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MODALIDADES DE GRAVAÇÃO DE CD

Antonio Vilhena - 08/05/2002

Se você já se aventurou em papos sobre gravação de CD, ou ao menos já leu as especificações do seu gravador, deve ter se deparado com termos como "Track-at-Once", "Disc-at Once", e "Track Incremental". Que raios de termos são estes? O que querem dizer?

Bom, para começar, gravadores de CD-R não gravam dados do jeito que os discos rígidos ou outros dispositivos fazem. O gravador de CDR serializa ("stream") dados em um disco, usualmente gravando ao menos uma faixa/track. A "Estratégia de escrita" ou "Modo de escrita" ou "Write Mode" que o gravador de CD-R usa depende de duas coisas: 1. Que modos de escrita o gravador de CD-R suporta, e 2. Que modos de escrita o programa de gravação suporta.

Desta forma, é interessante ter em mãos as especificações de seu aparelho, e do seu software, para saber corretamente quais modalidades eles suportam. É bom lembrar, que praticamente todos os gravadores de CDRW vendidos atualmente suportam estas modalidades.

TRACK AT ONCE

Como o nome mesmo já está dizendo, este modo de gravação irá gravar uma trilha em qualquer formato (CD-DA, CD-ROM, etc.) no disco. O tamanho de uma trilha tem que ser ao menos de 300 blocos (4 segundos), o que resulta em mais ou menos 700Kb. Como especificado no Red Book, você pode gravar até 99 trilhas em um Compact Disc. Antes do formato multi-session ser uma realidade, os usuários só podiam criar 1 trilha no disco que deveria conter todos os dados que eles queriam que estivesse naquele disco. Isto pode ser um grande desperdício de espaço em disco; se um usuário tem apenas 100 MB de dados para gravar, os demais 550 MB disponíveis no disco seriam desperdiçados. Este tipo de disco é chamado de "Single Session Disc".

TRACK MULTI-SESSION

Este modo de escrita é muito similar ao Track at Once. Em um ambiente de Multi-sessão, cada sessão deve conter pelo menos 1 (uma) trilha. Novamente, o tamanho da trilha tem que ser de pelo menos 300 blocos. Track Multi-session, Como você já deve ter imaginado, permite que você incremente (adicione) trilhas em um disco. Não confundir com escrita incremental que será vista mais abaixo. Alguns pontos a ressaltar:

  • cada sessão gasta em torno de 13.5Mb de espaço em disco para controles (em áreas chamadas de Lead-in e Lead-out); desta forma, no caso de se gravar pequenas quantidade de dados, em cada gravação estará sendo perdido 13.5 MB de espaço no disco, não esquecendo que você só poderá gravar no disco 99 vezes (quantidade máxima de sessões);
  • cada leitor de CD-ROM implementa o modo de leitura de multi-sessão de maneira diferente. Alguns seguem o padrão do Kodak Photo-CD (formato CD-ROM/XA), enquanto outros seguem o formato de CD-ROM Mode 1/Mode 2.
  • não misture o padrão CD-ROM com CD-ROM/XA no mesmo disco. Alguns programas de gravação permitem que você faça isto, porém você terá problemas em ler este disco em leitores de CDROM. Escolha um formato, e permaneça usando ele em todas as gravações num mesmo disco.

Apesar da maioria dos aparelhos de CD-R suportarem este modo de gravação, alguns permitem que usuário grave mais de um trilha em uma sessão. Este método de gravação é muito interessante, pois elimina o desperdício dos 13.5MB de controle de gravação. Em uma sessão que possui mais de 1 trilha, as trilhas são separadas por um espaço em branco (gap) de 150 blocos (2 segundos). Um bom exemplo de um CD multi-track é um cd de áudio (CD-Audio). Apesar deste tipo de disco ser usualmente single session, existe uma área Lead-in com índice (Table of Contents - TOC), seguido de algumas trilhas (cada música é uma trilha), e a área de Lead-out. O mesmo esquema funciona para trilhas de dados, podendo ser facilmente multi-session.

