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PESQUISA MOSTRA QUE TABLET JÁ É MAIS PEDIDO DO QUE BICICLETA E PATINS PELAS CRIANÇAS

09/12/2013

Ter o próprio tablet --e, por tabela, não dividi-lo mais com os pais--, é o desejo de 8% das crianças paulistanas neste Natal, segundo pesquisa Datafolha.

Para chegar ao resultado, foram ouvidos parentes de meninos e meninas de até 12 anos sobre o que eles estão pedindo.

Lançado em 2010 pela Apple e replicado por centenas de outros fabricantes, o dispositivo já desbancou a bicicleta, citada por 4% dos familiares de entrevistados.

Na pesquisa, a categoria eletrônicos soma 23% dos pedidos. Além dos tablets, videogames e jogos eletrônicos (9%) e celulares (7%) encabeçam a lista, deixando os três tecnicamente empatados. Computadores e notebooks ficaram para trás, com 1% de preferência cada um.
 

Os irmãos Dênio, 8, e Henrique Meira, 4, começaram a usar o Samsung Galaxy Note da mãe há cerca de seis meses. Mesmo com quatro videogames em casa, a dupla chega a brigar pelo aparelho. "Um dia ele me mordeu para tentar pegar", entrega Dênio.

O garoto tem mais de 50 aplicativos instalados no dispositivo -a maioria é de jogos- e sabe de cor o caminho para acessar novidades. "Sempre lemos as regras juntos e não baixamos aplicativos pagos", conta a mãe, a professora Fabiana Meira, 40. "Criei eles para que não tivessem medo da tecnologia, sem aquela coisa de que se mexer vai quebrar."

Além dos games, os meninos usam o aparelho para assistir a desenhos no YouTube e no Netflix, função útil nas viagens de carro, e para tocar música, com um aplicativo que simula um piano.

As brincadeiras no tablet envolvem os pais. Fabiana e o marido, também chamado Dênio, criaram contas em jogos como "Candy Crush" e "Dragon City" para ajudar os filhos a desbloquear fases.

Editoria de Arte/Editoria de Arte

Beatriz Alarcão, 10, ganhou um tablet de presente de aniversário em maio. Na época, um dos argumentos dela para convencer a família foi a chance de economizar na conta de telefone. "Chegava a ficar uma hora pendurada falando com minhas amigas. Agora, a gente conversa por Skype", conta.

O aparelho também é usado para acessar redes sociais, ouvir música e brincar com jogos como "Pou" e "Candy Crush".

Vizinha de Beatriz, Camille Prada, 10, espera ser presenteada com seu segundo tablet neste Natal. O primeiro, que custou cerca de R$ 300, deu problema e travou.

Quando conseguir o novo, a ideia de Camille é consertar o aparelho quebrado e deixá-lo com sua irmã, de três anos. "Ela já consegue brincar com alguns joguinhos."

PINTADINHOS

"O público infantil é um dos maiores interessados em tablets", diz Maurício Rorda, vice-presidente de marketing da Positivo. Atentas ao fascínio exercido pela telas sensíveis ao toque, várias empresas lançaram modelos específicos para crianças a partir do ano passado.

Do lado de fora, dá-lhe Mickey, Barbie e Galinha Pintadinha. Dentro, os aparelhos trazem configuração similar à de dispositivos para adultos, como boa capacidade de processamento e o sistema operacional Android.

"O tablet não pode ser de brinquedo. Se não for de verdade, a criança vai querer pegar o do pai", analisa Sergio Bastos, CEO da Tec Toy.

Os modelos já vêm de fábrica com conteúdo instalado: jogos, desenhos animados, atividades de colorir e brincadeiras educativas com as letras do alfabeto.

Alguns produtos, como o Ypy Kids, da Positivo, possuem travas que permitem vetar o acesso a alguns aplicativos, limitar o uso durante determinados horários e, depois, conferir um registro de tudo que a criança fez.

Editoria de Arte/Editoria de Arte

Para Rosely Sayão, educadora e colunista da Folha, os adultos precisam estar por perto para orientar o uso dos tablets. "Não recomendo que a criança tenha um só para ela. Tem muita coisa interessante neles, mas as crianças não têm autocontrole."

A especialista ressalva que os pequenos não devem ser privados da tecnologia. "Mas precisamos que não haja substituição do diálogo, ausência do olho no olho."

A pedagoga Gilda Mello, especialista em educação infantil pós-graduada pela UFRJ, diz que os aparelhos podem ser úteis para acelerar a alfabetização das crianças pequenas, desde que equipados com programas adequados.

Ela recomenda que o produto só seja dado como presente a partir dos cinco anos. "É preciso bom senso. O tablet não deve substituir as brincadeiras ao ar livre, importantes para o desenvolvimento."
 
 
 
Fonte: Folha

 
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