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BITCOIN É SEGURO? OSCILAÇÃO DE PREÇO E ATAQUES VIRTUAIS GERAM DESCONFIANÇA

14/03/2014

Uma das preocupações de quem deseja investir em bitcoins ou aceitar pagamentos com o dinheiro digital é a confiabilidade desse mercado. Somente em 2013, o valor da moeda em relação ao dólar teve alta gigantesca, pulando de US$ 47 (cerca de R$ 110) em abril para US$ 1.151 (R$ 2.711) em dezembro. Entretanto, em apenas um dia, chegou a cair cerca de 50% (de US$ 1.151 para US$ 576) para depois voltar a subir. Essas flutuações, além da segurança virtual, podem comprometer a moeda.

O universo dos bitcoins ainda é novo. Criado em 2009, esse método de pagamento se popularizou apenas no ano passado. Com isso, a moeda ainda é aceita em poucos lugares. No Brasil, de acordo com o site "Coin Map" (que exibe quais locais aceitam a moeda no mundo), estão registrados apenas 38 estabelecimentos que têm essa forma de pagamento. A maioria, no entanto, é composta por casas de câmbio, e não por serviços ou produtos tangíveis.
 
 

Essa falta de aceitação, segundo o economista Samy Dana, enfraquece os bitcoins e resulta em variações absurdas no preço da moeda. "Quando quase ninguém aceita a moeda em troca de algo físico, sua única funcionalidade vira a especulação em casas de câmbio. E quem usa a moeda para especular se beneficia com a flutuação de preços, podendo comprar em baixas e vender nas altas", explicou.

Dana compara ainda um bitcoin que não é aceito por quase ninguém com as milhas de viagem. "Quando você ganha milhas para viajar de avião, só é possível trocá-las em determinadas empresas. Se a moeda digital não for amplamente aceita, ela vai se transformar em só um vale", disse.

Outro fator para enfraquecimento da moeda é a descentralização de informações, que culmina na existência de várias Bolsas ao redor do mundo. "Um usuário pode comprar bitcoins em um país e revender em outro onde a cotação esteja mais alta, pois essa moeda digital não fica presa nas Bolsas, como acontece com as ações tradicionais. Isso é chamado de arbitragem", explicou Ricardo Rochman, professor de economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Fernando Ulrich, economista e escritor do livro "Bitcoin – a moeda na era digital", concorda que a possibilidade de se realizar arbitragem e a flutuação do preço são problemas da moeda, mas aposta em uma reviravolta. "Quando mais pessoas aderirem, o mercado se tornará estável. Isso vai diminuir as oscilações de preço. As variações são normais porque o mecanismo ainda é muito novo", defendeu.
 

Falta de segurança

Fora a questão estritamente financeira, a moeda virtual conta com problemas de segurança (tecnicamente falando). Um dos maiores exemplos recentes é o da casa de câmbio japonesa MtGox, que entrou com pedido de falência.

A companhia, que foi uma das pioneiras na operação de moeda virtual, afirma ter sofrido diversos ataques de hackers e perdeu 750 mil bitcoins de clientes e 100 mil bitcoins das suas próprias reservas. Apesar da cotação da moeda ser volátil, estima-se que o banco perdeu cerca de US$ 500 milhões. Já os clientes ficaram sem o dinheiro guardado do MtGox.

Há várias teorias sobre o que pode ter acontecido com o banco – inclusive que a instituição esteja mentindo sobre o roubo de bitcoins. Flávio Prippas, da Bitinvest (empresa brasileira que comercializa bitcoins), sugere que havia uma falha grave no sistema.

Segundo ele, discute-se em fóruns que o banco foi alvo de fraudes que tiravam proveito de uma falha antiga do protocolo, já corrigida nas novas versões. "Os hackers mudavam o número de transferência das operações, dando como incompletas transações de bitcoins que já tinham sido feitas", explica.
 
 
 
Fonte: Uol

 
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