DISC-AT-ONCE

Este modo de gravação é especialmente útil para criação de discos-mastriz (master-disc) para por exemplo ser enviado para prensagem ou duplicação em empresas de impressão de CDs em grande quantidade. Na modalidade Disc-at-Once, todo o disco - área de Lead-in, área de Dados e área de Lead-out são gravadas começando no início do disco, até o final do disco, sem "desligar" o laser de gravação. Com o Track-at-Once e o Track Multi-session, a área de dados é gravada primeiro, depois a área de Lead-out, e por fim a área de Lead-in; em cada etapa destas, o laser de gravação é "desligado" para se mover para a próxima área. Cada vez que o laser de gravação é "desligado" e "ligado", blocos de ligação são criados no disco. Estes blocos de ligação conectam as trilhas com as áreas de Lead-in e Lead-out. Entretanto, estes blocos de ligação, são interpretados como "erros não recuperáveis" (uncorrectable errors) na maioria dos sistemas de duplicação em massa. Gravando na modalidade de Disc-at-Once, elimina-se os blocos de ligação porque o laser de gravação não desliga durante todo o processo de gravação do CD. A modalidade Disc-at-Once requer que o programa de gravação envie para o drive de CDR uma folha de dados de gravação ("cue sheet") que descreve todo o layout do disco. Baseado nela, o gravador de CDR aceita os dados e começa a gravar a área de Lead-in com o índice (Table of Contents - TOC), em seguida os dados, e a área de Lead-out, seguindo esta ordem, sem interrupção.

A modalidade Disc-at-Once gera discos "single session" apenas.

TRACK INCREMENTAL

Outra modalidade de chamada multi-session. Como o próprio nome diz, é a gravação incremental de 1 (uma) trilha adicional por vez. Não confundir com "Incremental Packet Writing".

INCREMENTAL (PACKET) WRITING

Também é referida como "Incremental Writing" ou somente "Packet Writing". Esta modalidade de gravação está um pouco a frente do seu tempo. O conceito implementado pelo Incremental Writing é simples: transformar o gravador de CD-R em um dispositivo similar a um disco rígido ou outro dispositivo comum de armazenamento; com capacidade de gravar arquivo por arquivo em um disco de CDR. Apesar de o conceito ser simples e interessante, sua implementação é uma história completamente diferente. O sistema de acesso a arquivo em um CD-ROM é o ISO9660, e conceitualmente ele não previa a gravação de discos/arquivos incrementalmente. A razão principal é a tabela/sistema de índices para o ISO9660 depender de se saber "antes" a informação sobre TODOS os arquivos que estarão presentes no disco. Sem esta informação, o sistema de arquivos ISO9660 não terá como obter a informação para acessar um arquivo no disco. Com a atual modalidade "multi-session" cada vez que uma sessão é gravada, TODO o sistema de arquivo tem que ser gravado também, gerando grandes perdas de espaço, mas mantendo a compatibilidade com o ISO9660.

Um novo subsistema de arquivos para CD está surgindo, chamado ECMA 168. O ECMA 168 é baseado no sistema ISO9660 e adiciona a flexibilidade de adicionar dados em um disco "um arquivo por vez", sem a necessidade de se regravar os índices e controles a cada vez.

O grande problema de "compatibilidade", é que discos na modalidade de gravação "INCREMENTAL PACKET WRITING", não podem ser lidos em leitores de CD, sem um driver específico que forneça o suporte para esta modalidade, desta forma, sempre que um CD-ROM gravado nesta modalidade tiver que ser lido em outro computador, deverá se ter antes a certeza de neste computador ter instalado drivers de packet reading, e como o sistema operacional usado hoje (Windows 9x, ME, 2000, XP), não fornece este tipo de driver como padrão (só há sentido em quem possuir gravador de CDR instalado no sistema), não há como garantir a leitura de um CD distribuído nesta modalidade.

OBS: Se gostou do assunto, e quiser discutir mais a respeito, dê um pulo no Fórum do BoaDica na área de CDR: http://www.forumboadica.com.br

 
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