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OS GESTOS DO WINDOWS 8 SÃO BONS EM TOUCHSCREENS, ´MEH´ NOS DESKTOPS E FALHARAM NOS NOTEBOOKS

23/09/2013

O Windows 8 causou polêmica em sua tentativa de abraçar o mundo e ser um sistema tanto para computadores convencionais quanto para o ascendente mercado dos tablets. Com muitas das suas interações pesadas em gestos através de telas sensíveis a toques, e interface focada neste tipo de aparelho, ele não ficou tão atraente para os usuários de aparelhos mais antigos.

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Quando estamos em um aparelho com toucscreen, tudo está em casa. O deslizar dos dedos partindo das laterais funciona muito bem em tablets, onde a tela é plana em relação ao corpo do aparelho, e mais nem sempre em notebooks com as telas sensíveis, pois alguns deles tem aquele relevo entre a moldura da tela e o display em si, algo que estraga um pouco do movimento.

No computador, com teclado e mouse, as coisas foram improvisadas para continuar fazendo sentido: encostar o ponteiro do mouse nas laterais é o que realiza as ações, algo que é um tanto confuso no começo e que torna a sensação de ser menos produtivo que o Windows 7 inevitável. Alguns dias depois, você aprende com ir rápido para o desktop e as coisas ficam mais simples, e passa a usar o Windows 8 da mesma forma como noum Windows 7, apenas com um menu iniciar metido a besta adicional.

Mas é nos notebooks que a coisa, do meu ponto de vista, realmente se perde. Apesar das telas sensíveis a toque estarem se popularizando rapidamente nestes aparelhos, para muitos o touchpad continua sendo a input padrão da maioria destes computadores. E o Windows 8 é irritante nele.

O principal vilão são os gestos que partem das laterais, especialmente o da direita. Como muitos usuários estão habituados a não se importar com a região em que usam o touchpad, exceto para usar scroll deslizando bem pela lateral, não nos damos conta que estamos, muitas vezes, bem na beirada da área de toque. Qualquer gesto partindo para a esquerda é entendido como o gesto de abrir os charms, um menu que depois de um tempo se torna incrivelmente irritante. Vira rotina o seu acionamento automático, e é preciso aprender que o primeiro toque no restante da tela irá, inicialmente, fechá-lo, ao invés de realizar a ação que queríamos no desktop.

O mais engraçado é como o oposto também acontece, e muitas vezes quando queremos abrir o menu charm acabamos precisando repetir o gesto ao menos duas vezes, mesmo depois de ficar experiente com o sistema e com o seu próprio aparelho. Em outros momentos, os aparelhos mesmo que não ajudam, com no caso do FullRange G1740 NEW. O desnível do touchpad em relação a carcaça atrapalha o deslizar dos dedos, sendo que este comando fica mais eficiente se você inicia o deslizar dos dedos de fora da área do touchpad.

Esta falha em realizar o comando é tão constante que ela acaba de ser homenageada com um hardware, para provar uma deficiência de software com uma tentativa de correção física: o touchpad do novo HP Spectre 13. Esta singela modificação no design do Ultrabook deixam claro como a coisa não está funcionando:  ampliaram a área de contato, deixando-a muito mais larga (bem mais que a proporção da própria tela do aparelho) para enfiar o gesto de deslizar das laterais o mais longe possível e evitar o acionamento acidental do menu charm.

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Spectre 13. Lugar onde bug do sistema cria o feature do hardware.

Isto fica ainda mais evidente pelas marcações colocadas nas bordas. Elas ajudam o usuário a saber a partir de onde o Windows vai considerar que você está fazendo um slide de fora da tela com seu touchpad. Eles só esqueceram que, diferente de uma tela sensível a toques, eu não vou (ou ao menos não pretendia) ficar olhando para o touchpad para usá-lo, e precisar cuidar onde enfio o dedo é um fracasso em sua usabilidade. Com sorte, a área do swypes terá uma textura diferente ao toque, mas isto só poderemos conferir quando fizermos um hands-on com o modelo.

Apesar de pequenos, estes detalhes são, do meu ponto de vista, onde a Microsoft falhou no ambicioso Windows 8. Acredito que a ideia de unificar o sistema de tablets e computadores convencionais é muito boa, mas o sistema foi feito partindo do uso através de telas sensíveis ao toque, e outras interações foram feitas no modo gambiarra tentando adaptar isto. Dá para perceber como, em muitos momentos, interações forçadas tentam ser equivalentes aos gestos que só funcionam bem nas touchscreens. E é aí que se foi o boi com as cordas.

Em um sistema que já não sabe se é Modern ou Desktop, você ainda precisa lembrar como é que ele funciona de acordo com o dispositivo em uso. Difícil dizer que o Windows 8 unifica alguma coisa. Ele, na verdade, criou uma colcha de retalhos de ideias conflitantes.
 
 
 
 
Fonte: Adrenaline

 
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