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APPLE IPHONE SE: HARDWARE ATUAL EM UM CORPINHO DE 2012

04/07/2016

Em março, a Apple não exatamente surpreendeu o mundo ao anunciar o iPhone SE, um novo iPhone que, na prática, não tem nada de novo. É um aparelho com tela de 4 polegadas na era das telas gigantes, mas com um hardware digno de respeito – afinal de contas, é basicamente o mesmo do iPhone 6S, com uma ou outra diferença.

Mas será que o mundo quer telas menores? Será que há espaço para 4 polegadas hoje em dia? Passei alguns dias com o iPhone SE em mãos para saber a resposta para isso. Em resumo, diria que sim, seria ótimo se mais smartphones fossem lançados com telas menores – nas linhas abaixo, explico em detalhes.

Retorno às telas pequenas

Uma tendência no mundo dos smartphones nos últimos anos foi o crescimento das telas. A linha Galaxy S, da Samsung, por exemplo, tinha 4 polegadas em seu primeiro modelo, de 2010, e esse número só aumentou até a geração atual, o S7, que tem até 5,5 polegadas (no modelo Edge).

A Apple resistiu bastante ao crescimento das telas e só abandonou as 3,5 polegadas no iPhone original em 2012, com o lançamento do iPhone 5. Ele tinha 4 polegadas. Mas não era o bastante, e o iPhone 6, de 2014, foi lançado com tela de 4,7 polegadas (enquanto o 6 Plus tinha 5,5 polegadas).

Com o passar do tempo, os consumidores ficaram sem opções boas de smartphones premium com telas pequenas – ou ao menos não tão grandes – e hoje em dia é bem difícil encontrar um Android flagship com as 4,7 polegadas do iPhone 6S. A Apple acha que há mercado para os displays mais modestos, e por isso lançou recentemente o iPhone SE, que retorna às 4 polegadas da linha 5/5C/5S.

Estou acostumado com as telas enormes dos Android há anos. Por isso, era esperado que eu estranhasse, ao menos nos primeiros dias, o retorno às 4 polegadas do iPhone SE que peguei para testar. Mas quer saber? Depois de me reacostumar ao tamanho antigo, percebi que há sim espaço para esses displays menores.

O iPhone SE não tem nada de revolucionário, mas serve para nos lembrar de tempos em que conseguíamos alcançar todos os cantos da tela segurando o aparelho com apenas uma mão – isso era bom, e ainda pode ser.

Design antigo

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O iPhone SE não tem absolutamente nada novo. O design dele, inclusive, já tem alguns anos de vida. Isso porque a Apple aparentemente reaproveitou o que já tinha feito (e que deu certo) com o iPhone 5: um corpo metálico bastante elegante, a parte frontal com bastante espaço inutilizado e o botão home tradicional do iPhone (com o Touch ID).

A câmera traseira posicionada no canto superior esquerdo do aparelho com o flash duplo introduzido no 5S. A entrada de fone de ouvido na parte inferior do dispositivo, ao lado do conector Lightning e dos alto-falantes.

Não vejo isso como um problema, embora seja um indicativo de uma certa falta de criatividade por parte da Apple. Coloque um iPhone SE ao lado de um 5S e dificilmente alguém vai conseguir dizer qual é qual apenas olhando o dispositivo. Poderia ser diferente? Poderia, mas também não é como se o design dele fosse feio no passado, e continua não sendo hoje.

Quem gostava do 5S vai gostar do SE, e quem não gostava não tem motivo algum para começar a gostar agora.

Hardware atual

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Mas ele só é igual ao 5S por fora. Por dentro, o SE é bem mais parecido com o 6S, e isso é excelente. É parecido, não é idêntico: a ausência do 3D Touch, e a câmera frontal de apenas 5 MP são algumas das diferenças. Mas são diferenças tão pequenas que são quase imperceptíveis – a não ser que você goste muito mesmo do 3D Touch. (Alguns recursos do iOS 10 que dependem de pressionar a tela, como as notificações interativas na tela de bloqueio, funcionarão no iPhone SE também.)

O SE tem o desempenho de um smartphone flagship de 2015, e isso é excelente. Ele é rápido como espera-se de um aparelho dessa faixa de preço, a câmera traseira é tão espetacular quanto a encontrada no 6S. E ele ainda tem o bônus de ser pequeno: ele cabe no seu bolso, você pode usar com uma só mão sem dificuldade.

Não vou entrar em muitos detalhes sobre desempenho e câmera, visto que nesse ponto ele é idêntico ao 6S. Já publicamos um review sobre o 6S e não há muita coisa diferente a ser dita em relação ao SE. E todas as fotos desta galeria foram tiradas com a câmera do SE – sim, ela é excelente.

Bateria respeitável

Não é como se o iPhone SE representasse a solução para todos os problemas de bateria de smartphones do mundo, mas nesse aspecto ele faz um bom papel. Talvez influenciado pela tela 720p que acaba consumindo menos do que os displays 1080p dos iPhones maiores, o SE aguenta tranquilamente um dia inteiro de uso.

Mas é isso: ele não vai aguentar muito mais do que um dia longe da tomada, caso você faça um uso moderado do aparelho. O moderado que eu digo é o que considero um dia cheio: saia de casa com a bateria cheia, use 4G, ouça música, navegue na internet, tire umas fotos, leia e envie emails, faça até algumas chamadas telefônicas e, mesmo que você estique um pouco seu dia e chegue em casa só lá pras 23h, é bem provável que ele ainda esteja com carga.

Repita isso todos os dias, e dificilmente vai ter algum momento em que ele vai te deixar na mão. Mas claro, não significa que é uma boa ideia deixar cabos e carregadores de lado e apostar apenas na bateria dele para o seu dia – afinal, nunca se sabe quando seu uso vai ser mais intenso do que de costume.

Vale a pena?

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Não só eu me acostumei depois de alguns dias com a tela de 4 polegadas do iPhone SE, como eu estava gostando. A sensação de conseguir alcançar todos os cantos da tela é excelente, assim como a de segurar um smartphone que realmente cabe na minha mão.

Se nos primeiros dias eu sofria um pouco para digitar naquele teclado virtual minúsculo, isso tudo ficou tão natural com o passar do tempo – conseguia digitar no SE com a mesma facilidade que digito em um Android com tela gigante.

Telas menores deveriam ser uma opção mais frequente. Dispositivos com Android estão crescendo cada vez mais e quem não gosta disso tem que simplesmente aceitar o fato – mesmo os aparelhos de entrada e intermediários estão enormes, e dispositivos com menos de 5 polegadas praticamente sumiram das prateleiras. Mesmo que o SE não tenha nada de novo, só dele ser uma opção para quem quer um smartphone potente e pequeno já é algo positivo.

Somado a isso está o fato dele ser menos caro do que o iPhone 6S – custa a partir de R$ 2.700 em 16 GB, ou R$ 3.000 com 64 GB – fazendo assim dele uma opção relativamente mais em conta para quem curte o iOS.

Como os smartphones Android estão cada vez mais caros, também superando facilmente a barreira dos R$ 3.000, ele acaba se tornando uma opção viável para quem quer um aparelho premium, independentemente de qual sistema operacional a pessoa prefira. Não é o melhor smartphone do mercado, não tem nada de revolucionário muito menos de inovador – mas tem suas virtudes.
 
 
 
 
Fonte: Gizmodo

 
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