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ANÁLISE: AS REDES SOCIAIS ESTÃO MUDANDO A PERCEPÇÃO DO CORPO?

17/10/2014

Quando se fala em vida moderna e em razões que levam a falta de confiança e insegurança em relação à própria imagem, rapidamente se aponta o dedo para revistas femininas e a TV.

Mas, para alguns especialistas, as redes sociais também podem influenciar a forma como vemos o corpo e instituir modelos a serem seguidos.

A britânica Kelsey Hibber relatou à BBC que mantinha poucos amigos no Facebook nos tempos de escola secundária pois ela sabia que iriam implicar com ela.

"Sempre fui alta e sempre fui um pouco rechonchuda também. Ninguém parecia notar durante a escola primária, mas, no sétimo ano, todos começaram a apontar, notar coisas, me fazendo pensar que eu era feia e não era especial", disse.

Ela ficou cada vez mais consciente de pequenos detalhes, como o formato das sobrancelhas e o tamanho da testa.

Kelsey conta que sofreu bullying entre os 11 e 16 anos, uma experiência que ela descreve como "horrível". "Era sempre sobre o meu corpo e minha aparência."

Com isso, ela mudou a cor do cabelo e parou de comer, para emagrecer e tentar se encaixar nos padrões que as pessoas exigiam.

Agora, aos 20 anos, Kelsey dirige um programa de mentores na Grã-Bretanha chamado Loud Education, que visita escolas para conversar com estudantes e aconselhar professores a lidar com o tema.

Segundo Kelsey, as redes sociais deixam adolescentes expostos.

"Você mostra o seu melhor e isto pode ser meio perigoso, pois você, naturalmente, se compara com os outros", disse.

Imagens compartilhadas

Facebook, Twitter, Instagram e vários aplicativos de mensagens como o WhatsApp estão entre as principais ferramentas usadas por adolescentes para se comunicar.

Marcio Jose Sanchez/AP
Facilidade para alterar fotos em aplicativos como Instagram gera conceitos distorcidos

Nunca se soube tanto da vida e aparência dos outros, graças à postagem e ao compartilhamento de imagens.

O assunto causa grande preocupação no país. Em 2012, parlamentares recomendaram que todos os estudantes participassem de aulas obrigatórias sobre autoestima e imagem corporal.

Uma comissão parlamentar constatou que meninas de até cinco anos de idade já se preocupam com peso e aparência.

Adultos também não estão imunes a este tipo de pressão. Segundo pesquisas realizadas na Grã-Bretanha cerca de 60% do público sente vergonha da própria aparência.

Outro sintoma do problema, segundo um relatório da comissão, foi o aumento das taxas de cirurgia plástica no país, de cerca de 20% desde 2008.

Visitas a escolas

A deputada Caroline Nokes participa de um grupo parlamentar que, junto com várias instituições de caridade, empresas e órgãos públicos, está lançando uma campanha para mudar a atitudes em relação à imagem corporal.

Ela visitou escolas e conversou com estudantes de 12 e 13 anos sobre como a mídia altera imagens para "melhorar" aparências.

A parlamentar afirma que os estudantes entenderam bem o processo, pois passam por experiências semelhantes nas mídias sociais.

"Peço para eles fecharem os olhos e, todos os que melhoraram uma imagem no Facebook, levantem a mão", disse Nokes.

Segundo ela, geralmente todos levantam a mão e uma estudante chegou a dizer que alterava todas as fotos que compartilhava.

Para Nokes, as redes sociais têm um impacto enorme na confiança dos jovens pois elas não podem ser ignoradas.

"Eles (os jovens) podem tomar a decisão de não olhar revistas ou ver TV, mas as redes sociais são a forma primária de comunicação deles e seu principal canal com o mundo exterior", disse.

"Eles estão vendo o mundo através de um filtro, e isto não é saudável."

A parlamentar quer fazer com que os adolescentes se sintam mais confiantes.

"É muito importante que tentemos incutir a confiança para que eles sejam eles mesmos", acrescentou.

Outro objetivo de Nokes é educar os jovens para que eles sejam mais cínicos em relação às imagens que costumam ver e admirar, além de trabalhar com empresas para estimulá-las a ser mais responsáveis com suas propagandas.

Ansiedade

Phillippa Diedrichs, pesquisadora do Centro para Pesquisa em Aparência da Universidade do Oeste da Inglaterra, também vê uma ligação entre redes sociais e a preocupação com a aparência.

"Quanto mais tempo se passa no Facebook, maior a probabilidade das pessoas se enxergarem como objetos", disse.

Ela explica que há uma tendência a procurar interações sociais negativas nestes fóruns e também a pedir para as pessoas comentarem sobre a aparência, o que pode levar à ansiedade.

As pessoas que usam as redes sociais também tendem a cultivar um personagem, segundo a pesquisadora.

Na opinião de Diedrichs, a resposta à esta ansiedade em relação ao próprio corpo é defender uma diversidade maior na mídia, pois não há apenas uma forma de ser saudável e não há uma aparência ideal.

Kelsey concorda. Ela reconstruiu a própria confiança ao se transformar em voluntária no YMCA aos 15 anos de idade. Quando ela foi para a universidade, começou a redescobrir quem era e se sentir confortável com o próprio corpo.

Agora, ela planeja trabalhar com propaganda.

"Quero chegar lá e mudar a regra, mudar as percepções para melhor. As pessoas são sistematicamente alimentadas (com imagens distorcidas) então por que não alimentá-las com coisas positivas?", disse.
 
 
 
Fonte: Uol

 
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