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OS PRÓS E CONTRAS DE REMOVER A ENTRADA PARA FONE DE OUVIDO DOS SMARTPHONES

05/07/2016

iphone 6 e caixa

Existe uma discussão no mundo tecnológico sobre a remoção da entrada de fone de ouvido dos smartphones. A Lenovo o removeu do recém-apresentado Moto Z, que deve chegar ao Brasil em setembro, e há fortes rumores (rolando pelo menos desde o ano passado) de que o próximo iPhone deve vir apenas com uma porta Lightning.

Mais do que falar se a decisão é justa ou não, acho que devemos discutir o que está em jogo e os possíveis prós e contras da medida.

O que diz quem é contra

O padrão de conectores está aí há muito tempo, e você, provavelmente, tem mais de um fone de ouvido. Imagine um mundo em que você, após comprar um smartphone, precise adquirir ou usar um adaptador para usar seus dispositivos antigos. Seria também um impacto desproporcional aos consumidores, sobretudo se houver fragmentação — caso os rumores sejam confirmados, a Apple deve ter a entrada Lightning, enquanto aparelhos Android devem adotar o USB-C.

No caso específico do Moto Z, o próprio site do produto diz que ele virá acompanhado de um dongle (adaptador) que se conectará à porta USB-C e que terá uma porta de fone de ouvido. Considere a mera possibilidade de perder esse pedaço de fio e ficar sem poder ouvir música ou mesmo responder/realizar chamadas de forma discreta. Outra situação que será impossível é escutar algum áudio enquanto carrega a bateria do aparelho — por ter apenas uma entrada, ela deve atender apenas a uma função.

O Moto Z virá apenas com uma porta USB-C; ainda não sabemos se será possível carregar o smartphone e conectar um fone com a ajuda de algum adaptador 

Digamos que você superou a questão dos fios e decida comprar um fone de ouvido Bluetooth. Apesar de haver dispositivos bem bons, há um problema tecnológico conhecido e bem grave. Depois que acabar a bateria, já era! Não dá mais para ouvir nada.

Em comunicado ao Gizmodo Brasil, Tuong Nguyen, analista de pesquisas do Gartner, ressaltou ainda um outro argumento: os benefícios da remoção ainda não estão claros. Fala-se na construção de dispositivos com baterias maiores e em áudio de melhor qualidade. No entanto, até o momento, não há razões sólidas para que a remoção da entrada melhore bastante a autonomia de um aparelho – o conector ocupa pouco espaço e traria pouco benefício, como argumenta o desenvolvedor Steve Streza em um ótimo artigo publicado no Medium – nem que a saída de som por outra porta (seja USB-C ou Lightning) seja muito superior.

Por fim, e não menos importante, está um dos argumentos ressaltados em uma lista feita pelo The Verge sobre motivos para não acabar com a entrada de fone de ouvido:

Levante sua mão se o que você mais quer em seu próximo smartphone é ter menos portas ou mais dongles.

Eu acho que ninguém quer. Você quer ter uma melhor autonomia de bateria, não? Todo mundo quer isso.

O que diz quem é a favor

Dizem ser inconcebível que, em pleno século XXI, smartphones de última geração tenham uma entrada de áudio que ainda seja analógica. Logo, já estaria mais do que na hora de as empresas fazerem algo e disponibilizarem aparelhos que tragam um novo padrão de áudio.

A Intel, por exemplo, diz que adotar o áudio via USB-C traria uma série de vantagens: fones de ouvido e saída de áudio com qualidade potencialmente melhor; mais opções para controles remotos; e energia para fones com cancelamento ativo de ruído.

Changzhu Lee, vice-presidente de smartphones da Huawei, diz ao Android Central que “a entrada de 3,5 mm para fones se torna redundante” com o USB-C. A chinesa LeEco também aposta na entrada USB-C para áudio.

Após a introdução da porta Lightning em iPhones, algumas marcas, como a Audeze e a Philips, fizeram headphones com o padrão de porta da companhia. E a crítica de modelos de ambas as marcas foi  positiva — apesar de serem produtos caros, que variam entre US$ 200 e US$ 800. Com a popularização da porta USB-C, a tendência é que haja o equivalente em dispositivos Android.

philips-fidelio

A Philips já fez fones de ouvido com a tecnologia Lightning, exclusiva para aparelhos Apple

Já conseguimos superar as unidades de disquete, CD-ROM e até DVD-ROM (alguns computadores portáteis atualmente nem têm mais), pois deixamos parte de nosso conteúdo na nuvem ou em serviços de streaming. Como argumenta John Gruber, do blog especializado em Apple Daring Fireball, às vezes a indústria deve fazer apostas em novos padrões:

“Agora parece a hora certa para levantarmos a seguinte questão: a entrada de fone analógico deveria ficar para sempre em nossos dispositivos? […] Se você acha que não, quando? Talvez agora possa ser a hora errada, e a Apple fará uma besteira. Eu não sei se vai ser assim. Nenhum de nós fora da indústria parece saber direito, pois todos esses vazamentos mostram um novo iPhone sem a entrada de áudio. Também devemos lembrar que historicamente a Apple provou ser boa em remover entradas tradicionais em seus dispositivos.”

Ter uma nova porta que permita uma transmissão de áudio mais confiável e de alta qualidade pode ajudar a incentivar os consumidores e as empresas envolvidas a entrarem, definitivamente, na nova era de som móvel.

Ok, mas e aí?

A decisão de tirar a entrada do fone de ouvido vai acontecer em algum momento. É inevitável que as pessoas acabem buscando padrões de qualidade melhor de áudio. No entanto, por enquanto, é uma questão que é conveniente para a Apple, que conta com uma porta proprietária e usada apenas em seus dispositivos. Faz parte da estratégia da empresa tentar “amarrar” seus clientes a sua linha de hardware — que, geralmente, tem altas margens de lucro.

Além disso, não é a primeira vez que a empresa toma decisões baseadas em seus próprios interesses, conforme explica o desenvolvedor Steve Streza:

“O que é bom para a Apple não é necessariamente bom para você. Há vezes em que a Apple toma decisões para beneficiar os consumidores, como assuntos relacionados à privacidade e segurança. Porém, a mesma empresa lançou o Apple Maps sabendo que o produto do Google Maps estava anos à frente deles, pois era bom para a companhia não manter a parceria com o Google.”

No caso da Lenovo, com o Moto Z e sua única porta USB-C, creio que a marca não tenha feito um bom marketing ao ressaltar as possíveis vantagens do padrão — durante a keynote, não houve nenhuma menção direta. Pelo menos, a empresa vai incluir um adaptador, que permitirá plugar no aparelho o fone convencional que você tem em casa. Pode ser uma boa forma de introduzir um novo padrão, mas sem deixar o anterior completamente de lado.

Ainda precisamos testar as vantagens práticas de ter apenas uma conexão nos smartphones. Porém, por ora, parece ser um mau negócio para os consumidores, e bom para fabricantes — tanto de smartphones como de companhias que fazem dispositivos de áudio.
 
 
 
 
Fonte: Gizmodo

 
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