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COM VERSÃO EM PORTUGUÊS, ´INSTAGRAM PARA MÉDICOS´ APOSTA NO BRASIL PARA CRESCER

26/10/2015

O médico canadense Joshua Landy não se esquece do caso de uma jovem que morreu pouco mais de uma semana depois de retornar de uma viagem na América Latina.

Dias depois da internação, a equipe que acompanhava a paciente conseguiu finalmente chegar a um diagnóstico: queimadura por taturana.

Eles entraram em contato com especialistas brasileiros, que lhes enviariam dentro de 48 horas um soro para fazer o tratamento. Mas a jovem acabou morrendo antes disso.

E Joshua sempre pensa que talvez o aplicativo que ele inventou teria ajudado a salvá-la.

Apelidado de "Instagram dos médicos", o Figure1 é um aplicativo de compartilhamento de imagens dedicado a profissionais da saúde, em que eles podem postar exames ou fotos de pacientes (sem identificá-los) para discutir casos.

"Com o app, é possível entrar em contato instantaneamente com médicos e outros profissionais da saúde de diferentes países e formações. Se o caso é sobre uma doença que você não conhece bem, como queimadura de taturana, alguém no outro canto do mundo pode ser especialista nisso. E um tratamento pode ser feito de maneira mais rápida", disse Joshua à BBC Brasil.

Para facilitar as buscas, as fotos postadas são divididas por especialidade médica (alergia, dermatologia, medicina familiar, laboratório, neurocirurgia, radiologia, etc.) ou por anatomia (pulmão, olhos, vias aéreas, membros inferiores, etc.).

Qualquer um que se cadastrar no app pode ver as imagens, mas apenas os profissionais médicos cujo perfil foi checado --o aplicativo tem uma equipe que verifica os cadastrados-- podem publicar fotos e comentar.

Lançado em 2013, o número de profissionais cadastrados do Figure1 subiu de 100 mil no ano passado para 500 mil neste ano. São médicos, profissionais de enfermagem e dentistas de 170 países.

"Esse alcance é muito importante. Eu mesmo tive a ideia do app de madrugada, quando estava de plantão querendo ouvir outras opiniões sobre um caso, e a maioria dos meus colegas estava dormindo. Mas no Japão, os médicos já estavam trabalhando a todo vapor."

Mercado brasileiro

Joshua conta que uma das próximas estratégias do app é investir em versões em outros idiomas --atualmente, ele só está disponível em inglês.

"A primeira versão do Figure 1 em língua não inglesa será em português do Brasil e deve ficar pronta nos próximos meses. Temos um número expressivo e crescente de usuários no Brasil, especialmente de estudantes de medicina", conta Joshua, que prefere não revelar os números exatos de brasileiros cadastrados.

"Estudantes, residentes e recém-formados, seja do Brasil ou de qualquer outro país, cresceram com o celular nas mãos. Então, para eles, é algo natural usar um aplicativo como parte do trabalho ou dos estudos."

O canadense --que apesar da nova carreira de empreendedor no mundo da tecnologia segue trabalhando como intensivista-- conta que eles recebem diariamente histórias de usuários contando como o aplicativo os ajudou a solucionar casos difíceis ou a aprender mais sobre determinado tema.

"Temos desde casos com exames sofisticados até médicos que trabalham em condições precárias. Um deles nos contou que trabalha em vilarejos da Amazônia peruana e, isolado e sem possibilidade de pedir exames, usa o Figure1 para ajudar em seus diagnósticos."

Para Joshua, o Figure1 é um passo além dos aplicativos de mensagens instantâneas, como o Whatsapp --já muito usado por médicos para discutir casos em grupos formado por colegas da mesma especialidade-- por conta do alcance e do dispositivo que bloqueia a face do paciente ou marcas que o identificam (como tatuagens) para manter sua privacidade.

Mas será que os médicos brasileiros concordam? A BBC Brasil ouviu a opinião de cinco deles sobre como o Figure1 facilita (ou não) suas vidas.

Mayra Gasparetti, 32 anos, residente de anestesiologia

"Achei positiva a separação por categorias. É algo que ajuda bastante. Também gostei do fato de, pelo menos na minha área, vários dos casos já terem diagnósticos e evolução do tratamento. Isso ajuda bastante no aprendizado.

Um ponto negativo é que normalmente não temos como esperar para receber uma resposta. Temos que rapidamente pedir exames e iniciar um tratamento. Então, eu geralmente discuto dúvidas de diagnósticos com meus colegas. Isso porque no meu caso, há geralmente outro colega de plantão. Já uso bastante outros apps, como os que calculam doses de anestesia para crianças, além do Whatsapp.

Acho que o Figure1 é útil para reconhecer casos raros e lembrar da conduta a ser tomada."


Mariana Franco de Oliveira, 33 anos, estudante da faculdade de Ciências Médicas de Santos

"Gostei muito do app. Ele realmente ajuda na discussão de casos clínicos. Como ainda estou no segundo ano, não tive a oportunidade de usá-lo na prática, mas me ajudou a identificar alterações discutidas em aula.

Uso o Whatsapp para debater casos, mas nosso grupo tem apenas membros do estágio. Então, pretendo continuar usando o Figure1."


Denise Borges, 34 anos, alergista

"Gostei do aplicativo e achei útil para dar uma olhada em casos típicos da minha especialidade. Senti falta de uma discussão mais aprofundada em alguns casos.

O ponto negativo, para mim, é o fato de não sabermos exatamente quem está opinando, se são pessoas capacitadas ou não."

André Barros, 34 anos, radiologista

"Achei o app muito interessante, principalmente para médicos que fazem plantão em pronto-socorros e emergências. Achei a ideia inovadora, uma ferramenta de estudo rápida e prática.

Mas achei que peca um pouco no debate final dos casos --muitos deles ficam sem resposta. Na minha área, existem sites mais completos, com mais conteúdo, como é o caso do Aunt Minnie."


João Victor de Sousa Cabral, 23 anos, estudante de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (embaixador do Figure1 no Brasil)

"Eu uso muitos sites, grupos no Facebook e aplicativos para ajudar a discutir hipóteses ou fechar diagnósticos de casos estudados em aula (estou no 4º ano) ou nos estágios no hospital.

Acho o Figure1 útil para aprender mais sobre alguns temas. No semestre passado, estava estudando eletrocardiograma e no app vi muitos casos que me ajudaram a consolidar o que foi passado na classe. Também acho interessante ter profissionais de fora do Brasil."



Fonte: Uol

 
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