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HACKER BRASILEIRO PRESO NA INGLATERRA PODE TER ASSEDIADO 185 MULHERES

30/10/2014

Peritos cibernéticos que têm auxiliado a Polícia Federal já identificaram ao menos 185 vítimas do hacker brasileiro Cristian Pereira, preso na Inglaterra na semana passada. Ele é acusado de ameaçar mulheres em troca de sexo virtual e estava sendo procurado pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal, na sigla em inglês) pelo estupro de uma mulher em Londrina (PR), em 2012.

Além de três casos investigados na Europa, há indícios, segundo a perita em crimes cibernéticos que está auxiliando a PF, Iolanda Garay, que ele tenha abordado mulheres do Paraná, de Mato Grosso, Rondônia, São Paulo e Santa Catarina. "O alvo dele, como ele mesmo descrevia, eram mulheres bonitas e gostosas. Buscava as com ar de modelo e perfil de vaidosa", disse ela.

Com o endereço de IP, a Polícia Federal rastreou a localização de Pereira e descobriu que ele havia ido para uma cidade no interior da Inglaterra. Segundo a investigação, ele possui dupla cidadania e vivia com a família em Rolândia (PR) e na Europa --Itália ou Inglaterra.

Uma das vítimas, de acordo com o inquérito, estava grávida quando foi abordada pelo hacker e quase perdeu o bebê. Da posse de vídeos íntimos da jovem com o namorado, o hacker exigia que a mulher ficasse nua para ele. Caso contrário, os vídeos seriam publicados na internet.  Em vídeo, conseguido com exclusividade pelo UOL, Pereira, ao insistir que a vítima tirasse a roupa em frente ao computador, ele disse: "quando teu filho crescer, você explique para ele isso", disse ele, que a ameaçou: "ou vai acontecer pela internet ou vai acontecer pessoalmente. Você que escolhe. E não é a primeira vez que eu faço isso, não." No vídeo abaixo, a vítima diz que não cederia às chantagens de Pereira.
 

O brasileiro usava um perfil falso no Facebook, no qual se identificava como Fred Maya. Como explica Iolanda, o hacker se infiltrava no perfil de sua vítima por meio do perfil de uma de suas amigas, que ele já tivesse invadido. Iniciava uma conversa e acabava obtendo dados que possibilitavam a quebra de novas senhas. "Ele buscava por conversar picantes, vídeos ou fotos sensuais que pudessem servir como moeda de troca."

O investigado propunha a devolução dos materiais comprometedores, assim como a senha da rede social, em troca de sexo virtual. As mulheres eram obrigadas a aparecer peladas para ele usando a webcam, material que era usado para novas chantagens. Algumas das vítimas também relataram ameaças de estupros.

Segundo a perita, para conseguir invadir as senhas dos perfis, Pereira agia basicamente de duas formas. Enviava e-mails com links falsos, que instalam um código malicioso na máquina e servem de isca para roubar dados pessoais. Ou então se passava por uma mulher e aplicava um questionário às vítimas similar às perguntas das senhas de segurança.

"De todos os casos que já passaram pela minha mão, que não foram poucos, esse é o mais perverso. Ele é bastante perigoso, um maníaco, com traços de agressividade bem marcantes. Tanto é que, mesmo preso, consegue transmitir medo às suas vítimas", explica Iolanda.

Iolanda recomenda, portanto, atenção redobrada aos conteúdos recebidos por e-mail ou mesmo pelas redes sociais. "Duvide até mesmo de seus amigos", afirma ela, que também sugere que as pessoas evitem guardar arquivos (fotos, vídeos ou textos) comprometedores nas redes sociais. "É sempre bom também ter um antivírus atualizado", acrescenta. 

A denúncia é outro importante passo, de acordo com a perita. "É importante não se deixar levar pelo medo e pela ameaça. O maior trunfo desses maníacos é o pânico das pessoas, já que ele, geralmente, não é um bom conselheiro." Segundo ela, as denúncias devem ser feitas em qualquer delegacia civil, que a depender da gravidade encaminha o caso para a Polícia Federal ou para o órgão responsável. "Muitos acabam desistindo de denunciar por acharem que crimes virtuais não têm solução. Grande engano. Não existe mais isso. Cerca de 98% dos casos são resolvidos quando denunciados."

É importante, no entanto, que as vítimas de crimes cibernéticos preservem a prova, principalmente se o conteúdo "vazou" de um dispositivo pessoal. "Evite mexer no computador porque isso pode prejudicar a investigação forense, com a perda da prova do acesso", orienta Gisele Arantes, especialista em direito digital.
 
 
 
Fonte: Uol

 
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