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O PAI DOS COMPUTADORES QUE MUDARAM O MUNDO

15/12/2014

 

(Foto: BBC Brasil)
 
 
Clive Sinclair parece não se importar muito quando alguém questiona se ele pode ter acelerado a extinção da raça humana. Seu computador pessoal ZX Spectrum, que chegou ao mercado em 1982, foi em grande parte responsável pelo surgimento de toda uma geração de programadores nos anos 80, quando esse modelo e seus clones viraram sucesso de vendas.

Os primeiros usuários de computador no Brasil, onde a informática gozava de regras que previam reserva de mercado e dificultava importações, estarão familiarizados com a série TK, clones dos computadores ZX, criados pelo empreendedor britânico.

Já naquela época, o inventor previa que os softwares poderiam pôr fim ao “longo monopólio” das criaturas feitas de matéria orgânica como as formas de vida mais inteligentes da Terra. Parece portanto pertinente perguntar o que ele acha da recente advertência feita por Stephen Hawking de que a inteligência artificial pode levar ao fim da raça humana.

“Uma vez que você começa a fazer máquinas que rivalizam com ou que superam a inteligência humana, vai ser muito difícil para nós sobrevivermos. Então, concordo totalmente com ele”, responde. “Mas não acredito que seja necessariamente algo ruim. É apenas inevitável”.

A questão seguinte é sobre se os humanos deveriam começar a se precaver de alguma forma. “Não acho que dê pra fazer muito a respeito disso. Mas, de qualquer jeito, não é uma coisa iminente e por isso não devemos ficar nos preocupando com isso”.

Caixa de Pandora

Sua resposta é, de certa forma, mais tranquila que a de 30 anos atrás, quando ele previu que computadores capazes de se autoprogramarem seriam uma realidade em “questão de décadas e não séculos”. “No começo, pode ser freado”, disse, à época. “Alguns vão tentar interromper esse processo, mas ele vai acontecer de qualquer jeito. A tampa da caixa de Pandora está começando a ser aberta”.

Nos anos 1980, ‘Sir’ Clive, como é conhecido desde que recebeu o título de Cavaleiro da Corte britânica, em 1983, já tinha feito sucesso com computadores pessoais como o ZX80 e o ZX81, os primeiros computadores pessoais em massa produzidos na Grã-Bretanha. No Brasil, eles inspiraram o TK82 e TK85, respectivamente.

Mas foi o ZX Spectrum que realmente se tornou um fenômeno, para os brasileiros, o TK90X, um clone desenvolvido em 1985 pela companhia paulista Microdigital Eletrônica. Os modelos originais do Spectrum tinham uma memória RAM de 16 ou 48 kilobytes e levavam cinco minutos para carregar programas a partir de uma fita cassete. Mas eles mudaram a vida de muita gente.

“Antes dos produtos idealizados por Sir Clive, os computadores pessoais eram apenas kits com um teclado numérico e algumas LEDs”, diz Mike Talbot, criador de dezenas de games. “A série ZX levou os computadores para fora dos laboratórios e os transformou em objetos do tamanho de um livro, que você leva para o quarto ou para um local de estudo”.

Talbot disse que o segredo do computador eram suas possibilidades infinitas de programação, limitadas apenas pela imaginação e conhecimento técnico de cada programador. “Foi um momento crucial para muitos na indústria da tecnologia, algo que gerou inovação por parte de empreendedores e start-ups no mundo da tecnologia por décadas. Mudou fundamentalmente a indústria. O fato de ter acontecido na Grã-Bretanha tornou este país um dos líderes tecnológicos do mundo.”

Os críticos qualificavam os modelos de Sir Clive de estranhos e diziam que os gráficos nas telas misturavam as cores. O criador admitia que seus computadores eram um tanto esquisitos, mas argumentava que os consumidores não se importavam com isso. Na época, chegou a dizer que seus modelos superariam os PCs da IBM. Hoje, ele admite que seu Spectrum não tinha chances reais de conseguir esse feito. “O design deles era abominável para os nossos padrões mas, por serem da IBM, se tornaram o padrão.”

(Foto: BBC Brasil)

(Foto: BBC Brasil)

Sem e-mail

Apesar de toda sua história, Sir Clive hoje não usa email, nem internet e nem mesmo tem um computador. “Não gosto de distrações”, explica. Ele conta que prefere dedicar seu tempo a veículos elétricos e conta que está trabalhando em um bicicleta “muito radical” que vai abalar o mercado.

Mas ele já fez previsão semelhante antes, com outros produtos, e ela não se concretizou. Não seria melhor se voltasse para a computação e usasse todo seu conhecimento em uma área em que foi bem sucedido? “Olha, talvez eu volte para essa área, sim”, responde, pouco convencido. “Talvez”.
 
 
 
Fonte: Ne10

 
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