Acho que existe uma confusão por aqui. Coisas da tradução. Só pra facilitar, vamos acertar o nome das coisas. Podem chamar diferente em outros lugares, mas aqui nesta dica:
- dissipador passivo: peça de metal para facilitar a dissipação do calor.
- dissipador ativo: dissipador passivo com uma ventoinha acoplada para acelerar o processo.
- ventoinha: pode ser para insuflar (empurrar o ar fresco de fora pra dentro) ou para exaustão (empurrar o ar quente pra fora).
Esquemas:
1. Processador - requer um dissipador ativo, i.e., aquela
peça de metal parecida com um pente que tem uma ventoinha em
cima.
Minha recomendação é comprar um que seja pelo menos dois
"pontos" acima do necessário para o processador: não vale a
pena economizar 20 ou 30 reais e colocar em risco um
componente de
500 pratas pra cima.
Pior ainda, os mais novos têm controle de temperatura:
processador antigo queimava; processador moderno diminui e/ou
desliga. Aliás, esta é uma das enormes diferenças entre o Intel P4 (fama de fresquinho) e o AMD Athlon (fama de esquentado).
É verdade: o P4 esquenta menos. Também é verdade, como diria vovó: tem carne por baixo desse angu.
Ninguém faz mágica com refrigeração e dissipação de calor. xMHz vão produzir praticamente a mesma quantidade de calor num Athlon ou num P4. Qual a diferença, então? O sistema de controle do superaquecimento:
- o Athlon esquenta, esquenta, esquenta e, atingido o limite, pára. Ponto final.
- o P4, à medida que vai esquentando, entra num processo de, digamos assim, "UNDERclocking" automático: vai reduzindo a velocidade do clock e,
conseqüentemente, mantendo a temperatura baixa. O preço da temperatura baixa do P4 é ele continuar rodando... sem travar, mas cada vez mais e mais devagar... simples assim.
Se começar a passar do limite, o Athlon trava e pronto. Já o seu maravilhoso P4 2.1 vai operar a 1.5, a 1.0, a 500 até estabilizar. Se o cooler não segura a ondade operar a 2.1, o P4 vai acabar se estabilizando a 1.5 ou 1.0. Você pagou por um 2.1 que funciona, fresquinho, é verdade, a 1.0... por causa da economia porca de 20 pratas.
Em resumo: qualquer que seja o seu processador, para ter um desempenho decente, vento em cima dele.
2. Chipset - depende do modelo; pode não precisar de nada,
pode precisar apenas de um passivo ou, nas placas mãe mais
potentes, um dissipador ativo. Recomendação: não mexer no que
veio de fábrica.
3. Memória - a rigor, não precisa de nada, mas melhora com
o kit passivo (umas latinhas que ninguém da nada por elas
coladas com fita térmica nos pentes de memória) e melhora
MUITO com o kit ativo (as latinhas com uma ventoinhazinha
soprando por cima) -- ambos, ativo e passivo, da Thermaltake.
4. Placa de vídeo - comporta de nada até dissipadores
passivos para as memórias e ativo para o chip. GEForce 2 =
passivo no chip; GEForce 4 = ativo no chip (as memórias pegam
a "sobra" do ventinho). Na minha placa (GEForce 2), coloquei passivo nas memórias e ativo no chip -- a diferença de performance é BRUTAL! Nunca mais tive travamento de vídeo, a rapidez aumentou pracarambew, essas coisas..
5. Gabinete - até aqui, a gente só fez tirar o calor gerado
pelos componentes e jogá-lo dentro do gabinete. Resultado: em
poucos minutos, todo o nosso sofisticadíssimo sistema de
refrigeração vai estar funcionando... dentro de um forno a 65
graus ou mais... ou seja, se a gente não providenciar uma boa
circulação de ar dentro do gabinete, não adianta nada.
Aí, entram em cena duas soluções:
5.1 Gabinete aberto. Simplesmente, tire as tampas e deixe o
ar circular. Em dias muito quentes, coloque um ventilador
desses domésticos soprando em cima, em velocidade máxima.
Desvantagem: mais barulho no ambiente e mais poeira nos
componentes. Vantagem: é o mais eficiente; em dias de verão
muito quentes, se você não tem ar condicionado é a única
saída.
5.2 Aberturas no gabinete e ventoinhas: empurrar ar frio
para dentro e fazer a exaustão do ar quente para fora. Há duas
regras simples:
- como o ar quente sobe, devemos insuflar por baixo e fazer
a exaustão por cima do gabinete (pra que nadar contra a
corrente?)
- como o operador está na frente, é recomendável que a
exaustão seja por trás -- imagine usar o micro com um treco
soprando ar a 60 graus na sua perna

Ou seja, entradas de ar embaixo, na frente; saídas em cima,
atrás.
Eu uso:
- para entrada de ar, a ventoinha do gabinete (na frente,
embaixo) e uma ventoinha grande, 11cm de diâmetro, na lateral:
abri um furo e cobri com uma tela de som de carro (solução
barata e bem legalzinha). Pra ficar embaixo da mesa, está ótimo.
- para exaustão - a fonte, a ventoinha na traseira do
gabinete, mais ou menos no meio, e uma ventoinha de alta
potência no alto do gabinete (outro furo).
Todas as minhas entradas de ar são "filtradas" (pode usar
um "perfex" ou aquelas mantas de fibra de exaustor de cozinha
ou ar condicionado). Dá algum trabalho pra limpar os filtros (uma ou duas
vezes por mês), mas, além de reduzir o barulho, se eu quisesse
poeira juntando dentro da máquina, não ia me aporrinhar tanto
com ventoinhas: tirava a tampa do gabinete e pronto.
Outras dicas:
- arrumar direitinho e prender os fios internos: quanto
menos "maçaroca" melhor a circulação do ar.
- os cabos redondos, que agora existem para Floppy e HD (http://www.roriz.com.br/), custam caro mas
melhoram MUITO a circulação de ar... por mais que a gente
arrume com carinho, os benditos cabos "flat" atravancam um
bocado.
- aquelas laterais de acrílico transparente que tem
aparecido com os gabinetes mais novos podem ser lindas, mas
retêm muito mais calor do que o metal.
Abçs.
g.