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CURSO DE IDIOMA ON-LINE GRÁTIS, DUOLINGO LANÇA SERVIÇO DE OLHO NO BRASIL

09/10/2013

O Duolingo.com, site que oferece cursos de línguas gratuitos na internet em troca de mão de obra para traduções coletivas, acaba de fincar o pé no Brasil.

Após atingir a marca de 550 mil usuários, o site lançou a versão beta de um curso de inglês para lusófonos que já conquistou 14 mil alunos. Nos próximos dias, será lançado o curso na mão oposta --português para falantes de inglês--, esperando uma demanda alta para a Copa do Mundo e para a Olimpíada.

O site, que começou em 2011 com uma verba de US$ 482 mil da Fundação Nacional de Ciências dos EUA, ganhou no mês passado uma injeção de US$ 15 milhões de três investidores do setor privado. Entre eles estão a Union Square Ventures, mesma empresa de capital de risco que despejou milhões no Twitter, e o ator Ashton Kutcher.

Editoria de Arte/Folhapress

Segundo Luis Von Ahn, cientista que lidera o projeto, o dinheiro deve ser usado para turbinar o desenvolvimento do site, que até o mês passado vinha sendo produzido por uma equipe de 16 pessoas, em Pittsburgh (EUA). Ele projeta reunir 1 milhão de usuários até o fim do ano.

Nos primeiros meses, o Duolingo funcionou como um portal de cursos, oferecendo atividades para o usuário realizar sozinho. Aos poucos, vem ganhando recursos de rede social.

Alguém que já fala um idioma pode ajudar outra pessoa que está aprendendo, e estudantes que realizam traduções podem palpitar nos trabalhos uns dos outros.

A maioria dos cursos disponível, porém, chega só até o nível intermediário. Estender o programa está nos planos, mas não há previsão. "O que precisamos aprimorar são os recursos para o usuário dialogar com outros falantes", diz Von Ahn. "Assim que tivermos isso, acho que os usuários serão capazes de chegar a um nível avançado."

Neste mês, o serviço de tradução será aberto ao público. Qualquer pessoa que tenha publicado textos com licença Creative Commons poderá tê-los traduzidos gratuitamente. Para conteúdo protegido por direitos autorais será cobrada uma taxa --mas o Duolingo se propõe a oferecer o preço mais baixo.

A ideia é, no longo prazo, fazer com que a empresa se torne um negócio rentável.

Apesar de a gratuidade do curso se basear na troca das aulas por traduções, traduzir não é obrigatório. É possível terminar o curso fazendo apenas as lições e testes.

"Nos pusemos a meta de fazer com que os textos a traduzir sejam bons o suficientes para que as pessoas queiram traduzi-los", diz Von Ahn. Um dos recursos em implantação permite aos usuários escolher textos pelos quais se interessam.

HUMANOS X ROBÔS

Para convencer usuários a pagarem pelo serviço de tradução, o site terá de cumprir a promessa de conseguir fazer conversões melhores do que ferramentas gratuitas como o Google Translate são capazes de fazer hoje usando apenas inteligência artificial. As traduções de inglês-espanhol e espanhol-inglês feitas por 300 mil usuários no Duolingo são visivelmente melhores.

As traduções do inglês para o português (que está em fase de teste) ainda costumam ter erros tipicamente "humanos", sobretudo escorregões de digitação, mas em geral têm gramática e semântica mais corretas que as do Google. À medida que o site ganha adeptos, diz Von Ahn, esses problemas tendem a desaparecer, pois os usuários "votam" nas traduções uns dos outros e vetam aquelas que estão erradas.

ITALIANO E CHINÊS

Depois do português, os próximos cursos a serem lançados pelo Duolingo são o italiano (em novembro) e o chinês mandarim (ainda sem data), ambos a partir do inglês. Os cursos na mão oposta devem vir só depois.

"Nós temos a sensação de que um serviço para aprendizagem de inglês a partir do chinês pode conquistar grande popularidade na China, mas é difícil dizer", diz Von Ahn. "Não sabemos muito bem o que é necessário para ter sucesso na China, e nem o Facebook conseguiu ganhar popularidade lá, mas vamos lançar o curso alguma hora e ver o que acontece."

WIKIPÉDIA

Quando o Duolingo foi lançado ao público, em janeiro, Von Ahn prometia que com 1 milhão de usuários seria capaz de traduzir toda a Wikipédia do inglês para o espanhol em apenas 80 horas. Pela mesma conta, com 300 mil usuários aprendendo essas duas línguas teria sido possível fazer o serviço em 11 dias, mas Von Ahn diz que ainda ainda não liberou todo o potencial do site.

"Nós já temos essa capacidade para fazer traduções rápidas, mas estávamos nos esforçando até agora para desenvolver maneiras de certificar que as traduções estejam precisas", diz. "As traduções que estamos fazendo agora são ainda um teste para as coisas que vamos postar na Wikipedia. Não quero correr o risco de publicar lá algo que esteja errado. Seria muito ruim para nós."

A tradução da enciclopédia será coordenada pelo Duolingo em conjunto com a Fundação Wikimedia para que os verbetes mais relevantes sejam priorizados. "Eles têm interesse em que muitos artigos sejam traduzidos, sobretudo os científicos, mas há outros sobre os quais eles preferem fazer os próprios artigos, como os de política", diz Von Ahn.
 
 
 
Fonte: Folha

 
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