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LEICA Q: UMA CÂMERA DE CAIR O QUEIXO QUE VAI MUITO ALÉM DO DESIGN LUXUOSO

11/06/2015

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A Leica passou boa parte da última década lançando um ou dois produtos bons, seguidos de um monte de “edições especiais” caríssimas e algumas câmeras da Panasonic (também muito caras). A Leica Q, entretanto, finalmente traz algo novo ao mercado. Passei uma semana com ela e abaixo seguem as minhas impressões.

A Leica Q é uma câmera de lente fixa e sensor full-frame de 24 megapixels. Ela tem basicamente o corpo do modelo M, com alguns centímetros a menos, um autofoco moderno  no lugar do telêmetro, e novas lentes — f/1.7 de 28mm, para ser mais exato. As lentes são o ponto mais forte da Leica Q.

É a primeira vez que a Leica combina lentes fixas com um sensor full-frame. Inclusive, a Q é uma das duas únicas câmeras do mercado a usar tal combinação. A outra é a Sony RX1, lançada em 2013. Câmeras como essas são projetadas para nichos muito específicos: geralmente para profissionais que querem uma segunda câmera sempre à mão, ou entusiastas hardcore que querem botar as mãos na última novidade do mercado.

 
 

A Sony RX1 custava US$ 2.800 no lançamento. Levou um susto com esse preço? Então se segura: a Leica Q vai custar salgados US$ 4.250. Caro! E será que ela vale tudo isso?

Bem, vamos colocá-la em perspectiva: a Leica M, que possuía um sensor full-frame semelhante, custava US$ 7.000 só pelo corpo, sem nenhuma lente. A Q combina um sensor incrível, bem parecido ao do modelo M, com lentes sensacionais – que poderiam facilmente custar alguns milhares de dólares se vendidas separadamente.

Comparadas às lentes da Sony RX1, as da Leica são mais claras, o corpo possui um visor eletrônico, e a construção como um todo é bem sólida. Isso faz os US$ 4.250 não parecerem tão caros assim.

 

Algumas pessoas irão reclamar da falta de lentes intercambiáveis. Já consigo até ouvir as reclamações em meus ouvidos. A Leica oferece uma solução para essa limitação: quadros de focagem de 35 mm e 50 mm. É claro, as imagens resultantes destes quadros sofrem uma queda de resolução (12 megapixels em 35 mm e 5 megapixels em 50 mm).

Pessoalmente, eu acho ótimas estas câmeras modernas com lentes fixas. Elas oferecem uma qualidade extremamente boa em um pacote pequeno, e, geralmente, trazem funções ópticas excepcionais — e muito mais baratas do que custariam lentes equivalentes vendidas separadamente.

E a performance não desaponta: temos aqui um sistema confiável de autofoco, interface responsiva e, acima de tudo, qualidade de imagem surpreendente. O sensor, que é novo, produz cores naturais e ricas e faz um ótimo trabalho em baixa luminosidade. Mas o que faz a Q brilhar mesmo são as lentes.
 

As lentes de 28 mm praticamente não têm distorção. A abertura f/1.7, combinada a uma distância focal de mais ou menos 15 cm, cria um efeito incrível e suave de fundo desfocado. Ela tem um ótimo foco e vem acompanhada de um pequeno botão para mudar de modo automático para manual…

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… e um modo macro bem legal, que revela magicamente uma segunda escola de profundidade de campo.

Ainda assim, para uma câmera de US$ 4.250, existem alguns problemas: um deles é a velocidade do obturador, que é limitada a 1/2000 — uma opção eletrônica possibilita até 1/16000. Isso torna difícil usar a câmera com grandes aberturas em boa luz. A gravação de vídeo claramente não recebeu muita atenção, dada a baixa qualidade da imagem.

E, finalmente, a touchscreen: apesar da alta resolução (3,68 milhões de pontos) e de responder bem ao toque, a tela não está no mesmo patamar que as melhores câmeras do mercado quando o assunto é cor — as imagens ficavam muito lavadas em luz externa, tornando difícil julgar a exposição da imagem.

A câmera também não é muito fácil de segurar, mas essa é uma Leica, e a marca nunca foi conhecida por ter boa empunhadura em seus produtos. É possível comprar acessórios para melhorar esse aspecto, no entanto.

Mas apesar das falhas, eu acho que os consumidores de câmeras high-tech irão amar a Q. A Leica parece ter aprendido a lição com o terrível modelo X, que não impressionou com seu design questionável e lentes enfadonhas.

A Q possui mais daquele toque clássico da Leica, e ela funciona. Se você é o tipo de pessoa que teria gasto US$ 2.800 na Sony RX1, acho que você tem o perfil correto para gastar US$ 4.250 na Leica Q. Se bem que a RX1 já está bem velhinha, e é bem provável que a Sony a atualize muito em breve.
 
A melhor parte é que, diferente das inúteis edições lançadas antes, a Q é finalmente uma ferramenta para fotógrafos. Vamos torcer para que a Leica continue a trilhar o mesmo caminho no futuro.
 
 
 
 Fonte: Gizmodo

 
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