongado do dispositivo. Não é a toa que a maioria dos aparelhos AMOLED que testo, uma das primeiras coisas que faço é procurar uma configuração para reduzir a saturação das cores.


Cores melhores que as da realidade

 

Resolução exagerada na tela

Onde está a intersecção entre forçar a barra na aparência e enfiar especificações "por enfiar"? Resoluções de tela. Por conta de seu porte, a maioria dos smarpthones já estão muito bem com telas de resolução FullHD (1920x1080). Phablets até podem ter algum uso para resoluções superiores como QuadHD ou até o 4K (a maioria nem tem TV com essa resolução!), mas em geral o ganho não é tão significativo para experiência final, e traz efeitos colaterais como aumento do preço e mais consumo da performance de componentes e bateria.


Xperia Z5 Premium. Tela 4K porque sim

Os smartphones topo tem aparecido com o QuadHD (2560x1440), enquanto os intermediários vem com algo entre o FullHD e HD. Aparentemente isso estabilizou dessa forma, e não precisa mais que isso. Alguém aí aposta em uma tentativa para o 4K na próxima geração?

Pouca bateria

Um dos principais responsáveis por aumentar o tamanho de um celular é a bateria, um dos maiores componentes presentes na maioria dos aparelhos. Na luta para perder medidas, a bateria acaba sendo limitada, mesmo considerando a grande quantidade de funções que um smartphone possui. O resultado é uma realidade onde os usuários mais comedidos conseguem até dois dias de bateria, normalmente, enquanto os "heavy users" torcem pra conseguir ter um celular o dia todo. 

A essa altura todos nós habituamos com essa vida de carregar todo dia, e um processo típico de síndrome de Estocolmo talvez faça alguns de nós ter parado de perceber como as coisas não funcionam bem da forma como estão. Se acha que estão bem assim, e as baterias não andam tão mal, basta listar uma frase que é puro terror do século XXI: "esqueci meu carregador".

Aparelhos mais frágeis

Você tem um aparelho que está em uso constante e suscetível a quedas por conta desse cotidiano. Qual material ideal para ele? Ultimamente muitas empresas estão usando... vidro. Todo mundo sabe que traseiras de vidro são uma péssima ideia desde os tempos de Nexus 4 ou o iPhone 4S, mas isso não impediu de ele estar presente em muitos aparelhos por ser um material bonito. Nada é mais resistente que um bom e velho emborrachado, ou até mesmo o aquela vez que a Motorola usou kevlar. Mas o efeito não ficou lá muito bonito:

 

Ergonomia pior

Os smartphones mais confortáveis costumam ter algumas características em comum: costumam ser arredondados, um pouco espessos, com materiais foscos e, na maioria das vezes, especialmente feios. O Galaxy S5 era assim, o Moto X Force, o Moto E, o LG G3... não eram os mais belos aparelhos de sua geração, mas o acabamento curvado na parte traseira deixava o encaixe nas mãos bem firme.

Com o foco no visual, a maioria dos aparelhos estão com aquele jeitão "reto", menos confortável. E lembra do vidro? Pois é, esse também não é dos materiais mais aderentes, e acaba contribuindo para uma ergonomia menos eficiente.

Falta de conexões

Chegou a hora de falar mal da Apple, e também de todo mundo que vai copiá-la. E de você também, Lenovo/Motorola. É óbvio que a falta de espaço nos smarpthones impossibilita os usuários de ficar enchendo de conexões os dispositivos móveis, e ninguém aqui quer um cabo ethernet no celular. Porém padrões como o P2 são onipresentes na indústria, e retirá-los não é um ato de coragem, é só algo que vai dar dor de cabeça ao consumidor. E pouca coisa indica mais uma decisão errada de projeto que a necessidade de um adaptador.

 

É claro que não estou sugerindo que nossos smartphones virem tijolos para garantir baterias monstruosas, um formato ergonômico como o de um controle de videogame ou espaço para colocar uma porta USB e VGA em uma lateral. Smartphones só se tornaram um produto tão amplamente popular por conseguirem unir tantas capacidades em um design tão compacto que pode ser usado no dia-a-dia com praticidade. Mas, como em muita coisa na vida, é bom um balanço. Estamos tão preocupados com smarpthones bonitos que eles acabam perdendo um pouco de seu potencial.
 
 
 
Fonte: Adrenaline

 
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