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POR DENTRO DA SÍNDROME DE MORGELLONS, A DOENÇA DA INTERNET

08/04/2015


Joni Mitchell foi hospitalizada na semana passada. Mas a artista está doente há anos. Ela descreveu sua doença debilitante como “um assassino lento e imprevisível — uma doença terrorista. Ela vai explodir um dos seus órgãos, deixando você na cama por um ano.” No entanto, médicos descrevem essa mesma doença como um meme de internet, uma ilusão que se espalha online.

Mitchell falava sobre a síndrome de Morgellons, uma doença cujas vítimas afirmam que suas peles ficam repletas de fibras parasitárias, muitas vezes surgidas a partir de feridas e lesões. Além disso, a doença causaria fadiga e outros problemas de saúde associados à coceira na pele. A doença de Morgellons não é aceita como uma realidade dentro da comunidade médica. Muitos médicos e pesquisadores creditam à internet a criação dos sintomas para difundir auto-diagnósticos de Morgellons como uma espécie de folie à deux digital. “Parece ser uma doença socialmente transmitida pela internet”, disse o especialista em ilusões em massa (sim, isso existe) Robert E. Bartholomew ao Los Angeles Times em 2006.

Em 2008, um painel de médicos respondeu questões sobre Morgellons para o Washington Post. Na ocasião, o médico Jeffrey Meffert acusou explicitamente a internet e as comunidades digitais como culpadas pela ideia da doença ter se espalhado. Céticos não veem a síndrome de Morgellons como um vírus, mas sim como uma mentira que viralizou.
 
Em 2012, o Centro de Controle de Doenças do governo dos EUA (CDC, na sigla em inglês) investigou a Morgellons e concluiu que trata-se de uma doença psicossomática. Um porta-voz do CDC me disse que o centro não coleta mais relatórios sobre a síndrome desde que o estudo foi publicado. Muitos médicos acreditam que as pessoas que se auto-diagnosticam com Morgellons têm ilusões de parasitose e infestação, e infligem as escoriações em si mesmas. Em outras palavras: é tudo coisa da cabeça delas.
 
Síndrome de Morgellons
 

Pessoas que se identificam como pacientes vítimas da Morgellons – ou “Morgies” – ficam chateadíssimas com essa avaliação. E para onde as pessoas vão quando acham que a comunidade médica vai rejeitá-las? Para a internet! As pessoas que têm o que o CDC chama de “dermopatia inexplicada” são, em grande parte, auto-diagnosticadas através de pesquisas na web, ou diagnosticadas por outros membros da comunidade através da internet. O termo “Morgellons” se espalhou pela web devido a uma mulher do estado da Pensilvânia, nos EUA, chamada Mary Leitao, que blogou sobre a inexplicável doença de pele do seu filho em 2002 e a chamou de “Morgellons”, se referindo a uma doença obscura descrita no século 17.

A maior parte dos pacientes de Morgellons começou a relatar os sintomas depois de 2002, o que faz com que alguns médicos mais céticos acreditem que a informação sobre Morgellons na internet infecta as pessoas com uma ilusão em massa, oferecendo informações vagas demais para que elas compreendam o que está fazendo com que elas se sintam mal.

Sentindo-se traídas pela medicina moderna, as pessoas passaram a desenvolver uma bibliografia digital não-oficial coletiva sobre a doença. Eles se organizaram em grupos como o Morgellons Research Network, além da encerrada Morgellons Research Foundation, e a Charles E. Holman Morgellons Disease Foundation. Joni Mitchell até já falou em abandonar a música para focar suas energias em fazer divulgar a síndrome. Quando você dá uma olhada nos grupos de apoio a vítimas da Morgellons na internet, dá para notar uma ênfase clara em provar que os Morgies não são simplesmente malucos: são pessoas obcecadas em documentar as tais fibras em fotografias e vídeos.

 
 
Fonte: Gizmodo

 
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