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FUNDADORA DO TINDER CRIA APP FEMINISTA DE PAQUERA: SEM FOTOS DE NUS INDESEJADOS

14/10/2015

Mulheres que usam sites ou aplicativos de paquera costumam reclamar de homens que lhes enviam fotos de suas genitálias - sem que elas tenham pedido.

Whitney Wolfe, cofundadora do aplicativo Tinder, quer que sua nova empreitada rompa esse ciclo e coloque fim ao assédio que as mulheres sofrem online.

A empreendedora de 26 anos descreve sua start-up, chamada Bumble, como "um app feminista de paquera", em que homens acabam sendo mais educados, porque são as mulheres que dão o primeiro passo.

Cabe apenas à mulher escolher com quais potenciais parceiros haverá contato - as restrições no app impedem os homens de iniciar conversas.

Segundo Whitney, isso diminuiu consideravelmente "o comportamento abusivo e o assédio" entre os usuários do aplicativo e criou um ambiente mais igualitário no mundo da paquera virtual.

"Em todos os outros aspectos da vida de uma mulher, estamos lidando com as nossas vidas de uma maneira bem independente", diz Whitney, em entrevista à BBC em seu moderno espaço de co-working em Austin, no Texas (EUA).

"Nós trabalhamos, criamos, apoiamos nós mesmas e isso é algo estimulante. A única coisa que não se atualizou foi a maneira como nos relacionamos. Independentemente do seu país ou faixa etária, ainda persiste uma regra não escrita de que o homem é que tem de tomar a iniciativa (na paquera) e sair ´à caça´."

A palavra "feminismo" tem sido apropriada e distorcida, diz ela, mas "o que ela realmente significa é igualdade entre homens e mulheres, apenas isso".

Quando a mulher toma a iniciativa, afirma Whitney, homens normalmente se sentem envaidecidos e se comportam de maneira muito mais educada.

Disputa

No mundo dos aplicativos de paquera, Whitney é famosa por ter sido a cofundadora e, depois, expulsa do Tinder.

No ano passado, ela então processou os demais fundadores por assédio sexual. Ela se recusou a discutir detalhes do caso com a BBC, mas conseguiu manter seu status de "cofundadora" - e teria recebido cerca de US$ 1 bilhão, quando o acordo judicial foi fechado, sem admissão de culpa.

E manter o título de fundadora é importante. É raro ver mulheres como criadoras ou executivas no setor tecnológico. Menos de 3% das empresas financiadas por capital de risco são controladas por mulheres, de acordo com um estudo de 2014 da Babson College sobre como reduzir a disparidade de gêneros no empreendedorismo.

"Somente uma pequena parcela de investimentos iniciais está indo para mulheres empreendedoras. Mas nossos dados mostram que empresas financiadas por capital de risco com mulheres entre os executivos têm melhor performance melhor em vários aspectos", afirma a autora do estudo, Candida Brush.

"Assim, esse mundo pode estar perdendo boas oportunidades ao não investir em mais mulheres empreendedoras."

Whitney também diz que é importante para as mulheres se sentirem empoderadas tanto na hora da paquera como nos negócios, quando muitas "hesitam" em começar suas próprias empresas.

"Há essa hesitação, algo que nos impede de crescer. E até que alguém quebre esse ciclo - e há exemplos positivos, então é algo factível -, acho que não vamos ver muitas mudanças."
 
 
 
Fonte: Uol

 
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