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´GRUPOS CRIMINOSOS ORGANIZADOS ATACARAM MAJU´, DIZ PROMOTOR

11/12/2015

O Ministério Público de São Paulo apreendeu, na manhã desta quinta-feira, computadores e smartphones nas casas e locais de trabalho de 12 suspeitos de participar de ataques racistas à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo, em julho deste ano.

À BBC Brasil, o promotor Christiano Jorge dos Santos, que conduz as investigações, disse que o principal trunfo da Operação Tempo Fechado foi identificar quem são e como se comportam os membros de grupos secretos que articulam comentários racistas ou homofóbicos no Facebook.

"A novidade é a confirmação de que há grupos organizados. Não se trata de uma ação espontânea, que ganha volume em cadeia. São organizações criminosas com distribuição nacional, literalmente do Rio Grande do Sul ao Amazonas."

Até agora, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em oito Estados - Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A operação envolveu mais de 20 promotores de Justiça ligados a grupos de combate ao crime organizado do Ministério Público, além de dezenas de policiais.

De acordo com Santos, os grupos atuam a partir de uma dinâmica de disputa e competição. Quanto maior for a atenção midiática e o número de curtidas e compartilhamentos dos ataques, maior é o prestígio entre os "rivais".

"Eles querem notoriedade, competem entre si e agem como gangues de pichadores, em que uma quer sempre aparecer mais do que a outra", afirma o promotor.

"Eles não sabem explicar o porquê do preconceito como estratégia de reconhecimento", acrescenta. "Indagados, dizem apenas que usam ´humor negro´."

Aliciamento

De acordo com Santos, que recebeu a reportagem em sua sala na 1ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, apenas três menores de idade foram identificados - dois deles confessaram participação nos ataques.

"Todas as atividades mais importantes, como o aliciamento de participantes e a coordenação dos grupos que fizeram os ataques, partiram de adultos", diz o promotor.

Ele explica que os administradores dos grupos "pescam" novos membros em salas de bate-papo e páginas com conotação racial. "Mesmo aquelas com tom aparentemente de brincadeira, como ´nega maluca´. Quem faz comentários racistas por ali é convidado pelos organizadores para participar de suas páginas. E ser convidado traz status."

Os suspeitos mapeados pelo Ministério Público são investigados pelos crimes de injúria qualificada, racismo, organização criminosa e, eventualmente, aliciamento de menores.

A investigação continua. "Puxamos o rabo do gato e veio um tigre", afirma. "Os primeiros suspeitos ouvidos entregaram muita gente."

Os artigos eletrônicos apreendidos passam, neste momento, por perícia. Imagens de pedofilia foram encontradas no computador do administrador de um dos grupos. 
 
 
 
Fonte: Uol

 
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